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Dia da Consciência Negra: Luta, choro e celebração.

Autor: Giselle dos Anjos Santos – Atua no CEERT, é Historiadora (PUC-SP), Mestra em Relações de Gênero e Te Data da postagem: 15:53 20/11/2020 Visualizacões: 140
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Mão negra fechada em sinal de protesto

O Dia da Consciência Negra, que marca o aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, é uma data que nos remete ao histórico de lutas e resistência da população negra no Brasil. E neste ano em especial, nos obriga a refletir sobre os retrocessos e avanços da nossa luta ancestral.  

Em uma sociedade onde o racismo possui um caráter estrutural, a nossa “consciência negra” é uma arma potente em defesa da nossa preservação coletiva e individual. Pois, como já disse, Conceição Evaristo, se “Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer”. 

Não sucumbir à violência racial já representa, por si só, um grande desafio em um país que mata um George Floyd a cada 23 minutos. Inclusive, na véspera deste 20 de novembro de 2020, o Brasil produziu mais duas mortes emblemáticas: o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro espancado até a morte por seguranças do supermercado Carrefour em Porto Alegre; e o feminicídio de Leila Arruda, mulher negra, candidata à prefeita na cidade de Curralinho no Pará. 

Casos como esses reforçam que a pauta de combate ao racismo é extremamente necessária. Até porque, o nosso combinado sobre “não morrer”, não significa apenas nos mantermos vivas e vivos, simboliza mais do que isto. O exercício diário da nossa consciência racial também diz respeito à desconstrução e a reconstrução da nossa identidade; a valorização da nossa ancestralidade, cultura e história. Bem como, o cuidado com a nossa saúde mental, que é diariamente afetada pelo racismo.  

Por isso mesmo, que além de ponderarmos sobre os inúmeros retrocessos políticos e as perdas imensuráveis produzidas pelo genocídio, também precisamos celebrar nossas conquistas, valorizar cada passo dado, ainda que tenhamos muito para avançar na luta pela equidade racial. Enquanto frutos da atuação dos movimentos negros e do movimento de mulheres negras, estamos assistindo o crescimento da visibilidade e projeção pública das nossas vozes e reivindicações políticas; o aumento considerável de candidaturas negras nas duas últimas eleições, entre outras conquistas. 

Ademais, o ano de 2020 já é muito especial por marcar o aniversário de 30 anos de Centro Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), que atua arduamente pela promoção da equidade de raça e gênero no Brasil; além do aniversário de 5 anos da Marcha das Mulheres Negras 2015 - Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, que representa um marco na história da nossa atuação política. 

Ou seja, neste Dia da Consciência Negra de 2020, choramos e celebramos, para demarcar que seguimos em frente, de maneira altiva na nossa luta pela construção de uma sociedade mais justa, tal como nos ensinaram Zumbi dos Palmares e Tereza de Benguela. 

Seguimos Avante!  

 

 

 

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