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A pele negra também importa no mercado de beleza

Autor: Julia Mello Data da postagem: 12:00 27/02/2018 Visualizacões: 674
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A pele negra também importa no mercado de beleza / Foto: Victor Magalhães - Reprodução - ELLE

Novos produtos e marcas estão sendo lançados e provam que o mundo beauté está começando a mudar.

Imagine entrar numa loja de maquiagem e não encontrar uma base no seu tom. “Tudo bem”, você pensa, se encaminhando para a próxima. Cinco tentativas depois, você conclui que o produto ideal para seu rosto, o alicerce de sua rotina de beleza, ainda não foi inventado. Parece um pesadelo de beauté, mas é o que muitas mulheres negras vivenciam ao buscar uma cobertura que contemple suas especificidades. “Para algumas mulheres, encontrar a base certa é emocionante”, conta Daniele Damata à ELLE.

Depois de dez anos desenvolvendo cosméticos, ela se tornou maquiadora e criou a escola itinerante Damata Makeup, que proporciona o empoderamento por meio da make. “Quando falamos em representatividade, isso significa sentir que todas as suas necessidades estão sendo ouvidas e respeitadas e que você faz parte de um todo. Não tem só a ver com o tom de pele da modelo do anúncio”, descreve.

O sucesso da Fenty Beauty, a marca de maquiagem de Rihanna, lançada no segundo semestre do ano passado, veio como um indicativo de mudança. “Quando vi que iriam lançar 40 tons de base, chorei. É o sinal de que tudo pode mudar antes do que imaginamos”, continua Daniele. Para ela, o grande avanço é que a marca apresentou a diversidade de tons, devidamente refletida em sua campanha, que tinha nomes como Slick Woods, Duckie Thot e Leomie Anderson.

Apesar disso, a maquiadora acredita que ainda é preciso pesquisa e investimento para que mulheres negras brasileiras sejam contempladas na prateleira das perfumarias. “Aqui falta a pesquisa sobre subtons para que mulheres com a pele mais escura encontrem os produtos perfeitos.”

Acertar a cor da base é primordial para não criar efeitos como o da pele acinzentada – culpa, segundo o maquiador oficial da Natura, Marcos Costa, do uso de um produto claro demais. “Não é difícil ou diferente maquiar uma pele negra. Isso é um mito! Basta respeitar as diferenças”, diz ele.

Assim como a Natura, outras marcas brasileiras têm aumentado o portfólio de makes para os tons de pele negra, casos da Quem Disse, Berenice? e da Eudora. Já a Vult, além de bases e corretivos, lançou recentemente uma linha de esmaltes nude que não se restringem ao bege. “Além de marcas de nicho e estrangeiras, é uma importante conquista quando grandes empresas fazem lançamentos que contemplem as peles negras”, acredita Daniele.

De acordo com a pesquisa African American Women: Our Science, Her Magic, feita pela Nielsen este ano, as mulheres negras norte-americanas terão um poder de compra recorde em 2021: 1,5 trilhão de dólares. Uma pesquisa feita em 2013 mostrava que o valor investido em cosméticos por elas é 80% maior do que o de outras consumidoras.

Mesmo assim, o mercado de maquiagem ainda não está no mesmo patamar do de cabelos, que hoje atende as demandas dos fios afro. “As marcas precisam ouvir de verdade o furor da internet!”, diz Daniele. Segundo ela, isso também abre espaço para pensarmos sobre a beleza como algo muito além da estética. “A maquiagem é um caminho para que possamos conversar sobre outras coisas. Colorismoracismoempoderamento e representatividade são só o começo.”

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