Juliana Borges: do que o Brasil precisa e o que farei por isso

Autor: Redação Nexo Jornal Data da postagem: 12:00 22/08/2018 Visualizacões: 626
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Juliana Borges: do que o Brasil precisa e o que farei por isso / Foto: Acervo Pessoal - Reprodução - Nexo Jornal

Juliana Borges é escritora. Estuda sociologia e política na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde desenvolve pesquisa na área de antropologia. Foi secretária adjunta na Secretaria de Políticas para as Mulheres e assessora na Secretaria do Governo Municipal da Prefeitura de São Paulo na gestão Fernando Haddad. É autora do livro ‘O que é encarceramento em massa?’ (Letramento/Justificando).

1- Do que o Brasil precisa nos próximos quatro anos?

“Vivemos um período de importantes retrocessos em relação aos direitos sociais. Diria que houve uma mudança de 180 graus na rota que estava sendo pavimentada para se construir um Estado de bem-estar social no país. Nesse sentido, acho que a primeira questão para os próximos quatro anos é retomarmos o caminho da construção de direitos e da cidadania no Brasil.

Não apenas uma retomada sem a avaliação de equívocos, mas, sim, com uma atualização programática das principais políticas. Para isso, a perspectiva interseccional e o reconhecimento do racismo como estrutural em nosso país é fundamental para a construção de políticas públicas que não reforcem assimetrias e hierarquias sociorraciais.

A meu ver, primeiro é necessária a retomada do emprego e da renda, compreendendo os novos desafios do capitalismo em relação ao trabalho, como as diferenças existentes no interior da classe trabalhadora e a necessidade de se buscar a igualdade salarial entre homens e mulheres brancas e homens e mulheres negras e indígenas. Um modelo alternativo de – por falta de outra palavra – desenvolvimento, que respeite nossa relação com a natureza e não nos veja apartados dela.

Quanto à questão da segurança pública, que tem ganhado destaque e está presente em diversas pesquisas de opinião, é preciso um novo modelo de segurança, que passe pela construção da cidadania e de direitos. Também é necessária outra política de drogas, que interrompa a guerra às drogas marcada pela militarização e pelo controle repressivo da população negra. Essa guinada, a meu ver, passa pela legalização das drogas, pelo desencarceramento, pela aplicação de penas alternativas, pela desmilitarização das polícias e pela reparação aos grupos sociais atingidos até hoje por essa política.

Acho que esses são passos primevos e fundamentais se queremos mudar o paradigma de segurança no país e interromper o extermínio contínuo, enquanto projeto de Estado, da população negra e pobre do país.”

2- E o que você vai fazer para isso, para além do voto?

“Com o lançamento do meu livro, ‘O que é encarceramento em massa?’, da coleção Feminismos Plurais, coordenada por Djamila Ribeiro, tenho participado de muitas discussões e atividades nas periferias da cidade.

É importante que, inclusive, a população afetada por essas políticas de controle e repressão discutam e se apropriem da discussão em torno de um tema que tem historicamente sido centralizado em especialistas e agentes do sistema de justiça criminal.

Acho que a pesquisa deve estar a serviço da construção e do debate político-social. Nesse sentido, cabe incentivar discussões, ir até elas, incentivar debates e construir propostas e ações conjuntas, seja em coletivos e partidos, seja em outros processos de atuação política.”

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