O Programa Prosseguir e a importância da Ação Afirmativa - em São Paulo e Salvador. Confira!

Autor: Leonardo Fabri Data da postagem: 14:40 20/04/2019 Visualizacões: 1866
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Mário Rogério (CEERT), Edilze Sotero (UFBA) e os bolsistas de Salvador

A discussão sobre ações afirmativas, com especial destaque para a política de reserva de vagas em universidades, acompanha em sua gênese um debate mais profundo: quais grupos gozam do status de cidadãos de direito no Brasil. Guimarães (1995) vale-se da nomenclatura preto-branco para territorializar a distância entre privilégios, direitos e privações que marcam a dicotômica relação entre pretos e brancos em nosso país. Em outras palavras, parte-se da constatação de que brancos e negros não acessam as oportunidades de forma equitativa e igualitária, sendo que o acesso à educação não foge à regra. O espaço acadêmico é, atualmente onde esta realidade se expressa com maior intensidade.

Em nosso país, o termo “Ação Afirmativa” ainda não se faz presente na vida de boa parte dos brasileiros, seja na sua gênese, seja em suas diversas maneiras de interpretação. De acordo com Dayane Brito Reis (2007; apud: LOPES; BRAGA, 2007), existiria no Brasil uma “cegueira racial que impede, ou dificulta, uma discussão profunda sobre as relações raciais brasileiras e, mais que isso, inibe ou tenta impedir a implementação de políticas públicas com base na raça”. Essa situação tende a se agravar se não temos um sólido campo de discussão sobre as ações afirmativas na produção de saber científico, uma vez que o antirracismo que surgiu no Brasil, curiosamente, consistia em não falar em raça para evitar qualquer problema racial. Dessa maneira, denunciar o racismo e propor políticas sensíveis à raça é um grande desafio posto neste país.

O Programa Prosseguir surge a partir de reflexões dessa natureza. Após protagonizarmos algumas conquistas nos últimos anos, dentre elas a reserva de vagas para afro-brasileiros nos bancos universitários, surgiu um questionamento ainda mais profícuo: como garantir a manutenção desses estudantes na universidade, uma vez que os mesmos enfrentam dificuldades raciais e sociais não partilhadas pelos seus pares brancos? Dificuldades essas que afetam a sua permanência e a qualidade de sua vivência acadêmica.

Hoje, no dia 20 de abril de 2019, recebemos nossos bolsistas para refletir sobre alguns desses pontos supracitados, em São Paulo e em Salvador.

Na capital paulista nosso Diretor de Projetos, Daniel Teixeira, conduziu o processo. Daniel é advogado formado pela PUC-SP, especialista em direitos difusos e coletivos, foi pesquisador-visitante da Faculdade de Direito da Universidade de Columbia (Nova Iorque), Fellow do Public Interest Law Institute (Budapeste) e Consultor das Nações Unidas.

Foto: CEERT

Quem também está participando da empreitada paulista do Programa Prosseguir é o Instituto de Oportunidade Social – IOS, fundado em 1998, com a prerrogativa de oferecer acesso à informática para jovens de baixa renda, a partir de programas de capacitação profissional, colaborando ao mesmo tempo para o desenvolvimento educacional de seus alunos. O instituto foi fundado a partir da iniciativa voluntária de colaboradores da empresa Microsiga Software S/A – atual TOTVS.

Foto: CEERT

Já em Salvador, o encontro com os bolsistas foi conduzido por Mário Rogério e Edilza Sotero, com o apoio da UFBA – Universidade Federal da Bahia, que incluiu o Programa Prosseguir em sua grade de extensão. Desse modo, os bolsistas de Salvador terão direito a certificação da universidade para complementação de horas extras curriculares.

Foto: CEERT

Mário Rogério é Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, especialista em classificação racial em pesquisas. É Diretor e Pesquisador do CEERT, coordenando o programa Censo de Diversidade realizado em diversas empresas pela organização.

Edilza Sotero Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (2006), mestrado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (2010) e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (2015) e realizou Pós-Doutorado na Brown University (2015-2016). Atualmente é Professora Adjunta no Departamento de Educação I da Universidade Federal da Bahia. É pesquisadora do Programa A Cor da Bahia - Programa de Pesquisa e Formação sobre Relações Raciais, Cultura e Identidade Negra na Bahia. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em estudos da diáspora africana, estudos afrobrasileiros e de gênero, atuando principalmente nos seguintes temas: identidades raciais, organização política, desigualdades e políticas públicas.

O foco desse encontro foi o tema Relações étnico-raciais no Brasil: um debate sobre o campo da educação e sobre o mercado de trabalho, com dinâmicas em grupo visando refletir sobre o tema proposto e uma provocação: descobrir as dificuldades e necessidades de formação dos estudantes.

Foto: CEERT

O Programa Prosseguir é uma iniciativa do Itaú Unibanco e do CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades. Fiquem atentos as nossas redes para acompanhar essa e outras iniciativas que desenvolvemos em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. 

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