Chamada Pública: ReIntegrar com equidade de raça e gênero para egressos do sistema carcerário ACESSAR

Dia Internacional da Erradicação da Pobreza: no Brasil a pobreza tem cor e gênero

Autor: Bruna Ribeiro Data da postagem: 08:00 17/10/2021 Visualizacões: 417
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
Dia Internacional da Erradicação da Pobreza: no Brasil a pobreza tem cor e gênero/Imagem: DepositPhotos

Os dados relacionados ao agravamento da pobreza e da fome na pandemia do coronavírus são alarmantes. Neste 17 de outubro, Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, vale lembrar que o coronavírus trouxe também uma grave crise humanitária. Em tempos de pandemia, as desigualdades raciais se aprofundaram e o aumento dos níveis de pobreza da população negra confirma esta constatação.

Segundo Mario Rogério, diretor do CEERT, mais da metade da população em idade de trabalhar ficou desempregada. “O nível de pessoas desempregadas no segundo trimestre de 2021 atingiu 50,4%, retratando fielmente o impacto da pandemia nas famílias negras, onde a taxa de desocupação foi 40% maior do que entre pessoas brancas. Além disso, a taxa de desocupação das mulheres negras (20,1%) foi mais que o dobro da taxa dos homens brancos (9,7%)”, explica.

Ainda de acordo com o diretor, em nosso país fica evidente que a pobreza tem cor e gênero. “Os desafios precisam ser superados. Precisamos de empresas mais diversas atuando na eliminação do racismo e do preconceito e de uma cidade que ofereça serviços com equidade onde a população pobre encontre serviços de qualidade com facilidade de acesso”, completa.

Fome

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de um décimo da população global – até 811 milhões de pessoas – enfrentaram a fome em 2020. O número foi divulgado no documento “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo(The State of Food Security and Nutrition in the World – disponível em inglês), publicado em julho de 2021. 

No Brasil, a situação também preocupa. Segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid, no final de 2020, 55,2% da população brasileira sofreu alguma ameaça ao direito aos alimentos, ou seja, não tinha certeza se haveria comida suficiente em casa no dia seguinte. 

O levantamento foi realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) e revelou também que 9% da população vivenciou insegurança alimentar grave, isso significa que essas pessoas passaram fome. 

“Estamos vivendo uma grave crise humanitária causada pela pandemia do novo coronavírus,  e a população negra, principais vítimas de violações de direitos no Brasil, está sendo a mais impactada”, disse Sara Branco, consultora do CEERT.

Na avaliação de Sara, com a ausência de políticas públicas eficazes para a redução das desigualdades, como um auxílio emergencial à altura do problema, a sociedade civil precisa se mobilizar e protestar em apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Impacto na população negra

De acordo com um estudo divulgado pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), enquanto 55% de negros morreram por covid, a proporção entre brancos foi de 38%.

Já uma pesquisa do Instituto Pólis revelou que a taxa de óbitos por covid-19 entre negros na capital paulista foi de 172/100 mil habitantes, enquanto para brancos foi de 115 óbitos/100 mil habitantes. A desigualdade no acesso ao tratamento é um dos motivos, de acordo com os estudos.

Uma reportagem da Agência Pública, publicada em março de 2021, também mostrou que a desigualdade se reflete na vacinação, pois o Brasil registrava duas vezes mais pessoas brancas vacinadas do que negras.

Tem Gente com Fome

Desde o início da pandemia, o CEERT tem realizado diversas ações visando a proteção da população negra durante a crise humanitária. Uma delas é a campanha Tem Gente com Fome - campanha nacional que visa a arrecadação de fundos emergenciais de enfrentamento à fome, à miséria e à violência na pandemia do coronavírus.

A iniciativa é realizada pela Coalizão Negra Por Direitos, da qual o CEERT faz parte, em parceria com a Anistia Internacional, Oxfam Brasil, Redes da Maré, Ação Brasileira de Combate às Desigualdades, 342 Artes, Nossas - Rede de Ativismo, Instituto Ethos, Orgânico Solidário e Grupo Prerrô.

Foram mapeadas 222.895 famílias em situação de vulnerabilidade, que estão recebendo as doações em pontos físicos onde estão as organizações que compõem a Coalizão Negra por todo o Brasil. Até agora, o valor arrecadado já chegou a mais de 16 milhões de reais.  

Periferia sem Covid

Além de participar da campanha Tem Gente com Fome, o CEERT desenvolve o projeto Periferia sem covid: vidas negras importam!, desde o início da crise humanitária em 2020, juntamente com organizações parceiras.

A ideia é combater o impacto da covid-19 sobre a população negra, contribuindo com famílias localizadas na Brasilândia, um dos bairros mais afetados pela pandemia na capital paulista, bem como outros bairros periféricos em seu entorno.

Participe dessa corrente e faça sua doação!

Para doar: https://ceert.org.br/doar

 

Curta a nóticia:
Curta o CEERT: