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Edital Equidade Racial na Educação Básica tem o propósito de fortalecer pesquisadores da temática e mapear oportunidades estratégicas

Autor: Bruna Ribeiro Data da postagem: 12:00 26/05/2020 Visualizacões: 2471
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Edital Equidade Racial na Educação Básica tem o propósito de fortalecer pesquisadores da temática e mapear oportunidades estratégicas

O edital selecionará projetos de pesquisa aplicada e premiará artigos científicos. As inscrições estão abertas até o dia 13 de junho.

Lançado em 13 de abril, o Edital Equidade Racial na Educação Básica: Pesquisa Aplicada e Artigo Científico tem como objetivo identificar e apoiar pesquisas aplicadas, bem como premiar artigos que apontem soluções para os desafios da construção da equidade racial na Educação Básica no Brasil. 

As inscrições ficam abertas até o dia 13 de junho. O resultado será divulgado em 15 de setembro e o início do apoio será em outubro de 2020.

Com o propósito de fortalecer coletivos de pesquisa nessa temática e mapear oportunidades estratégicas de atuação, o fomento é uma iniciativa do Itaú Social com realização do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e parceria do Instituto Unibanco, da Fundação Tide Setubal e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). 

Mario Rogerio, diretor do CEERT e coordenador do Censo da Diversidade, respondeu algumas perguntas a respeito do processo de construção do edital. Segundo ele, 15 projetos de pesquisa e nove artigos científicos serão contemplados.

Para a modalidade de projetos de pesquisa, serão destinados R$ 150 mil para cada projeto, além de uma bolsa de R$ 3 mil para o coordenador, durante 18 meses. 

Já os autores dos artigos científicos serão divididos em três categorias. Serão destinados R$ 3 mil para cada um dos dois artigos de graduados, R$ 5 mil para cada um dos dois artigos de mestres e R$ 8 mil para cada um dos dois artigos de doutores. Cada categoria receberá também uma menção honrosa. 

Confira trechos da conversa:

CEERT: Como surgiu a ideia de fazer o edital?

Mario Rogerio: O edital vem de uma proposta do Itaú Social em fevereiro de 2019. O CEERT foi convidado para fazer a coordenação técnica do edital e a proposta seria contemplar duas modalidades: projetos de pesquisa de apoio a coletivos de pesquisadores e produção de artigos científicos.

Nós topamos sabendo que seria um grande desafio, mas também uma grande oportunidade. 

CEERT: E como foi o processo de construção?

Mario Rogerio: O primeiro passo foi pensar em quais seriam as linhas de pesquisa. Por isso realizamos uma pesquisa exploratória para conhecer os trabalhos que estavam sendo realizados no chão da escola.

Esse primeiro levantamento nos trouxe 1.846 estudos. Do total, permaneceram 111 dissertações e teses. Procuramos por pesquisas com foco em equidade racial na educação básica com conexões entre escolas e comunidades. 

A partir da pesquisa, surgiram três grandes linhas: políticas públicas afirmativas e gestão da equidade racial nas secretarias e escolas; perspectivas epistemológicas e processo de aprendizagem e ensino; e aspectos curriculares e abordagens pedagógicas inovadoras. 

CEERT: Essa pesquisa ocorreu em todo o país?

Mario Rogerio:  na busca de uma construção coletiva o CEERT e os parceiros delinearam o escopo do edital. Além disso, consultamos os principais intelectuais que pensam e atuam na equidade racial na educação básica no Brasil.

Em setembro de 2019, realizamos oficinas regionais de escuta no Norte e no Nordeste, além de uma oficina nacional em São Paulo. Em formato de roda de conversa, os encontros foram realizados, visando à construção coletiva do edital.

Participaram especialistas, mestres e doutores das universidades, a exemplo da Universidade Federal do Sul da Bahia – que contribuíram para ampliar o foco em vários temas, entre eles a questão das mulheres negras, da população quilombola, intolerância religiosa e o papel das organizações sociais.

No sul da Bahia, por exemplo, muito se falou a respeito da importância de trabalhar com comunidades quilombolas, além da necessidade de conectar os projetos à realidade em que está inserido, promovendo o diálogo entre escola e comunidade. 

Em São Paulo, recebemos em torno de 70 pessoas de cada uma das 5(cinco) regiões do país, além dos participantes de São Paulo. Foi um encontro bastante plural para pensarmos as linhas do edital.

CEERT: E qual foi o resultado desses encontros?

Mario Rogerio: Construímos um edital que vem para apoiar proposições que defendam e façam avançar uma educação básica igualitária. A ideia é promover educação de qualidade para todas as crianças.

Sabemos que o alunado negro enfrenta sérios problemas na educação, muitas vezes sendo vítima de discriminação, o que aumenta a evasão escolar e gera baixo rendimento.

O alunado negro do ensino médio  não estuda somente, mas muitas vezes sai para trabalhar, pois precisa colocar comida dentro de casa.

Quando trabalhamos equidade racial dentro das escolas, incidimos nessas dificuldades que o alunado está vivendo e possibilitamos uma educação de qualidade. Acreditamos na importância de dialogar com a comunidade e com a família. 

 

Acesse o Edital Equidade Racial na Educação Básica

 

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