Rosetta Tharpe: A pioneira do rock ‘n roll!

Autor: Redação Gia Red Hot Data da postagem: 13:00 16/07/2019 Visualizacões: 2739
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Sister Rosetta Tharpe / Foto: Reprodução - Gia Red Hot

Você sabia que foi uma mulher negra que criou “Rock N’Roll”?

Quase que completamente desconhecida hoje, Sister Rosetta tinha um programa gospel na rádio nos anos 30, 40. Reza a lenda que King of Rock N’Roll, Mr. Elvis, quando criança, saía correndo da escola para ouvir o programa e as músicas que ela cantava.

O jeito dela cantar e tocar guitarra acabou sendo assimilado por outro King, o B.B.

E ainda há o terceiro King, desta vez o do Folk, Bob Dylan, assumidamente fã desta artista extraordinária.

É gratificante relembrar e curtir os antepassados negros que fizeram a história do blues americano, como a pioneira Sister Rosetta Tharpe, a madrinha-avó do Rock And Roll.

Sister Rosetta Tharpe foi um amor à primeira vista. Aquela mulher de energia possante a brincar com a guitarra, faz lembrar Chuck Berry. A verdade é que foi esta a mulher que inspirou Chuck Berry. A mulher “bonita, divina sem mencionar sublime e esplêndida”, como Bob Dylan afirmou numa entrevista, é a essência do Rock n’ Roll. Conheça sua trajetória:

A cantora gospel americana Rosetta Tharpe é creditada por popularizar a música gospel durante os anos 1930 e 1940, mas poucos a creditam como a pioneira do rock ‘n roll, justamente por suas raízes na música gospel.

Nascida como Rosetta Nubin em 20 de março de 1915, Cotton Plant, Arkansas. Ainda que não haja registros de sua paternidade, sua mãe Katie Bell Nubin influenciou diretamente na linha artística de sua filha. Sua mãe era cantora, tocava mandolim e pregava na Church of God in Christ (COGIC), instituição fundada em 1894 que encorajava mulheres a se expressar musicalmente e fazer suas pregações. Não demorou muito para Rosetta começar a cantar e tocar guitarra desde cedo, revelando-a uma artista prodígio.

Passou praticamente 14 anos pregando e cantando com sua mãe, e a fama como artista prodígio foi revelada, ainda mais em uma era que guitarristas negras e femininas eram escassas, para não dizer únicas.

Em 1934, aos 19 anos, casou-se com um ministro da igreja chamado Thomas A. Thorpe, mas a união durou pouco. Mesmo após o divórcio, Rosetta ficou com o último nome do ex-marido, mudando apenas uma letra, de “Thorpe” para “Tharpe”.

Em 1938 mudou-se para Nova Iorque, e finalmente assinou com uma gravadora, a Decca Records, lançando quatro músicas que seriam seus hits: “Rock Me,” “That’s All,” “The Man and I” e “The Lonesome Road.” O sucesso foi tanto que Rosetta foi nomeada como a primeira artista gospel a prosperar comercialmente nos EUA.

No mesmo ano, em 23 de dezembro, Rosetta fez uma apresentação no famoso festival de John Hammond, Spirituals to Swing Concert no Carnegie Hall. Sua performance foi considerada controversa e revolucionário em diversos aspectos. De um lado, a música gospel, do outro uma plateia acostumada com blues e jazz. Seu estilo de tocar guitarra era tão único misturando aspectos de blues urbano com arranjos folk e o swing que tanto conhecemos do rock ‘n roll.

Durante os anos 1940, Rosetta gravou os hits “Shout Sister Shout,” “That’s All” and “I Want a Tall Skinny Papa.” “That’s All” foi a primeira música dela gravada em guitarra elétrica e serviu como influência direta para os artistas masculinos que se tornaram conhecidos pelo estilo, como Chuck Berry e Elvis Presley. Um fato triste é que Irmã Rosetta Tharpe dificilmente é lembrada na mesma intensidade que seus predecessores, ainda mais sendo negra e mulher.

Depois de diversas tentativas de continuar sua carreira gospel, sua música saiu de moda e ela precisou se juntar a outros artistas para continuar sendo vista e lembrada, como Lucky Millinder & His Orchestra.

Durante uma turnê com Muddy Waters em 1970, Rosetta ficou doente e retornou aos EUA. Sofrendo de um AVC e de complicações da diabetes, teve sua perna amputada. Três anos depois sofreu outro AVC e faleceu em 9 de outubro de 1973, aos 58 anos, na FIladélfia, Pensilvânia.

Ela viveu sua vida com ousadia, paixão pela música e quebrando diversas convenções sociais. Pavimentou o caminho para diversos artistas se destacarem no rock ‘n roll, mas em dado momento foi esquecida pela mídia que um dia tanto a aplaudiu. Little Richard, Tina Turner e Johnny Cash citam Rosetta com sua maior influência e o modo como colocava a guitarra em primeiro plano nos blues de Chicago e os primeiros anos do rock ‘n roll.

Em sua lápide está escrito: “Ela cantaria até que você chorasse e então ela cantaria até você dançar de alegria. Ela ajudou a manter a igreja viva e os santos se alegrando”.

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