Juliana Borges lança “O que é encarceramento em massa?” dia 01/03 em São Paulo

Autor: Juliana Borges lança “O que é encarceramento em massa?” dia 01/03 em São Paulo / Foto: André Zanardo Data da postagem: 14:00 26/02/2018 Visualizacões: 338
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Juliana Borges lança “O que é encarceramento em massa?” dia 01/03 em São Paulo / Foto: André Zanardo - Justificando

No primeiro dia de março, na Livraria Tapera Taperá, no Centro de São Paulo, será lançado a obra “O que é Encarceramento em Massa?”, escrito pela pesquisadora Juliana Borges. O livro é o segundo da coleção “Feminismos Plurais”, organizada por Djamila Ribeiro e que tem como editora o Grupo Editorial Letramento, além do selo do Justificando. A entrada é um pacote de absorvente, que será revertido para mulheres encarceradas. Em homenagem a um dos marcos dos lançamentos da coleção, e com vistas à democratização do acesso à leitura por populações economicamente vulneráveis, as primeiras 75 pessoas que chegarem ganharão a obra, em um oferecimento do Fundo Baobá.

Juliana é colunista do Justificando, onde começou seu primeiro espaço, e hoje também coluna no Blog da Boitempo; Fundação Perseu Abramo e Revista Fórum. Além disso, foi articuladora política da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD), assessora da Secretaria de Governo Municipal e Secretária-Adjunta da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo. 

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Sobre a obra

Em um primeiro momento, pode parecer estranho ligar feminismo negro e encarceramento em massa como pautas que se encontram e interseccionam. Infelizmente, a realidade do Brasil e do mundo tem trazido à tona que o reordenamento sistêmico para manter desigualdades baseadas em hierarquias raciais tem operado suas engrenagens na interseccionalidade cada vez mais profunda das opressões racista, machista e classista.

Entre 2006 e 2014, a população feminina nos presídios aumentou em 567,4%, nos colocando no ranking dos países que mais encarceram no mundo, ficando no 5º lugar. 67% destas mulheres são negras e 50% são jovens.

Então, como podemos falar em democracia racial no Brasil, quando os dados nos mostram um sistema prisional que pune e penaliza prioritariamente a população negra? Como podemos negar o racismo como pilar das desigualdades no Brasil sob este quadro? Simplesmente, não podemos.

"O Sistema de Justiça Criminal tem profunda conexão com o racismo, sendo o seu funcionamento mais do que perpassado por esta estrutura de opressão."

Além disso, tem sido dos principais aparatos de uma reordenação sistêmica para garantir a manutenção do racismo e, portanto, das desigualdades baseadas na hierarquização racial.

Neste livro, a autora apresenta e discute essas questões, colocando as principais visões de especialistas e ativistas sobre o tema, notadamente mulheres e homens negros. Passa também, com isso, pelos pensamentos de Sueli Carneiro, Thula Pires, Angela Davis, Michelle Alexander, Achille Mbembe, Vilma Reis, Ana Flauzina e uma série de outros pensadores e pensadoras que nos colocam como este momento de grave crise sistêmica tem operado para que se reordene as hierarquias de opressão, em modelos e funcionamento que só garantem a vida dos 1% mais ricos.

Juliana esteve nos estúdios do Justificando, onde gravou um drops com um dos recortes de seu livro. Confira:

Sobre a coleção

Reconhecendo a importância do reconhecimento da multiplicidade de vozes, nasce a coleção Feminismos Plurais, parceria da Editora Letramento com o Justificando. Organizada por Djamila Ribeiro, a coleção visa abordar diversos aspectos e perspectivas dos feminismos, tendo como pilar principal mulheres negras e indígenas e homens negros como sujeitos políticos. Comumente, esses sujeitos são tratados como implícitos ou relegados a condição de “mero recorte” dentro de uma história única e excludente. Feminismos Plurais segue a responsabilidade histórica de romper silêncios.

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