EDITAL EQUIDADE RACIAL

ACESSAR

Programa Prosseguir lança parceria com PUC-Rio e renova curso de inglês

Autor: Bruna Ribeiro Data da postagem: 09:59 09/06/2021 Visualizacões: 201
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
Live de lançamento do Programa Prosseguir no Rio de Janeiro/Imagem: YouTube - CEERT

Durante o mês de maio, a terceira edição do Programa Prosseguir realizou dois eventos para compartilhar novas ações: o anúncio oficial da parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a renovação do curso de inglês contratado pelo programa junto à Education First.

Ao todo, em 2021, são destinadas 80 bolsas mensais no valor de 600 reais, além de atividades formativas, com enfoque em liderança, preparação para o trabalho, equidade racial e curso de inglês, para estudantes negros já matriculados na modalidade presencial de cursos de graduação. Os encontros formativos acontecem aos sábados, com foco no mercado de trabalho e em relações raciais.

O Prosseguir visa a permanência dos estudantes negros nas universidades e também evidencia futuras lideranças. Até 2020, estava presente em São Paulo e Salvador, expandindo suas atividades para o Rio de Janeiro na terceira edição. A iniciativa tem parceria com o programa A Cor da Bahia, da Universidade Federal da Bahia, com a Fundação Getúlio Vargas, além de contar com o patrocínio do Itaú,  apoio do Instituto Ibirapitanga, bem como da plataforma Confluentes. 

Rio de Janeiro

Pela primeira vez no Rio de Janeiro, o programa anuncia parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), por meio da interlocução com a professora Thula Pires, da Faculdade de Direito.

O evento de lançamento ocorreu no dia 27 de maio e contou com a presença da professora Thula Pires; Augusto Sampaio, vice-reitor para assuntos comunitários da PUC-Rio; Daniel Teixeira, diretor executivo do CEERT; Edilza Sotero, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e dos estudantes Yuri Marcelo e Talita Santos.

Segundo Thula Pires, o Prosseguir é uma oportunidade de construir novas pontes para que as gerações futuras tenham oportunidades que ainda não foram oferecidas à juventude negra até agora e não precisem enfrentar os desafios impostos a outras gerações dentro da Universidade. “Eu fico impressionada com o quão grande vocês são. São muito maiores do que o racismo insiste em projetar sobre nós. Eu digo que fico impressionada, não por duvidar da potência de vocês, mas porque vocês são capazes de nos surpreender a cada encontro e evoluem muito rápido”, disse a professora aos jovens.

Augusto Sampaio, vice-reitor para assuntos comunitários, ressaltou a importância de Lélia Gonzalez para a Universidade carioca. “Na década de 70, foi ela quem nos inspirou a muitas ações na nossa luta. Lélia Gonzalez era diretora do Departamento de Sociologia e eu já era vice-reitor comunitário. Sempre almoçávamos juntos para falar sobre a importância da presença e permanência de jovens negros na universidade. Um dia pedi que ela me desse uma inspiração. Ela respondeu que falaria com os orixás, mas faleceu na semana seguinte”, conta

Logo após o falecimento de Lélia, Sampaio recebeu um projeto do Frei Davi para um cursinho pré-vestibular para jovens negros e em vulnerabilidade social - que futuramente se transformou na ONG Educafro. “Naquele momento, pensei que a iniciativa foi a resposta que estávamos esperando dos orixás. Foi uma homenagem à Lélia, que muito nos inspirou.”

Ainda segundo o vice-reitor comunitário, o Prosseguir chega com força na PUC-Rio, que pretende aprimorar ainda mais a permanência do jovem negro na Universidade e incentivar o ingresso no mercado de trabalho.

Responsável pela articulação do Prosseguir em Salvador, a professora Edilza Sotero também celebrou a chegada do programa no Rio de Janeiro. “A entrada da professora Thula e de mais de 20 estudantes do Rio de Janeiro, com suas histórias familiares e pessoais, irá enriquecer o nosso cotidiano e as possibilidades de construção de alternativas para pensarmos trajetórias de estudantes negros no contexto de ações afirmativas no Brasil, pois o Prosseguir é um projeto de ação afirmativa, em um país que assumiu há pouquíssimo tempo essa necessidade. Vamos potencializar as trajetórias num caráter coletivo de mudança social.”

Estudantes

Representando os estudantes,participaram Marcelo Yuri, de São Paulo, e Talita Santos, de Salvador. Estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo contou que chegou ao Prosseguir em um momento delicado de sua formação, pois cursava o segundo ano em um espaço bastante segregado e enfrentava dificuldades financeiras para se manter na cidade, uma vez que sua família é de Minas Gerais.

“Eu vivia o dilema entre precisar trabalhar, mas também querer abraçar as oportunidades que o trabalho me roubaria. Essa é uma das muitas estruturas que o racismo condiciona a gente, de ter uma experiência acadêmica muito diferente do que em tese seria um ambiente de estudo e proposição”, disse. “O Prosseguir oferece uma ferramenta de escuta muito importante. Temos oportunidade de ouvir pessoas muito relevantes do movimento negro e ouvir também outros estudantes que estão propondo novas formas de se viver”, concluiu.

Talita Santos, estudante do curso de Serviço Social da UFBA, contou que a experiência foi um divisor de águas em sua vida acadêmica e como mulher negra. “Mesmo estudando Serviço Social, a dinâmica curricular não permite o aprofundamento em temáticas raciais. Foi o ingresso no programa que me possibilitou de fato a construção da minha identidade racial. Até a minha estética mudou e assumi meu cabelo. Eu me entendi como parte responsável por levar as discussões a espaços como grupos de estudos e até mesmo as disciplinas do meu curso. O Prosseguir constrói isso em nós, essa inquietação e o desejo de transformação”, disse. 

Curso de inglês

No dia 15 de maio, foi lançado também o curso de inglês do Prosseguir, em uma parceria com a escola EF - Education First. Daniel Teixeira, diretor executivo do CEERT, conta que os jovens sempre expressam o desejo de fazerem intercâmbio. “Temos o desejo de construir uma experiência muito rica e muito rara, que é pensar a juventude negra participando também de oportunidades para estudar fora do Brasil”, propõe.

“Em 2007, eu fui para a Universidade de Columbia (Nova Iorque), nos Estados Unidos, e foi uma experiência muito marcante, pois as pessoas me diziam que eu não parecia brasiliero. Eu demorei para entender que para os estudantes de outras nacionalidades na universidade eu não parecia brasileiro, pois os brasileiros que ocupavam aqueles espaços não têm a cor da minha pele e os meus traços. Para mudar essa realidade, o curso de inglês é um primeiro passo que o Prosseguir dá para possibilitar a mais pessoas a experiência rica do intercâmbio”, conclui.

 

Curta a nóticia:
Curta o CEERT: