Contratado desde agosto de 2019, Maldonado também diz que ficou a ver navios. “Ninguém vai contratar nenhum professor em setembro. Tem o abalo financeiro e o profissional, mas o psicológico é o pior”, diz.

O professor afirma não ter recebido as verbas rescisórias até 15 de setembro, nem FGTS, férias proporcionais ou 13o salário proporcional. “Nenhum centavo. É uma epopeia. Estou pedindo informações por todas as vias possíveis da universidade, mas ninguém responde”.

No primeiro semestre, Maldonado conta que já estava se sentindo sobrecarregado com as atividades adaptadas para o EaD devido à pandemia: além de mensagens do coordenador fora do horário de trabalho (às 5h18 ou 23h17, por exemplo), o professor diz que dava orientações de TCC de alunos e alunas até a meia-noite (00h34 certa vez, para ser exato). Insônia, angústia e ansiedade passaram a marcar seus dias de férias de julho, preocupado com o que esperar de rendimentos para o segundo semestre.

No domingo, 23 de agosto, abalado ao extremo, ele foi a uma clínica psiquiátrica de Indianápolis. Saiu de lá com uma recomendação médica de sete dias de repouso e remédios antidepressivos. Voltando para casa, informou a universidade do afastamento por ordens médicas até o dia 30 de agosto.

Em 1o de setembro, depois de descobrir a demissão, ele afirma ter ficado ainda mais abalado. “É inacreditável, lembra história de filme, queima de arquivo. É como se uma universidade quisesse acobertar um caso de injúria racial e, para ‘eliminar’ as testemunhas, promovesse uma caçada contra os professores”, disse-me Maldonado, em entrevista por Zoom. “Encarava minha missão na universidade como um esforço para estimular o pensamento crítico entre alunos e alunas – pode parecer romântico, mas não é nada fácil diante da máquina de moer professor, que a todo momento nos empurra para fazer não mais do que o necessário e conseguir ter o mínimo de tempo para respirar… E acontece isso?”

Procurados quatro vezes por e-mail, Enzo Fiorelli Vasques, Ronaldo Melo, Meire Brihy e Andrea Wild não retornaram os pedidos de entrevista até a publicação desta reportagem. Procurada via assessoria de imprensa, a Unip também não se manifestou.