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Pandemia fez 43% dos jovens pensarem em parar de estudar em 2021

Autor: JULIA DE PAULA Data da postagem: 12:00 14/06/2021 Visualizacões: 352
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Educação e carreira de jovens é impactada pela pandemia/Reprodução: No Detalhe

Pesquisa aponta que jovens com idades entre 15 e 19 anos já pensaram em abandonar os estudos por conta das dificuldades impostas pela pandemia do novo coronavírus.

O impacto da pandemia na educação

Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura revelou que a pandemia do novo coronavírus impactou os estudos de aproximadamente 1,5 bilhão de estudantes em 188 países.

Esse número representa cerca de 91% do total de estudantes no planeta, incluindo os brasileiros, e os motivos vão desde a paralisação das aulas até as desigualdades sociais presentes no sistema de ensino.

Pausa nos estudos

Somente no ano passado, no Brasil, cerca de 28% dos estudantes pensaram em abandonar o processo de aprendizado. Este ano o número chegou a 43% de acordo com o Conselho Nacional da Juventude.

A pesquisa realizada pela Conjuve em parceria com  Em Movimento, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, UNESCO, Visão Mundial e Fundação Roberto Marinho entrevistou cerca de 68 mil jovens com idades entre 15 e 29 anos.

Obstáculos na redação

Os dados obtidos na pesquisa são retratados por diferentes motivos, mas a dificuldade de acesso dos estudantes aos conteúdos oferecidos pelas escolas e universidades é um dos principais fatores.

Segundo a pesquisa Undime que trata do processo de volta às aulas, o percentual de alunos que em 2020 nem chegaram a receber os materiais de estudo foi significativo.

Além disso, a dificuldade em ter acesso à internet e computadores também foi um fator crucial para o impacto no processo de aprendizado dos estudantes.

Tais fatores evidenciam a desigualdade social que existe no país, principalmente no âmbito da educação pública em que os mais afetados são jovens negros que vivem em periferias e não dispõem dos recursos necessários para dar continuidade nos estudos em um cenário pandêmico.

Dos 32% que conseguiram ter acesso aos estudos pelo sistema remoto ou por atividades impressas, em 2020, alegaram que faltava um ambiente tranquilo para estudar em casa.

Sendo assim, mesmo com a chance de dar continuidade nos estudos os estudantes enfrentavam e ainda enfrentam dificuldades para desenvolver o processo de aprendizado sem um espaço e uma estrutura apropriada.

Enfrentando o mercado de trabalho

Além dos problemas encontrados pelos estudantes no acesso e na continuidade do processo de aprendizado em meio ao caos gerado na educação pela Covid-19, o ingresso e a permanência do jovem no mercado de trabalho também não está nada fácil.

Aqueles que procuravam por emprego quando a pandemia foi instaurada seguem buscando até hoje. Encontrar uma oportunidade é essencial para a maioria das pessoas com idades entre 15 e 29 anos, especialmente agora, pois dependem de renda extra para se sustentar ou ajudar a família.

Mais uma vez a população mais afetada pelo desemprego durante a pandemia do novo coronavírus é negra e oriunda das classes sociais mais baixas. Tal cenário demonstra e reforça o padrão histórico de desigualdade racial no Brasil.

Outro fator que chama a atenção diante dos impactos da pandemia para o jovem no mercado de trabalho e na educação é a recente pesquisa do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas que aponta um recorde histórico de pessoas que compõem a “geração nem-nem”, ou seja, que nem estuda e nem trabalha.

Apenas no segundo semestre do ano passado o percentual de jovens que faziam parte da “geração nem nem” foi de 29,33%, o maior desde o início da série iniciada em 2012.

Saúde mental

Diante dos cenários apresentados, a pesquisa da Conjuve em parceria com outras organizações ainda aponta que 61% dos jovens entrevistados afirmaram ter sofrido ou estar sofrendo com crises de ansiedade.

Uma das principais causas para a crise de ansiedade nos jovens se dá pelo processo de isolamento social exigido para o combate ao coronavírus. Os sintomas mais comuns que acometem os jovens durante os momentos de crise são choro, ânsia, insônia, falta de ar, palpitações, tremores, entre outros.

Especialistas recomendam que ao se depararem com os momentos de crise de ansiedade os jovens devem buscar apoio daqueles que estão por perto, especialmente da família.

Nesse caso, a família pode encorajar o jovem a falar abertamente sobre os sentimentos, auxiliá-lo na resolução de problemas e conflitos, estimular a realização de atividades físicas que geram bem-estar, promover atenção para o momento presente e tentar técnicas de relaxamento e meditação.

Além dessas recomendações, especialistas reforçam a necessidade de acompanhamento psicológico e terapêutico.

Vacina

A pesquisa inicial também apontou para o interesse dos jovens no processo de imunização. Cerca de 82% afirmaram querer a vacina e 92% acreditam que o processo de vacinação pode gerar otimismo em relação aos estudos e à carreira.

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