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Depois de protesto ao cortar a meta, maratonista etíope pede asilo político

Autor: Redação Público Data da postagem: 14:30 23/08/2016 Visualizacões: 1024
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O maratonista Feyisa Lilesa cortou a meta com os braços cruzados em protesto contra a repressão do povo oromo AFP/OLIVIER MORIN

Feyisa Lilesa teme a retaliação das autoridades nacionais e pretende ir para os Estados Unidos, caso consiga visto.

O maratonista etíope Feyisa Lilesa, que cortou a meta em segundo lugar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, pediu asilo político por temer pela retaliações no seu país, após o gesto de protesto contra a repressão da população de etnia oromo por parte do Governo de Adis Abeba com queterminou a prova, no domingo.

Quando se preparava para passar a metam Lilesa levantou e cruzou os braços de modo a formar um “X”, como fazem os manifestantes que protestam contra a discriminação étnica por parte do regime (e voltou a repetir o gesto no pódio, quando foi receber a medalha de prata). O atleta de 26 anos declarou aos jornalistas em conferência de imprensa que tinha consciência dos riscos que corria. “Se regressar à Etiópia, talvez me matem. Se não me matarem, metem-me na prisão. Ainda não decidi o que fazer, mas talvez mude de país”, assegurou. “Eles matam-me. Não tenho outro visto. Talvez fique aqui. Se conseguir visto, posso ir para a América”, acrescentou o atleta.

“É uma situação muito perigosa para o povo oromo na Etiópia. Em nove meses mais de mil pessoas morreram em protestos”, comentou Lilesa. Este protesto foi visto por milhões de pessoas e o atleta etíope recebeu várias mensagens de apoio nas redes sociais – entretanto, 40 mil dólares foram angariados em crowdfunding, com o fim de ajudar Lilesa a encontrar uma casa fora do seu país. Apesar de os atletas olímpicos estarem proibidos de fazer qualquer demonstração política, de acordo com o The Guardian, Lilesa não deverá ser sancionado pelas autoridades desportivas.

Na Etiópia, centenas de pessoas da etnia oromo estão a ser mortas – são o maior grupo étnico do país, representando cerca de 25% da população. A Human Rights Watch e a Amnistia Internacional avançaran que mais de 400 pessoas morreram em manifestações desde Novembro de 2015, altura em que despertaram os protestos contra un plano de expansão da capital, que previa a expropriação de terras e aldeias da província de Oromia.

Já este mês, no dia 6, cerca de 500 jovens juntaram-se numa praça da capital, Adis Abeba, em protesto, e foram violentamente reprimidos pelo Governo – que é dominado pela minoria étnica tigré. A violência na cidade de Bahir Dar terá sido ainda mais grave, segundo várias organizações de direitos humanos.

A Embaixada dos Estados Unidos na capital etíope mostrou-se “profundamente preocupada” com as mortes. No entanto, a Etiópia é um dos países aliados dos EUA contra os militantes islamistas do Al-Shabaab – todos os anos milhões de dólares são enviados para o Governo etíope em ajuda militar.

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