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Preta Poeta: um indício de um mundo melhor

Autor: Redação Jornalistas Livres Data da postagem: 16:00 07/11/2018 Visualizacões: 356
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Alinne Damasceno, Lara Passos, Juliana Cristina, Raísa Muniz, Alice Teles, Adriana de Deus, Dilu Freitas, Juliana Tolentino, Franciele Marinho, Lorrany Mota, Leila, Maria, Magna Cristina, Tamires Nunes e Júlia Elisa / Foto: Sara Fonseca-Jornalistas Livres

O lançamento do segundo fanzine do coletivo de mulheres negras marca o fim de um ciclo.

Poesia, a noite começou com poesia, vozes lisas, flexíveis e fortes, cabelos encaracolados e crespos, violão, flauta metálica em uma grande boca vermelha, batuque, flores, fotos, zines e livros, uma conjunção de detalhes significativos, era noite de Preta Poeta um coletivo de mulheres negras que produz e declama poesias sobre suas trajetórias.

Júlia Elisa a idealizadora do projeto nos conta um pouco de sua história “O Preta Poeta começou em 2017, pensado a partir de um edital da PRAE (Pró Reitoria de Assuntos Estudantis) da UFMG, que visava apoiar projetos de alunos de graduação. Pensando a escrita como mecanismo de resistência e liberdade, sem critério estético ou literário, a escrita e a declamação das participantes é instigada, assim como uma escuta sensível e atenta, além de difundir a escrita feminina negra.” Desde 2017 o Preta Poeta só cresceu, passando por ele diversas mulheres negras, entre elas Magna Cristina comunicóloga de 56 que teve no Preta Poeta uma oportunidade para “se integrar com uma geração valente, generosa, inteligente, amiga.”

O final do segundo ciclo do coletivo foi marcado para quarta feira (31) as 19:00h na biblioteca estadual de Minas Gerais, foi o lançamento de seu segundo fanzine e trazia dezenas de histórias, Alice, Julia, Magna, Francieli, Lara e outras, todas se intercalaram para contar suas vivências e declamar suas poesias. Teve pés descalços, olhos atentos, mãos tremulas e lagrimas de emoção no palco e na plateia. As bocas, os gestos e as poesias falavam de dor, falavam de preconceito, de uma dívida histórica com as mulheres negras que se arrasta por anos e que está em tudo e em quase todos.

Foto: Sara Fonseca

Mas mais do que isso, falavam de amor, de poesia, de autodescoberta e esperança, mais potentes que qualquer tratado ou lei as palavras performance nos indicavam um mundo melhor em que mulheres pretas sabem que são capazes de tudo. Franciele Miranda estudante de Ciências sociais demonstra como o coletivo foi importante na sua vida acadêmica “O Preta Poeta foi um dos responsáveis pela minha permanência na universidade, o projeto me deu forças para perceber que eu posso me fazer presente em todos os lugares, e que por mais que seja difícil, é possível a minha voz ser ouvida.”

O encontro do dia 31 marca o final do segundo ciclo, segundo Júlia Elisa a ideia agora é “passar por reformulações, em tempos de radicalização de discursos e práticas de ódio, violência e discriminação, é um ato político e uma materialidade histórica investir na potência dos nossos corpos, das nossas escritas e das nossas vozes, permeando a política de afetos”. A política de afetos indicada por Júlia foi visível durante as apresentações, lá a palavra era passada com um abraço, as emoções não eram contidas e o decoro era inexistente, tudo isso nos mostra que não importa o quanto a realidade seja dura e cheia de intolerância. Há lugar para o afeto, há lugar para gritar a dor e comemorar o amor, e principalmente há lugar para poesia, e esse lugar não é um território delimitado, ele reside e habita na mulher negra.

Foto: Sara Fonseca

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