Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial: população negra é a que mais sofre com a pandemia

Autor: Bruna Ribeiro Data da postagem: 06:00 21/03/2021 Visualizacões: 374
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Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial: população negra é a que mais sofre com a pandemia/Imagem: Depositphotos

O Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março, ganha novos contornos durante a pior fase da crise do coronavírus no Brasil. “Onde estão as estatísticas sobre os negros nos dados apresentados da pandemia?”, pergunta Mário Rogério, um dos diretores do CEERT.

Segundo o diretor, também sociólogo e especialista na análise de dados, é comum haver a divulgação de números sobre região, idade, sexo, comorbidades, mas praticamente nada sobre raça, que tem sua coleta obrigatória por lei (Portaria nº 344 do Ministério da Saúde). “Se não temos dados para informar a população que as famílias negras estão enfrentando barreiras e desigualdades, as pessoas não irão enxergar e nem ajudar a remover essas barreiras”, disse.

Apesar da falta de dados, já sabemos que o impacto da pandemia sobre a população negra no Brasil é desproporcional e alarmante, tendo uma taxa de letalidade maior que as pessoas brancas.

“O que assistimos é o genocídio das famílias negras, ora pela violência policial, ora pela maior letalidade da Covid em pessoas que residem em moradias de baixa renda, pouco ventiladas e sem acesso aos serviços de saneamento. É uma população que tem o dobro do risco de contrair a Covid e que não pode ficar protegida em isolamento, por atuar majoritariamente nos serviços essenciais”, completou Mário Rogério.

No ano de 2020, atingimos a taxa média de desemprego de 13,5% - a maior taxa de desocupação desde 2012, persistindo e ampliando as desigualdades raciais. Para o especialista, evidenciou-se um verdadeiro abismo entre os grupos.

“A taxa média de desemprego das mulheres negras atingiu 19,2%, enquanto a taxa média de desemprego do homem branco atingiu apenas 9,7%. Mulheres negras em sua maioria são chefes de família e garantem a renda principal da família”, disse.

Além disso, a desigualdade chegou também na vacinação. Conforme publicado pela agência Globo no dia 21 de fevereiro, apenas 19% dos vacinados são negros. “É importante lembrar que somos 56% da população brasileira. O grupo mais vulnerável à doença é o grupo com menor acesso as vacinas”, apontou Mário Rogério.

Diante disso tudo, a constatação é que temos a população mais vulnerável da pandemia, desempregada, sem recurso, vivendo de forma precária, passando fome e com baixo acesso à vacinação.

“Precisamos encontrar caminhos para superar esta realidade. Apoiem o CEERT na campanha Periferia sem covid: vidas negras importam!. Nos ajudem a entregar vale alimentação para o povo negro. Chega de desigualdades!”, convidou Mário Rogério.

Periferia sem Covid

Lançado em 2020, o projeto Periferia sem covid: vidas negras importam! visa combater o impacto da covid-19 sobre a população negra, juntamente com organizações parceiras. A ideia é contribuir com famílias localizadas na Brasilândia, um dos bairros mais afetados pela pandemia, bem como outros bairros periféricos em seu entorno.

Nos próximos dias, serão entregues 200 cartões de alimentação na região, mas precisamos ampliar as nossas ações. O projeto desempenha também um papel simbólico, uma vez que a alimentação possui significado especial na cultura africana. Participe também dessa corrente!

 

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