Programa Prosseguir 2ª Edição

conheça

Emprego e educação protegem da pobreza, mas não muito

Autor: Natália Faria Data da postagem: 17:30 13/05/2016 Visualizacões: 858
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
Google Imagens

Mais de um quarto dos menores vivia em famílias com menos de 428 euros por mês, em 2014, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

 

A educação continua a funcionar como elevador social em Portugal. No conjunto dos 20% da população com rendimentos mais elevados — superiores a 1100 euros mensais —, 57,5% tinha completado o ensino superior. Do mesmo modo, mais de 50% da população que tinha terminado o secundário posicionava-se nas duas classes de rendimentos mais elevados.

Na outra face da moeda, quase metade da população que apenas tinha completado o ensino básico e mais de 60% da população desempregada vivia em 2014 com menos de 610 euros mensais, segundo o inquérito aos rendimentos e condições de vida divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Quanto ao rendimento médio por agregado familiar, situou-se em 2014 ao mesmo nível de 2004. Foi de 17.017 euros anuais, ou seja, 1418 euros por mês, sendo que a maior quebra se registou a partir de 2009. Contas feitas, e em termos nominais, cada adulto apresentou um rendimento monetário disponível de 8435 euros em 2014.

O que se manteve foi "a permanente assimetria" entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres. Enquanto os primeiros dispunham de um rendimento monetário disponível por adulto de 26.127 euros anuais, os segundos não dispunham de mais do que 2469 euros por ano.

19,5% em risco de pobreza

O risco de pobreza foi particularmente elevado para a população desempregada. Mais de 40% das pessoas que não tinham emprego viviam em 2014 com um rendimento inferior ao limiar de pobreza, 422 euros por mês. E, ainda no universo dos desempregados, 67,4% viviam com um rendimento inferior a 610 euros mensais. Mas, ao mesmo tempo, ter um emprego continua a não proteger necessariamente as pessoas do risco de pobreza. Afinal, 30% dos empregados usufruíam de rendimentos mensais inferiores a 610 euros.

Em 2014, o INE conta que 19,5% da população portuguesa estava em risco de pobreza, o que equivale a dizer que dispunha de um rendimento médio por adulto de apenas 422 euros por mês. Os valores assemelham-se aos registados em 2013. E, mais uma vez, a pobreza ameaçava sobretudo as pessoas desempregadas (42%) e os menores de 18 anos (24,8%), seguidos das famílias com crianças dependentes (22,2%) e das mulheres (20,1%).

Foi na classe de famílias com rendimentos inferiores a 428 euros mensais que o INE contou a proporção mais elevada de menores, mais exactamente 25,2%, “o que reflecte as condições relativamente desfavorecidas das crianças”, conforme se lê no documento.

 
Curta a nóticia:
Curta o CEERT: