A situação da educação quilombola hoje

Autor: Cristina Fernandes Data da postagem: 14:15 11/11/2021 Visualizacões: 379
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Crianças quilombolas são atendidas em uma sala de aula de escola rural no distrito de Helvecia, no município de Nova Vicosa/Imagem: DepositPhotos

Se para a sociedade como um todo a pandemia foi destruidora e afetou sobretudo a educação, nas comunidades quilombolas o quadro foi pior, pois muitas não têm nem luz elétrica, muito menos computador e internet para o ensino remoto, como explica a Profa. Dra. Givânia Maria da Silva, que acaba de divulgar o relatório Análise sobre a Educação Quilombola e o Censo Escolar lançando luz sobre os desafios para a garantia do direito à educação e cultura da população quilombola.

Com base nos dados do Censo Escolar 2020, o relatório aponta que apenas 15% das escolas quilombolas têm internet para ensino e aprendizagem. A educação quilombola abrange um universo de mais de 275 mil estudantes, 51.252 professores e 2.526 escolas no Brasil.

Somente 21% dessas escolas possuem biblioteca ou sala de leitura; no entanto, esses equipamentos estão presentes em 81,4% das escolas públicas estaduais e em 100% das escolas federais.

Existem quadras esportivas em 95,7% das escolas federais, em 66,7% das escolas estaduais e em apenas 11,6% das escolas quilombolas.

O estudo aponta ainda as fragilidades na formação docente, pois apenas 3,2% dos professores pesquisados realizaram cursos em torno dos temas das relações étnico-raciais e cultura afro-brasileira e africana. Em 2008, esse dado era de 13,2%, indicando um enorme retrocesso nos últimos anos.

Este estudo faz parte do escopo do Projeto Quilombos e Educação – políticas públicas e práticas pedagógicas, que foi um dentre os quinze projetos selecionados em 2020 no “Edital Equidade Racial na Educação Básica”, coordenado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), em parceria com Itaú Social, Instituto Unibanco, Fundação Tide Setubal e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“Este relatório é muito importante porque, apesar desses dados serem públicos no Censo Escolar, eles não são acessíveis para serem lidos com facilidade por todas as pessoas. Esse relatório procura exatamente destacar esses dados para que possamos analisá-los e colocá-los em evidência na nossa luta cotidiana por uma educação mais equânime e de qualidade” conclui a Profa. Givânia.

O relatório foi divulgado no webinar Educação Quilombola em Números no canal Quilombos e Educação no Youtube. Assista aqui.

Acesse o relatório na íntegra aqui:

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