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Magá Moura, a militante negra que tomba a caretice

Autor: LIKA RODROL Data da postagem: 12:30 13/06/2016 Visualizacões: 925
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Magá Moura (Foto: Julia Rodrigues/Cachalote/ÉPOCA)

A blogueira e influenciadora digital estimula a autoestima e o orgulho negro

Os compridos cachos castanhos vistos acima são quase um visual discreto se comparados aos penteados que a blogueira Magá Mouracostuma ostentar. Seus 118 mil seguidores no Instagram estão mais acostumados às madeixas em tranças cinza, pink e multicoloridas, enroladas em penteados psicodélicos e volumosos, combinados a brincos de Barbie e batons fluorescentes. A cabeleira trançada e colorida de Magá chama a atenção por onde ela passa, desde o tempo em que a baiana de Feira de Santana morava na periferia de São Paulo. Quando se mudou para Londres, o visual color block, de cores fortes, também não passava despercebido. “As pessoas pediam para tirar foto”, lembra. Mais recentemente, as madeixas chamaram a atenção no revezamento da tocha olímpica. Na semana passada, ela levou as tranças para desfilar novamente em Londres e depois Paris, onde ia cobrir um festival de afropunk.

Magá é hoje influenciadora digital reconhecida no mundo da moda e rosto de marcas como a Nike. Ela tem uma trajetória que remete à de muitos jovens brasileiros – depois do divórcio dos pais, morou com a avó materna em Irará, também na Bahia, enquanto a mãe veio para São Paulo trabalhar como empregada doméstica. Depois de dois anos se juntou à mãe, que abriu o próprio ateliê de costura em São Paulo. “Minha mãe é meu maior exemplo, uma guerreira que não vê limites”, diz Magá. Depois do colégio, Magá foi estudar relações públicas e pesquisa de tendências. Magá fala de moda e tendências no blog que leva seu nome, mas a mensagem vai além dos conselhos de estilo: o subtexto das dicas estimula a autoestima e expressão pessoal.

A blogueira representa uma geração de jovens negros que já ganhou até alcunha: a geração tombamento (referência à gíria “tombar”, que significa algo como “arrasar”. A geração tem outros expoentes como o cantor Liniker. Os “tombadores”, por meio da experimentação estética, exercem sua militância política, resistindo a padrões e preconceitos. Abusam de penteados e roupas multicoloridos, transgridem o comum. Inspirados no movimento afrofuturista da década de 1960, que combina o resgate da mitologia e da ancestralidade africana com elementos tecnológicos, a “geração tombamento” reafirma a estética afro. “Minha militância, no coletivo negro, também é estética. Represento as mulheres em um cenário que não é o de costume da negra: estar na moda, na TV, na revista.”

Como blogueira e influenciadora, hoje Magá leva a discussão da cultura negra para escolas e universidades e participa de movimentos como a Marcha do Orgulho Crespo, realizada pela primeira vez no ano passado. Seu sonho é fundar um instituto com oficinas de trança para meninas de baixa renda e discussões sobre feminismo e ativismo social. “É bacana saber que meu cabelo e minha atitude são motivos para encorajar todas as mulheres, até mesmo as brancas”, diz Magá.

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