Dados mostram a desigualdade entre negros e brancos no Paraná

Autor: Franciele Petry Schramm e Júlia Rohden Data da postagem: 13:00 03/11/2017 Visualizacões: 674
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Ao mesmo tempo em que tem menos renda que as pessoas brancas, os negros também são as maiores vítimas da violência policia / Foto: Arquivo pessoal - Juliana Lino - Brasil de Fato

Durante todo o mês de novembro, o Brasil de Fato Paraná vai publicar conteúdos sobre a questão racial

Apesar de mais da metade dos habitantes do país ser negra – 54% da população, segundo o IBGE – são os brancos que ocupam as maiores parcelas nos índices econômicos e sociais. Nos últimos anos, houve importantes avanços que diminuíram as diferenças em diferentes áreas. Segundo dados do IBGE, o percentual de negros no nível superior mais que dobrou entre 2005 e 2015.

Programas sociais como o Programa Universidade para todos (Prouni) e a política de inclusão racial que destina parte das vagas dos vestibulares para negros contribuíram para esse resultado. Mesmo assim, ainda há muito a avançar: apenas 12,5% das pessoas negras cursam alguma faculdade, enquanto 26,5% dos brancos chegam ao nível superior.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com a Fundação João Pinheiro (FJP) o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado em maio deste ano, aponta que a renda familiar média das pessoas negras é menos do que a metade da renda de pessoas brancas. Enquanto os brancos têm um índice de R$ 1.097,00 por pessoa, a renda de negros é estimada em R$ 508,90.

Durante todo o mês de novembro, você poderá conferir conteúdos especiais que denunciam aspectos que acentuam essa desigualdade ou que destacam a importância da população negra no desenvolvimento do estado do Paraná

6,9% dos vereadores eleitos no Paraná são negros

6,5% dos prefeitos eleitos no Paraná são negros

19,9% dos candidatos ao cargo de prefeitos e vereadores no Paraná são negros

E as diferenças não param por aí: ao mesmo tempo em que tem menos renda que as pessoas brancas, os negros também são as maiores vítimas da violência policial. No Paraná, onde quase 4 milhões de pessoas são negras, o cenário não é muito diferente: apesar de serem uma parcela menor da população, os dados são altos no que se refere a violações, e baixos no quesito representatividade. Algumas das situações que evidenciam essa disparidade são trazidas no material abaixo.

“Esses dados ajudam a explicar que o racismo ainda permanece muito presente no cotidiano da população negra. Existem muitos mais profissionais com nível superior na população branca do que na negra. Mas mesmo os negros que concluíram a graduação têm mais dificuldade de inserção no mercado de trabalho do que uma pessoa branca que tenha a mesma formação. Isso por causa do que chamamos de “racismo institucional”. As pessoas nem percebem, mas fazem escolhas a partir da raça. É isso também o que acontece com a violência que acomete a juventude – nossos jovens negros morrem muito mais do que nossos jovens brancos”.

Lucimar Rosa Dias, Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade Federal do Paraná

“A democracia real tem que ser entendida como a possibilidade de os cidadãos exercerem seus direitos e deveres. Mas para população negra do Brasil isso ainda está distante de ser concretizado. Entre aqueles que constituem o grupo dos 10% mais pobres com renda de 130 reais por pessoa, da família, a população negra segue sendo majoritária. E as atuais políticas de corte dos programas sociais vão impactar ainda mais a população negra, principalmente as mulheres negras. Das 14 milhões de famílias que são beneficiadas pelo Bolsa Família, 73% são negros, e 68% delas são chefiadas por mulheres negras, por exemplo”.

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