Desafios e possibilidades para a Promoção da Igualdade Racial na Educação

Autor: Cida Bento Data da postagem: 09:23 19/10/2015 Visualizacões: 3891
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Fotos: Fridas Photos e Vídeos

Professores e gestores de todo o Brasil encontram-se em São Paulo, desde 13 de outubro, participando de oficinas em que podem trocar experiências a partir das práticas pedagógicas e de gestão que desenvolveram, buscando contribuir para a institucionalização da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional alterada pela lei 10.639/03.

Estas práticas são as finalistas e premiadas da 7ª edição do Prêmio “Educar para a Igualdade racial e de gênero”, que contou com 643 inscrições de 24 estados brasileiros, e que objetiva mapear, fortalecer e disseminar boas práticas pedagógicas e de gestão escolar no campo da igualdade racial com o objetivo de incidir sobre políticas públicas educacionais . O Prêmio retrata o esforço de educadores de diferentes partes do Brasil, e traz em si as limitações e possibilidades que caracterizam o estado da arte da institucionalização da LDB alterada pela lei 10.639/03, hoje no Brasil.

Em sua maioria, o grupo é composto por educadoras e gestoras negras que, envolvendo seus pares de diferentes disciplinas, protagonizaram ricas experiências de promoção da igualdade racial em todos os níveis da educação básica.

Trabalhos que buscam recuperar e valorizar a trajetória, a memória e as lutas da população negra em diferentes localidades do país, encontram expressão na Arte, Matemática, Geografia, História, incluindo a realização de revistas, livros, roupas, peças teatrais, brinquedos que expressam a riqueza da contribuição negra à sociedade brasileira. Flash Mob, Hip Hop e outras expressões que dialogam com os adolescentes aparecem lado a lado com experiências que envolvem o Tambor de Criola ou o Bumba Meu Boi.

Pesquisas sobre músicas e danças infantis de países africanos, sobre palavras de origem africanas, sobre brincadeiras e brinquedos antigos apresentados pelas pessoas mais velhas da localidade são elementos que surgem como pontos fortes das iniciativas, algumas delas persistindo e sendo aprimoradas ao longo de 4 ou 5 anos.

A identidade coletiva como elemento político que delimita fronteiras e fortalece a luta por direitos é tão presente e significativa nas iniciativas quanto a identidade pessoal e individual que remete à corporeidade, à autoestima, ao sentimento de bem-estar e de pertença. Isto se torna ainda mais evidente nas experiências pedagógicas e de gestão escolar concernentes à educação escolar quilombola.

As dificuldades apontadas pelos professores não são poucas e vão desde a ausência de materiais qualificados e de processos de formação à ignorância sobre a arte africana, demonizada por alguns segmentos religiosos que obstaculizam o avanço do trabalho.

De longe, o tema mais difícil enfrentado pelo CEERT e seus parceiros nesta 7ª edição foi a categoria de gênero interseccionada com raça. As dificuldades apresentadas por diversos programas brasileiros de diferentes áreas que envolvem a dimensão gênero e raça apareceram também na maioria das experiências inscritas no Prêmio: gênero apareceu dissociado ou com baixa interseção com raça. Isto sinaliza a grande dificuldade de se trabalhar especificamente com a realidade das mulheres negras.  Assim, o grande desafio que se coloca para o Prêmio é aperfeiçoar o trabalho com a categoria gênero, buscando explorar as possibilidades de interseção com raça, nos diferentes níveis educacionais, bem como evidencia a importância de incidirmos no campo das políticas públicas construindo as diretrizes curriculares nacionais para a categoria gênero.

Por fim, vale assinalar a forte presença das famílias e da comunidade local no desenvolvimento das experiências mais interessantes. Professoras e gestoras destacam como impacto do trabalho coletivo realizado a diminuição da evasão escolar, a melhoria no IDEB da escola, a constatação de que crianças e adolescentes estão mais comunicativos e com a auto estima fortalecida.

Tratam-se de elementos significativos para a compreensão dos desafios concretos envolvidos no esforço de implementação por educadores e gestores públicos da LDB alterada pela Lei 10.639/03, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, além das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola.

Oficina: A Promoção da Igualdade Étnico-Racial na Educação


Apresentação Salloma Salomão

 

Noite da Premiação

 

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