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89% das crianças reconhecem que pessoas são tratadas de forma diferente por causa da cor da pele

Autor: Redação Revista Crescer Data da postagem: 10:00 09/07/2021 Visualizacões: 180
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89% das crianças reconhecem que pessoas são tratadas de forma diferente por causa da cor da pele/Reprodução: Revista Crescer

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos, com crianças de 6 a 11 anos, mostrou que 42% das crianças já sofreram algum tipo de discriminação

A grande maioria das crianças reconhece que pessoas recebem tratamentos diferentes, dependendo da cor de sua pele. Uma pesquisa feita pela Sesame Workshop mostrou que 89% dos pequenos acredita que não é justa a forma como pessoas não-brancas são tratadas. 

O levantamento "Coming Together: Family Reflections on Racism"  buscou entender como as crianças estado-unidenses se posicionam diante de assuntos relacionados a racismo e diversidade. Para isso, entrevistaram 147 famílias, com filhos com idades entre 6 e 11 anos, por duas vezes: uma em junho de 2020, logo depois da morte do policial George Floyd, e outra em janeiro de 2021. Em ambas as oportunidades, as crianças responderam a perguntas sobre suas visões de mundo, expectativas e inseguranças. 

Os resultados mostraram que os pequenos não só são conscientes sobre o tratamento injusto dado a pessoas não-brancas, como também já vivenciaram algum tipo de discriminação. Quarenta e dois por cento dos pais disseram que seus filhos já foram vítimas de algum tipo de preconceito por causa de fatores raciais, socioeconômicos, religiosos, de sexualidade ou de gênero. Entre as famílias negras (62%), esse tipo de experiência é muito mais comum do que entre as famílias brancas (25%) que participaram da pesquisa. Das 147 crianças participantes, aproximadamente um terço sofreu discriminação especificamente por causa da sua raça/etnia. 

Os pais também acreditam que hoje seus filhos já entendem muito melhor o que é racismo e diversidade do que seis meses atrás. A maioria (75%) acha que as crianças realmente entendem quão errado é o preconceito racial e sabem o que fazer para ajudar e acolher um colega que passar por alguma situação desse tipo.

Como conversar sobre racismo com as crianças?

A pesquisa também mostrou que a grande maioria das famílias (96%) só começa a falar de racismo e diversidade com os filhos depois que eles completam 8 anos de idade. Ainda assim, esse papo é mais frequente em famílias negras (98%) do que em famílias brancas (75%). 

As situações que motivam essa primeira conversa variam de família para família. Em 37% das casas, esse papo só acontece depois que a criança presencia ou vivencia uma situação de discriminação ou quando a criança faz algum tipo de pergunta sobre o assunto (23%). 

Mas como introduzir esse assunto, afinal? A resposta é mais simples do se que imagina: comece dentro de casa, do jeito mais natural possível. “Ao contário do que possa parecer, o ponto de partida não deve ser o racismo. Precisamos desenvolver na criança um senso de valorização à diversidade”, diz Lucimar Rosa Dias, professora da Universidade Federal do Paraná e coordenadora do ErêYá - Grupo de Estudos em Educação para as Relações Étnico-Raciais. Segundo ela, o primeiro passo é trazer referências mais diversas para a rotina do seu filho.

Para a psiquiatra da Infância e Adolescência Ivette Gattas, uma das melhores maneiras é esperar que as crianças façam as perguntas. “Normalmente, elas questionam sobre o que está incomodando. Os pais, então, devem se preocupar em responder adequando a linguagem de acordo com a idade”, diz. Usar histórias, livros, desenhos, recriar o acontecimento na hora da explicação podem facilitar o entendimento por parte deles.

Outra dica, segundo Ivette, é investir um tempo em conversas genéricas sobre discriminação aproveitando situações corriqueiras para explorar o assunto com a criança. Porém, o mais importante é que os pais sejam exemplo para os filhos. “Se a gente quer que eles tenham um determinado comportamento, temos que dar o exemplo. Sempre vamos ser exemplo para nossos filhos até o momento em que eles vão pegar o que aprenderam conosco e unir às próprias experiências. Precisamos exercitar o não preconceito”, finaliza.

A seguir, exemplos de como algumas famílias introduziram o tema com as crianças:

“Aproveitei as aulas online de História para reforçar alguns tópicos importantes com o meu caçula, como o racismo. Mostrei que ele não vem de hoje e que ainda existe discriminação, e sempre pergunto a opinião dele sobre o assunto.”
Luciana Naracci, mãe de Guilherme, 19, e Pedro, 9

"Usamos filmes e séries de TV para introduzir referências mais diversas para as crianças. Elas sempre comentam quando os personagens sofrem algum tipo de discriminação. Aproveitamos esse momento para falar sobre o impacto que esse tipo de coisa pode trazer na vida de uma pessoa."
Andréa Paião, mãe de Lucas, 30, Sthefany, 17, Cauã, 14, Bruno, 11, e Nelly, 6

"Quando acontece algum caso de racismo de repercussão nacional, chamo minha filha para ver a reportagem na TV. Conversamos, pergunto se ela já presenciou algo parecido na escola, e digo sempre que todos têm o direito de reconhecer quando estão errados e se tornar pessoas melhores."
Thais Freitas, mãe de Maria Clara, 9

"Acho que meu filho ainda é muito novo para entender algumas coisas. Mas sempre damos o exemplo e reforçamos muito que todos são iguais e devem ser tratados da mesma maneira. Também mostramos livros, desenhos e brinquedos que tenham diferentes raças e etnias representadas."
Natália Poncio, mãe de Rafael, 3 anos, e grávida de Gabriel

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