Possibilidades e limites

Autor: Redação Senac Setor 3 Data da postagem: 13:48 07/10/2019 Visualizacões: 320
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Seminário celebra os 25 anos de trajetória da Ação Educativa e do Instituto Socioambiental / Imagem: Divulgação - Reprodução - Senac Setor 3

Painel de abertura do Seminário Organizações da Sociedade Civil e Democracia no Brasil

A retomada dos principais marcos de defesa dos direitos humanos da história recente da democracia brasileira com a participação ativa da Ação Educativa e Instituto Socioambiental (ISA) foi eixo central da abertura do Seminário Organizações da Sociedade Civil e Democracia no Brasil, na tarde de terça-feira (01/10), no auditório do Sesc Consolação. O evento celebrou os 25 anos dessas duas organizações.

Com o tema O papel das Organizações da Sociedade Civil na constituição de direitos: limites e possibilidades, a palestra percorreu os principais acontecimentos nos últimos anos na área de direitos humanos e contou com Cida Bento, diretora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), como conferencista, Vera Masagão, presidenta da Ação Educativa, e Adriana Ramos, coordenadora do Programa de Política e Direito Socioambiental (PPDS) do Instituto Socioambiental (ISA).

Cida abriu o painel falando do atual momento político e como as organizações da sociedade civil estão cada vez mais importantes para defender direitos educativos, culturais e sociais. Ela atenta o movimento do governo federal para ações de privatização do patrimônio e isso pode impactar diretamente no aumento da pobreza.

A coordenadora do CEERT destacou três pontos: 1º) a necessidade de reconhecer a naturalização da escravidão e presente nos últimos anos heranças concretas ente negros, brancos, indígenas, mulheres e idosos; 2º) outra herança importante foi que as mulheres foram fundamentais para os lugares onde estão hoje; 3º) como trabalhar com uma resposta mais imediata, uma proximidade conjunta e coletiva dos grupos e organizações da sociedade civil.

“Nunca houveram tantos jovens negros formados pelas universidades. Eles cresceram e isso vai ter um impacto direto nas políticas públicas. É momento de retomar essas nossas conquistas. Essa fé que nos empurrou nessa caminhada”, afirma a diretora da CEERT, que ainda questiona como as organizações podem combinar e identificar possíveis alinhamentos de ações conjuntas.

Adriana Ramos comentou que sua situação militar em tempos de militarismo. Com 24 anos de atuação dentro do ISA, ela não se surpreende com a postura anti-indígena com a atual gestão do governo federal. “Hoje já vejo a capacidade de conseguir construir alianças com a cabeça erguida e contribuir para dar muita visibilidade”, refletiu.

A coordenadora do ISA ainda comentou que desde sempre houve uma visão elitista predominante de desvalorização dos povos tradicionais. Ela levantou várias conquistas da organiza durante os 25 anos: Rede de Sementes do Xingu, contribuição com o acampamento Terra Livre de movimentos sociais, decreto de titulação das terras quilombolas no Supremo, construção da visão de Amazônia na Aliança de organizações da PAN Amazônia- movimento emergencial para melhorias ao povo Yanomami, entre outros.

Adriana se diz confortável em atuar dentro de uma organização que permite militar sem medo. “Com esses últimos acontecimentos, a gente precisa afetar o momento com união e apostando na juventude”, defendeu e disse que a jovem Paloma Costa Oliveira, 27 anos, que abriu a Cúpula do Clima em Nova York (EUA) foi estagiária no ISA, veja notícia aqui no link: https://bit.ly/2nhs7QV

Vera ainda ressaltou que pautas mais conservadoras não estão acontecendo somente no Brasil. E em grande parte os grandes avanços na área social, incomodaram as classes mais conservadores da sociedade brasileira.

A presidenta da Ação Educativa refletiu o termo de ONG, que surgiu na década de 1950 na constituição da ONU e resolveram abrir espaço para falar com o público. “Sempre tivemos organizações diversas. Nunca tivemos esse nome”, afirmou.

Também tinha criminalização das ONGs. “Antes, as entidades eram reconhecidas como ONGs, financiado pela Comunidade Europeia. A partir da ECO 92, as organizações ficaram mais conhecidas”, disse.

Vera ainda compartilhou que, após a vitória de Jair Bolsonaro, ocorreu uma reunião sobre os riscos e impactos dessa gestão com cerca de 40 pessoas atuantes de movimentos e organizações que estavam preocupadas com o encolhimento dos espaços de participação, rompimento de parcerias, redução de verbas, ameaça da democracia, força repressiva, restrição de produção de mídia, produção artística, enfraquecimento de órgãos públicos e minorias e promotoras da diversidade.

A representante da Ação Educativa ainda levantou oportunidades para alianças e articulações em rede, como falar com o cidadão comum, como engajar novos doadores e renovação de estratégias e retomada no trabalho. “Precisamos abrir novos olhos para além do executivo federal”.

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