Marcha das Mulheres Negras de São Paulo 2019: Sem Violência, Sem Racismo, Sem Discriminação, Sem Fome!

Autor: Fabielle Ferreira Data da postagem: 15:00 28/07/2019 Visualizacões: 600
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Marcha das Mulheres Negras de São Paulo 2019: Sem Violência, Sem Racismo, Sem Discriminação, Sem Fome! / Foto: Mariane Loureiro - CEERT

No Dia Internacional das Mulheres Negras, Latino Amercianas e Caribenhas (25 de Julho), aconteceu a 5ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, com concentração na Praça da República.

Foto: Mariane Loureiro

A marcha contou com centenas de mulheres, homens, jovens, idosos e crianças que reinvindicavam e asseguravam seus direitos ameaçados pelo atual governo. Confira abaixo o manifesto oficial dessa edição e momentos emblemáticos capturados pelas lentes do CEERT.

Foto: Fabielle Ferreira

"SEM VIOLÊNCIA, SEM RACISMO, SEM DISCRIMINAÇÃO, SEM FOME! COM DIGNIDADE, EDUCAÇÃO, TRABALHO, APOSENTADORIA E SAÚDE.

Foto: Mariane Loureiro

Vivemos tempos de impensáveis retrocessos: a guerra do Estado brasileiro contra o povo preto e pobre está abertamente declarada. Direitos fundamentais são revogados enquanto o desgoverno atual criminaliza os movimentos sociais, como os de moradia, as populações negra, quilombola, indígena, LGBTQIA+ e todos aqueles que lutam por uma vida digna.

Foto: Fabielle Ferreira

Por isso, neste 25 de julho de 2019, nós, mulheres negras e indígenas do estado de São Paulo, continuamos em marcha pelo fim do racismo, do machismo, da lesbotransfobia e do genocídio da juventude preta e periférica. O que queremos é o Bem Viver, uma sociedade em que não haja privilegiados e nem excluídos.

Foto: Mariane Loureiro

Sem violência: o pacote "anticrime" de Sérgio Moro/Bolsonaro torna oficial, e sem possibilidade de defesa, a violência do Estado. Sobretudo contra os jovens negros. Qual a cor dos corpos na mira da polícia? E das famílias dos jovens mortos ou encarcerados?

Foto: Sarah Bitner

Marchamos contra o feminicídio, que nos primeiros três meses deste ano cresceu 76% em São Paulo, e pode aumentar com a liberação da posse de até quatro armas por pessoa. A maioria das mulheres que morrem por causa da violência de gênero são negras, cis e trans. Na maior parte das vezes, são mortas dentro de casa por parceiros ou familiares.

Foto: Mariane Loureiro

Foto: Sarah Bitner

Sem discriminação: o discurso homofóbico, racista, machista, misógino, elitista e xenófobo do presidente da República tem criado um ambiente favorável à intolerância. Os ataques racistas, com destruição de casas de candomblé e umbanda crescem de forma assustadora. Nós mulheres negras latino-americanas e caribenhas, lésbicas, bissexuais e transexuais, sempre estamos na linha de frente na luta contra o machismo, o racismo e o preconceito religioso. Assim como nossas ancestrais, enfrentamos as mais diversas formas de violência e lutamos por nossos direitos.

Foto: Fabielle Ferreira

Sem fome: a lei da terceirização, falso apoio ao empreendedorismo e perda de direitos trabalhistas são mecanismos que tiram do povo brasileiro as possibilidades reais de uma transformação social e econômica. Na base dessa pirâmide estamos nós, mulheres negras. Mesmo fazendo tripla jornada, ainda precisamos manter a sanidade mental. Se não há trabalho, não há possibilidade de colocar comida na mesa.

Marchamos por nossa dignidade!

Foto: Fabielle Ferreira

Com Educação: os cortes na educação básica e os ataques às universidades públicas nos causam indignação. O que fica evidente é a intenção de tornar dispensável a existência de políticas públicas de acesso, especialmente as cotas raciais - as grandes responsáveis  pela inserção de negros, quilombolas, indígenas e pessoas pobres, vindas da escola pública, nas instituições de ensino superior e de pós-graduação. Um povo sem cabeças pensantes é muito mais fácil de manobrar.

Foto: Fabielle Ferreira

Com trabalho: A incapacidade técnica da equipe econômica do governo federal impede a redução do desemprego. A destruição de direitos causada pela reforma trabalhista não gerou os empregos prometidos e ainda precarizou as relações de trabalho. Exigimos imediatamente políticas de geração de emprego e renda, com garantia de direitos, e que o Estado brasileiro nos assegure uma vida digna. Produzimos a riqueza deste país há 519 anos.

Foto: Fabielle Ferreira

Com aposentadoria: a "deforma" da Previdência é uma ds maiores mentiras criadas pelos governos. Mesmo com as alterações sugeridas pela oposição, a maioria das mulheres negras estaremos condenadas a trabalhar até morrer. Os benefícios  a que temos direito para ajudar a cuidar de filhos ou parentes com deficiência ou síndrome de Down também estão ameaçados. Poderemos perder o direito ao PIS, aos remédios de alto custo e receber só 60% de aposentadoria - se conseguirmos nos aposentar depois dos 62 anos de idade e 15 anos de contribuição ao INSS. É uma política de morte.

Foto: Fabielle Ferreira

Com saúde: O SUS é uma conquista dos movimentos sociais e prioritariamente das mulheres negras. Mesmo com todos os problemas, o SUS ainda é a maior política de saúde pública gratuita do mundo e precisa ser mantida e ampliada. A suspensão de produção e distribuição de remédios de uso contínuo e o fechamento de unidades de saúde e assistência social são integrantes desta política de morte do atual governo. É o caso da insulina, entre outros, que são essenciais à vida e até bem pouco tempo eram gratuitos.

Foto: Sarah Bitner

É preciso união para derrotar essas medidas e assegurar nossos direitos. Por isso marchamos neste Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e de Tereza de Benguela, líder do quilombo do Piolho, no Mato Grosso, por 20 anos, reconhecida como uma heroína brasileira  em 2014. Vem marchar com a gente! Justiça para Marielle Franco, Luana Barbosa e Dandara dos Santos! Por nós, por todas nós, pelo Bem Viver!

Foto: Fabielle Ferreira

Foto: Fabielle Ferreira

Foto: Sarah Bitner

Foto: Sarah Bitner

Seja parte dessa caminhada

A Marcha das Mulheres Negras de São Paulo é uma articulação de mulheres autônomas e que atuam em coletivos diversos, nascida do potente processo que nos levou a Brasília em 18 de novembro de 2015 e que, em nosso estado, realiza pelo quarto ano seguido a Marcha do 25 de Julho. Desde 2014 temos construído também as ações do Julho das Pretas junto com manas de diversas regiões da cidade. Além de termos participado ativiamente dos Encontros Estadual e Nacional de Mulheres Negras em 2018. Somos um espaço de fortalecimento mútuo, aprendizado, resgate das nossas tradições ancestrais e do legado da luta e resistência das Mulheres Negras de São Paulo. Somos diversas: jovens, maduras, idosas, estudantes, trabalhadoras, religiosas de matriz africana que acolhemos também mulheres negras que praticam também outras formas de fé, cisgêneras, transgêneras, travestis, heterossexuais, lésbicas, bissexuais. Aqui cabemos todas que acreditamos na ação auto-organizada, suprapartidária mas autônoma e independente de partidos e governos, com referencial progressista e na busca por outra relação com a natureza que é parte de nós. Aqui só não cabem preconceitos de nenhum tipo. Essas são as bases da nossa luta contra o racismo, o machismo, a violência e pelo Bem Viver.

Foto: Fabielle Ferreira

POR NÓS, POR TODAS NÓS, PELO BEM VIVER!

Foto: Sarah Bitner

 

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