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Poder: Singular e Plural

Autor: Jorgete Lemos Data da postagem: 15:48 30/01/2019 Visualizacões: 376
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Poder: Singular e Plural / Imagem: Reprodução - Fala Direito Comigo

Não devemos esquecer a interseccionalidade quando o assunto é diversidade

Empoderamento foi uma das palavras mais citadas em nossos veículos de comunicação em 2018. Agora é o momento de efetivá-lo. Empoderamento em diversidade deve ter como pano de fundo a interseccionalidade. Esse conceito, apesar surgir como teoria entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, não é muito praticado como base de nosso trato das questões da diversidade, sendo ainda mais comum segmentar em categorias biológicas, sociais e culturais, tais como gênero, raça, classe, orientação sexual, religião, idade, esquecendo que essas categorias interagem em níveis múltiplos, e muitas vezes simultâneos, refletindo as múltiplas formas de discriminação.

Interseccionalidade é um paradigma importante a ser considerado no ambiente de trabalho, em todas as etapas do processo de gestão de pessoas, sobretudo na captação. A interseccionalidade nos ajuda a entender que não há experiência singular de uma identidade. Em vez de compreender o comportamento da mulher no ambiente de trabalho ou frente ao assédio moral e generalizá-lo, por exemplo, apenas pelo prisma do gênero, é necessário considerar outras categorias sociais como classe, habilidade, raça, idade, para ter uma compreensão mais completa da gama de fatores intervenientes e suas consequências. A interseccionalidade é uma expressão da visão do ser humano de forma holística.

Daí a questão: poder singular e plural. Empoderar uma “segmentação” da diversidade e negligenciar as demais tem sido uma prática desgastante, geradora de despesas. É como se estivéssemos cuidando apenas daquilo que é mais fácil, possível, deixando de lado o que nos desafia e que permanece submerso.

Enquanto não atuarmos nas questões mais sofisticadas (difíceis) e nas intangíveis (que dependem da atitude), focaremos apenas a ponta do iceberg. A crença na sororidade como uma possibilidade de extensão das conquistas obtidas por um grupo de mulheres que chegam à alta direção, por exemplo, às demais que permanecem submersas não é irreal, mas os resultados são lentos demais.

Ao iniciar um ano, já temos delineadas metas, tangíveis, que estimularão nossa vida e representam nosso propósito. Que tal girarmos a pirâmide social em 180º, direcionando nossa atenção e ação para a grande e esmagadora maioria que, por suas carências, corrói silenciosamente nossas energias físicas, emocionais e financeiras? As empresas têm papel decisivo na redução do gap social existente, principalmente quanto ao acesso ao ensino de qualidade, a começar pelo básico; a preparação da geração “pós-Z”, para que seja ética e quando chamada a opinar possa “denunciar a estrutura desumanizante e anunciar a estrutura humanizante” (como disse Paulo Freire). Mais um excelente desafio para os profissionais de gestão de pessoas e lideranças, como educadores naturais que são, sempre com o apadrinhamento do CEO da empresa, é claro. Chegamos a um estágio de conhecimento por uma massa crítica, influenciadora de opinião e capaz de realizar mudanças, sem volta. Nada do que foi será... Que possamos ter excelentes resultados para as metas propostas para 2019.

"EMPODERAR UMA “SEGMENTAÇÃO” DA DIVERSIDADE E NEGLIGENCIAR AS DEMAIS TEM SIDO UMA PRÁTICA DESGASTANTE"

- Jorgete Lemos é diretoraexecutiva da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços

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