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Tássia Reis: ´Sabemos que não podemos errar`

Autor: DENISE MOTA Data da postagem: 12:00 07/08/2019 Visualizacões: 262
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Tássia Reis: ´Sabemos que não podemos errar`/Imagem: Reprodução - Folha de São Paulo

Depois da primeira turnê internacional, a paulista Tássia Reis volta à sua São Paulo para apresentar o álbum “Próspera”, terceiro trabalho de estúdio, em que propõe uma conversa – entre menções a Beyoncé e Shonda Rhimes (realizadora norte-americana), e embalada por um ritmo deliciosamente infernal – sobre as agruras e conquistas das mulheres negras no dia a dia.

A artista acaba de chegar de apresentações por festivais como Roskilde (Dinamarca), Walthamstow Garden Party (Londres), Sfinks (Bélgica) e Les Escales (França). O primeiro encontro com o público no exterior foi “uma meta realizada, um sonho que batalhamos duramente para alcançar”, como ela conta ao Preta, Preto, Pretinhos.

A rapper Tássia Reis (Caroline Lima/ Divulgação).

Descrita pelos dinamarqueses como “uma voz forte no rapjazz brasileiro”, que “conseguiu ir além do hip hop para conquistar um nicho próprio”, a cantora e compositora nascida em Jacareí agora leva seus “irretocáveis vocais” (como classificaram os ingleses) ao Cine Joia, na próxima sexta (9). Abaixo, um pouco da conversa com a rapper:

PPP – Com Thiago Elniño, em “Os Pretinho Bem”, nova música desse artista, vocês falam de Marielle Franco e defendem o autocuidado como uma das ferramentas fundamentais para a sobrevivência. Como você vê o momento da comunidade negra brasileira atualmente?

Tássia Reis – Estamos com medo, inundados num mar de más notícias e acontecimentos ruins, ao mesmo tempo em que estamos produzindo trabalhos excelentes, musicais, de cinema, intelectuais… Acho que estamos todos tentando entender como sobreviver a tudo isso. E, ao mesmo tempo, tentando cuidar um pouco de nós mesmos.

PPP – No seu disco, você menciona Shonda Rhimes e Beyoncé, e parece dialogar com as milhares de mulheres negras que são “pretas demais” para conquistar um lugar ao sol na sociedade brasileira. Qual foi o caminho para a “costura” desse álbum?

Tássia Reis – Gosto de escrever sobre as minhas vivências e também sobre minhas análises da vida. Com certeza a solidão da mulher negra perpassa a narrativa do disco, mas pensando em como podemos nos livrar dessas amarras que nos puxam para baixo. Como não aceitar o que é empurrado para nós, e exigir, quando achar coerente, o seu próprio espaço de sobrevivência, dar limites aos outros e também às nossas próprias cobranças, que são imensas. Sabemos que não podemos errar. Ainda assim, respirar, se perdoar e tentar jogar do lado certo do campo, do seu próprio lado.

Tássia Reis – show de lançamento de “Próspera”
9 de agosto, 22h
Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade, São Paulo, www.cinejoia.tv, (11) 3101-6318
Entradas: de R$ 5 a R$ 60

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