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7 frases que devemos parar de falar para acabar com o racismo

Autor: Marcus Vinicius Beck Data da postagem: 14:00 16/09/2016 Visualizacões: 7632
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Imagem extraída de Ultra Curioso

No Brasil, o racismo está presente desde o período da colonização. Quando os portugueses desembarcaram por aqui, em 1500, houve catequização de índios e milhares de negros foram submetidos ao trabalho escravo. Hoje, a discriminação racial é ligada a disparidade socioeconômica e faz com que os negros não tenham as mesmas chances que os brancos, além de serem submetidos a violência por parte do estado e da população preconceituosa.

O governo empregou vários programas que tentaram apaziguar a discrepância de renda entre brancos e negros, com as cotas públicas e inúmeros outros programas sociais que visam a igualdade racial no Brasil. Recentemente o Brasil também passou a considerar que a injúria racial é crime inafiançável, mas ainda temos muito o que progredir.

No Brasil o que existe agora é um racismo velado, que não aparece em público e sim nos pequenos detalhes, como em uma conversa informal com os amigos, na abordagem policial e nas diferenças sutis com as quais negros e brancos são tratados na nossa sociedade.  O Ultra Curioso preparou para você que não quer mais ser racista uma lista com as 7 frases que devemos parar de falar para acabar com o racismo. Confira:

1 – Serviço de preto

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Além de ser repleta de ambiguidades, essa frase faz um ode ao racismo. Para a doutora em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), os negros não disputavam com os brancos acessos aos bens públicos, mas isso mudou de uns tempos para cá. “Desde que as lutas dos movimentos sociais negros produziram certas conquistas, um alto percentual de brancos passaram a se sentir ameaçados”, afirma a psicóloga.

2 – Não sou tuas negas

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Usada com frequência, a expressão podia ser mudada para “comigo não”. No Brasil, o racismo é ligado à desigualdade social e os negros possuem menor nível de instrução. No início do Brasil Sem Miséria, programa criado em 2011, o Ministério de Combate à Fome e Desenvolvimento Social almejava incluir aproximadamente 16 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza. Dois anos depois, em 2013, uma pesquisa mostrou que as pessoas mais atingidas pelas políticas de transferência de renda eram de pele escura.

3 – Cabelo Ruim

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Com certeza, essa frase você já deve ter ouvido alguma vez. A pele escura, no entanto, tem suas características. O cabelo cacheado é constantemente maquiado pelas mulheres, que possuem vergonha de exibi-lo. Nas faculdades, por exemplo, é possível notar que elas o cortam para parecer como as mulheres de pele branca.

4 –  Da cor do pecado

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Também cheia de conotação racistas, essa frase é utilizada por mulheres para elogiar uma mulher bonita de pele negra. Mas, habitualmente, esquece-se de que se ela tiver a pele “da cor do pecado” não significa que o homem será induzido a pecar. Aonde ficar o desejo do sujeito?

5 – Só podia ser negro

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Falada aos borbotões em determinadas localidades do Brasil, a frase carrega um quê odioso e racista. Em 1933, o sociólogo Gilberto Freyre conceituou o termo “democracia racial”. Freyre acreditava que o Brasil vivia num mito de que não havia racismo, onde os negros não têm espaço na esfera pública. Em artigo, o antropólogo Roberto da Matta parafraseou Florestan Fernandes: “o preconceito de ter preconceito”. Ser negro, neste País, carrega conceitos racistas.

6 – Cotas raciais estimulam o racismo

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As cotas sociais foram implantadas, pela primeira vez, nos EUA, na década de 1960. No Brasil, as cotas ganharam visibilidade a partir dos 2000, quando universidades e órgãos públicos começaram a utilizá-la em vestibulares e concursos. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) foi a primeira instituição a aderir ao sistema de cotas, em 2003, por meio de lei aprovada em 2001. Segundo o site Brasil.gov, entre 2013 e 2015 cerca de 150 mil estudantes negros entraram no ensino superior, por meio de cotas.

7 – Negro tem que sofrer mesmo

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O IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) analisou, entre 1996 e 2010, que pessoas que foram vítimas de violência pertenciam as classes econômicas baixas e eram negros. Alagoas é o estado onde a diferença entre negros e não negros é mais acentuada. No Estado, morreram assassinados 17,4 negros para vítimas de outra cor. Já Paraíba e Espírito Santos são recorde negativo no ranking do IPEA com, respectivamente, 65 e 60 homicídios de negros a cada 100 mil habitantes (no Espírito Santo os assassinatos diminuem a expectativa de vida dos homens negros em 2,97 anos; na Paraíba, em 2,81 anos).

O racismo está impregnado no Brasil, e quase ninguém percebe. Mas pesquisas apontam que o país ainda sofre com a violência destinada aos negros. E aí, você vai deixar de falar essas frases?

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