6 ferramentas para valorizar a diversidade racial na escola e em casa

Autor: Mariana Queen Nwabasili Data da postagem: 10:00 23/03/2016 Visualizacões: 639
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
"Não é um projeto que tem fim. Só vai ter fim quando não tiver mais preconceito e racismo. Aí a gente muda!", Luci Godinho, diretora do Centro de Educação Infantil Onadyr Marcondes | Foto: Divulgação

Prêmio destaca projetos bem-sucedidos para educar sem preconceitos

Como trabalhar o tema da diversidade racial com as crianças? Quais as melhores iniciativas para combater o preconceito manifestados pelos alunos? O 6º Prêmio Educar para a Igualdade destaca projetos bem-sucedidos na valorização da diversidade e promoção da igualdade racial nas escolas.

A ideia é divulgar as boas iniciativas brasileiras para que sejam repetidas em diferentes lugares. "Nossa intenção é espalhar as experiências para um número maior de pessoas e instituições", diz Athayde Motta, diretor executivo do Fundo Baobá. Do ponto de vista pedagógico, de valorização da autoestima das crianças negras e de reconhecimento do esforço dos professores, o prêmio é um grande sucesso. "Crianças que aprendem a não ser racistas deverão se tornar adultos mais proativos ao lidar com as diferenças e com o racismo dos outros", comenta ele. 

A iniciativa do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CERRT), com apoio do Fundo Baobá, é realizada há 10 anos e a 6º edição, em 2012, premiou 16 educadores (entre 486 inscritos) de dez estados brasileiros nas categorias Escola e Professor. A contagem estranha mostra a dificuldade de organizar um prêmio que demora dois anos para localizar bons trabalhos em todo o Brasil.

Entre vencedores da categoria Escola estava o projeto "Traçando e trançando os laços da igualdade racial", do Centro de Educação Infantil Onadyr Marcondes, em São Paulo. A diretora Luci Aparecida Guidio Godinho relembra a fala que inspirou seu trabalho. A mãe de uma das alunas desabafou: "Minha filha falou que, quando crescer, quer ser branca, que não gosta da cor de pele que tem e perguntou por que é negra. Eu não sei explicar".

A diretora propôs um caminho ousado para educar alunos de até quatro anos - e seus familiares: identificou falas racistas e preconceituosas das crianças, reservou momentos nas reuniões do Conselho Escolar para falar com os pais sobre o assunto e organizou reuniões de formação dos professores em horário coletivo de estudos. "A gente começou uma construção coletiva, com professores, famílias e as crianças; e trouxemos para dentro da escola um acervo de livros com histórias da cultura africana, além de livros para trabalhar a história da África com os docentes", conta.

Obras como o "O Cabelo de Lelê", de Valéria Belém, e "Menina Bonita do Laço de Fita", de Ana Maria Machado (veja outros) foram trabalhadas e fizeram com que os alunos valorizassem a beleza afro-brasileira em si mesmos ou em seus colegas. Ao final do ano letivo, os pequenos saíram em passeata pelo bairro, mostrando à comunidade roupas e músicas de origem africana e cartazes contra o preconceito racial. "As crianças passaram a ver nesses livros esses cabelos crespos lindos; começaram a se reconhecer, soltar seus próprios cabelos e dizer eu 'sou bonita'. As crianças brancas também já falam 'puxa eu também quero ser assim, minha coleguinha também é bonita né'", comemora a diretora.

Presente na premiação, Kabengele Munanga, professor aposentado de Antropologia na USP, destacou a importância do prêmio para que os professores se lembrem da lei 10.639, que desde 2003 obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas. "Existem pessoas que estão se empenhando para cumpri-la, produzindo materiais que podem servir de modelo para a Educação de jovens que vão nascer, que estão crescendo e vão encontrar uma sociedade com esses problemas de racismo", avalia Kabengele.

Entre a categoria Professor, o projeto "Literatura infantil e a construção da identidade da criança no Ensino Fundamental" da professora Gisele Nascimento Barroso da escola de Ensino Fundamental E.R.C e Nossa Senhora da Conceição, em Belém (PA), foi vencedor. O projeto explorou os livros como referência para valorização da identidade afro-brasileira entre as crianças negras e brancas. "Agradeço a todos os alunos que carregaram responsavelmente essa missão de assumir o quanto nós trazemos de África em nossa vida", falou ao ser premiada.

Por meio das inscrições no prêmio, mais de 2.500 prátcias pedagógicas tratando do respeito à diversidade racial e cultural no Brasil já foram registradas pelo CEERT. 

Leia Também:

Cinco anos do Estatuto da Igualdade Racial e o posicionamento da CONEN em julho de 2010.

Veja as ações do Governo na promoção da igualdade racial

Curta a nóticia:
Curta o CEERT: