Dos reeducandos que participam de projeto, 75% não retornam ao crime

Autor: Berto Batalha Machado Carvalho Data da postagem: 17:00 09/09/2016 Visualizacões: 1073
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Reeducandos pedem oportunidade para que possam recomeçar a vida após a prisão (Foto: Rodrigo Sales)

Reeducandos fazem atividades administrativas e de infraestrutura na UFRR, como serviços gerais, construção civil e portaria

A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), realizou na manhã de terça-feira, 06, um evento alusivo à comemoração de um ano da renovação do Projeto João-de-Barro. Na ocasião, a coordenação do programa de ressocialização do sistema prisional informou que 75% dos reeducandos que participam da ação não retornam à criminalidade.

O evento aconteceu no auditório Alexandre Borges, no Campus Paricarana da UFRR, e contou com a presença de representantes da própria instituição de ensino, da Sejuc, da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Roraima (OAB-RR).

De acordo com o adjunto da Sejuc, Francisco Castro, o projeto é orgulho para a instituição. “Podemos notar os benefícios quando vemos a mudança de comportamento e conduta dos reeducandos. Então, é um programa essencial na luta contra o crime organizado no Estado”, afirmou.

O coordenador operacional do programa João-de-Barro, Nonato Lopes, disse que o projeto é realizado desde 2004, mas o convênio com a UFRR terminou em 2015. “Agora estamos comemorando um ano do novo acordo com a instituição de ensino superior, que sempre apoiou a causa”.

Segundo ele, a iniciativa oportuniza a ressocialização de apenados dos regimes aberto e semiaberto do sistema penitenciário. “Durante todos esses anos, mais de 400 pessoas já participaram do programa. Estudos científicos mostram que 75% dos apenados não retornaram à criminalidade. Estamos muito felizes com o resultado e com a sequência do trabalho”, comentou.

O novo acordo entre Sejuc e UFRR proporcionou mais benefícios aos participantes do projeto. Além da redução da pena, eles passaram a ter acesso a cursos de capacitação, palestras e treinamentos em áreas específicas e operacionais. “Atualmente, 20 reeducandos estão envolvidos. O interesse deles mostra que estamos alcançando o objetivo, que é capacitá-los para o mercado de trabalho. Além dos cursos e palestras, eles recebem uma bolsa da Universidade Federal no valor de R$ 650,00”, acrescentou Lopes.

Na UFRR, os reeducandos realizam atividades administrativas e de infraestrutura, como serviços gerais, manutenção em equipamentos, construção civil e portaria. Para o reitor da instituição, Jefferson Fernandes, quem ganha com as ações é a própria sociedade. “Quanto mais o projeto tem sucesso, maiores serão os benefícios à sociedade. Todos nós merecemos oportunidade para aprender, independente da nossa condição social. Ou seja, precisamos respeitar o próximo, pois todos têm direito a cidadania”, ressaltou.

Conforme o presidente da OAB-RR, Rodolpho Morais, novos projetos estão a caminho. “Estamos estudando a ideia de contratar apenados para que possam desenvolver atividades administrativas nas salas da Ordem, que serão instaladas junto às unidades prisionais. É muito importante que desenvolvamos esse tipo de ação para incentivar a contração dessas pessoas, que têm interesse e merecem oportunidades”, afirmou.

O reeducando Ribamar Alves, que está no projeto há quase dois anos, frisou que o programa é uma grande oportunidade. “Depois que eu me envolvi com o tráfico de drogas, as coisas ficaram muito difíceis. O projeto abriu as portas e estou muito feliz com isso. Quando eu sair, espero que as pessoas me vejam de outra maneira e que tenhamos a oportunidade para crescer e ser alguém. Temos famílias e precisamos sustentar. Que as pessoas acreditem no nosso potencial”, frisou. (B.B)

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