Quem mandou matar Marielle? Quem matou Marielle e Anderson?

Autor: Marcha das Mulheres Negras de São Paulo Data da postagem: 10:25 13/03/2019 Visualizacões: 288
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Quem mandou matar Marielle? Quem matou Marielle e Anderson? / Imagem: Divulgação

Por nós, por todas nós, contra o racismo e a violência, pelo Bem Viver, exigimos saber: Quem mandou matar Marielle? Quem matou Marielle e Anderson?

Neste 14 de março nós da Marcha de Mulheres Negras de São Paulo voltamos às ruas porque não descansaremos enquanto o Estado brasileiro não responder quem mandou matar Marielle e quem matou Marielle e o motorista Anderson Gomes, que dirigia o carro naquela fatídica noite.

Gritamos por Marielle porque ela era cada uma de nós. Era a voz de cada uma de nós. Negra, favelada, mãe solo, bissexual, mestra, vereadora, potência ancestral. Herdeira legítima de Acotirene, de Aqualtune, de Dandara dos Palmares, de Luiza Mahin, de Tereza de Benguela e de cada uma das sequestradas de África ou escravizadas aqui que resistiram, sublevaram, insurgiram e não se deixaram calar.

A execução de Marielle escancarou a guerra permanente do Estado brasileiro contra nossas irmãs indígenas e negras.

Choramos e exigimos justiça para Marielle Franco;
- Cláudia da Silva - baleada e arrastada por uma viatura da PM em 2014, no Rio de Janeiro;
- Letícia Hildebrand - vítima da chacina de Osasco e Barueri, aos 15 anos de idade, em 2015;
- Francisca das Chagas - líder quilombola violentada e morta no Maranhão em 2015;
- Luana Barbosa dos Reis - espancada e morta por PMs em Ribeirão Preto, em 2016;
- Katiane Campos - mulher negra lésbica violentada e incinerada em Brasília, também em 2016, e ignorada pela midia;
- Maria Eduarda Alves - assassinada pela PM do Rio de Janeiro aos 13 anos, com um tiro de fuzil, dentro da escola, na mesma Maré onde Marielle nasceu e se criou, em 2017;
- Mariza Nóbrega - morta a coronhadas de fuzil por um agente do BOPE na Cidade de Deus/RJ por defender o filho de um baculejo, também em 2017;
- Dandara dos Santos - mulher trans apedrejada e morta a tiros em Fortaleza, em 2017, por homens que ainda gravaram e divulgaram seu martírio;
- Raphaelly Vitória - morta ao nascer, aos 7 meses de gestação, vítima do descaso com centenas de mulheres negras que ficaram dias abandonadas no Largo do Paissandu após a queda da Torre de Vidro, em 2018;
- Selma Almeida da Silva, vítima junto com seus dois filhos gêmeos também no desabamento da Torre de Vidro;
- Priscila - travesti assassinada aos gritos de 'Bolsonaro presidente' no Largo do Arouche em 2018;
- Jennifer Gomes, 11 anos, vítima de mais uma bala de fuzil da intervenção militar tão denunciada por Marielle, em Triagem, em fevereiro deste ano no Rio de Janeiro; e todas as mulheres e meninas negras vítimas desse Estado genocida.

Com cada uma delas presente e semente, nós que derrubamos a escravidão e a ditadura empresarial-militar seguimos resistindo. Nós que fizemos a casa grande surtar quando nós ou nossos filhos fomos à universidade para estudar e não somente para limpar, ou porque as patroas não podem mais nos tratar como as sinhás trataram nossas avós. Nós que com cada vez mais orgulho e altivez ostentamos nossos turbantes e blacks - nossas côroas - e batemos cada vez mais alto nossos tambores para reverenciar os orixás. Nós que vamos derrotar os jagunços armados pelo decreto de um governo parido de um golpe a serviço do agronegócio internacionalizado para tomar as terras indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Nós que vamos resistir a que nos tirem os poucos direitos que conquistamos com o suor e sangue do nosso povo.

Como Marielle afirmou no plenário da Alerj: Não seremos interrompidas! Pois somos porque cada uma de nós é!

Marielle vive!
Marielle presente!
Marielle semente!

Texto: Marcha das Mulheres Negras de São Paulo

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