DANDARA MARIANA: “SER NEGRO NO BRASIL É PASSAR POR SITUAÇÕES ABSURDAS”

Autor: Raquel Pinheiro Data da postagem: 11:00 14/05/2019 Visualizacões: 146
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DANDARA MARIANA: “SER NEGRO NO BRASIL É PASSAR POR SITUAÇÕES ABSURDAS”/Imagem: Reprodução - Revista Quem

A atriz de ‘Verão 90’ lembra que o racismo afeta a autoestima e relata situação em shopping

Dandara, a personagem de Dandara Mariana em Verão 90, anda em uma fase compllicada na trama das 7, enfrentando questões que mais de duas décadas após a geração da década de 1990, continuam comuns às mulheres negras. No relacionamento com Quinzinho (Caio Paduan), o machista empresário se incomoda com o sucesso da mulher e tanto fez que ela deixou a carreira de VJ de lado, tendo de ceder quando fãs da professora de lambada pediram sua volta. E se a cor da pele de Dandara nunca foi um  problema para o casal, para a mãe dele, Mercedes (Totia Meirelles), é tanto é que ela chegou a dançarina de lambada alisasse os cabelos

“A Dandara é muito digna, tem princípios fortes. Quinzinho ser branco não foi uma questão, mas o fato de ser um playboy, um menino mimado é que a incomodava”, conta a atriz de 30 anos, que na vida real está solteira. Ela ressata que as atitudes da sogra têm um propósito maior na trama.

"É o gancho para se começar a falar mais sobre racismo. Na época da novela denunciar isso não era tão comum, mas ainda bem que hoje não toleramos mais esse tipo de comportamento", avalia Dandara. "Estamos mais empoderados, os negros estão mais unidos nesse sentido, botando a boca no mundo. A gente está denunciando porque queremos mais vivenciar o que já vivenciamos", explica.


DANDARA MARIANA: “SER NEGRO NO BRASIL É PASSAR POR SITUAÇÕES ABSURDAS”/Imagem: Reprodução - Revista Quem

Experiências como a da personagem, Dandara teve na vida real. “Já passei por situações de racismo porque ser negro no Brasil é passar por diversas situações absurdas. Já vivi isso dentro de restaurante, dentro de shopping”, diz Dandara, lembrando uma ocasião, aos 13 anos, quando estava em um loja de informática com o irmão, Noah, hoje com 28 anos, e foram abordados por um segurança. “Isso aconteceu por serem dois meninos negros. Nesse dia meu pai estava presente  para proteger a gente, porque você sofre umas coisas tão novinho e acaba não sabendo se colocar, guardando aquilo (o ato racista) com você. Isso afeta sua autoestima”, afirma Dandara.

Ela costuma trocar ideias com o pai, o ator Romeu Evaristo, sobre o trabalho e já bateu cenas da novela com ele. “Às vezes ele me orienta”, conta a atriz, que começou a fazer arquitetura e trocou o curso pela faculdade de dança, experiência que a ajudou em Verão 90. “A lambada é uma dança em que o quadril rege o movimento e que usa muito o cabelo. Tive alguma facilidade por causa das aulas, então não demorei a pegar o jeito, apesar de não ter essa memória da febre da lambada”, explica.

DANDARA MARIANA: “SER NEGRO NO BRASIL É PASSAR POR SITUAÇÕES ABSURDAS”/Imagem: Reprodução - Revista Quem

Dandara diz que o que a marcou nos anos 90 foram o É o Tchan! e outros grupos de axé, tendo assistido muitos vídeos no YouTube para ver e entender melhor os costumes da época para a novela. Ela adora a moda daquela geração. “É tudo muito colorido. As décadas de 60, 70 e 90 tiveram estilos muito característicos e aí vieram os anos 90, mais livres, com uma mistura de referências, estamparia, tudo junto”, aprova a atriz, que ficou conhecida do público como a Marida de A Força do Querer.

Com a novela na metade, Dandara não vai ficar longe dos fãs quando a trama acabar no segundo semestre. Ela poderá ser vista no cinema em Cidade do Medo, título provisório do filme com Marcos Palmeira e Bianca Comparato, com direção de Caio Cobra e roteiro de Rodrigo Pimentel e Gustavo de Almeida,  sobre a implantação das  Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Rio de Janeiro.

"Eu vivo uma uma assistente social, e o filme vai retratar o início da tentativa de pacificação das favelas cariocas com a entrada das UPPs. É maravilhoso poder, com a arte, contribuir para uma reflexão política", pondera. "Espero que o filme gere bastante debate, pois é de extrema importância reavaliarmos as políticas públicas e a ação policial nas comunidades", diz a atriz.

DANDARA MARIANA: “SER NEGRO NO BRASIL É PASSAR POR SITUAÇÕES ABSURDAS”/Imagem: Reprodução - Revista Quem

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