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Interseccionalidade, licenças parentais e violência contra as mulheres são debates centrais do último dia do Fórum WEPs 2019

Autor: Redação ONU Mulheres Data da postagem: 11:52 15/10/2019 Visualizacões: 314
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Dra. Cida Bento, Psicóloga e Diretora Executiva do CEERT, participa do Fórum WEPS 2019 / Foto: Reprodução - ONU Mulheres

Compromisso das empresas com o fim da violência contra as mulheres e a promoção do bem-estar para as profissionais que se tornam mães foram alguns dos destaques da agenda

Denise Chevanne-Vogel, especialista para o setor privado da ONU Mulheres Jamaica , contou a realidade das jamaicanas no mundo do trabalho / Foto: ONU Mulheres - Gustavo Dantas

A necessidade de implementação de ações para promover um ambiente seguro de assédio sexual, atenção às vítimas e promoção da educação foram os principais pontos propostos por empresas para a melhoria das condições de trabalho das mulheres no último dia do Fórum Weps 2019. O evento foi promovido pela ONU Mulheres, OIT e União Europeia, em 8 e 9 de outubro, em São Paulo, como parte das ações do programa “Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios”

Cerca de 250 pessoas conferiram as práticas de diferentes empresas, assim como o compromisso das organizações para conscientizar, engajar e mobilizar líderes, tomadores e tomadoras de decisão sobre o tema. As companhias apontaram caminhos como programas de capacitação, modelos de boas práticas, além de ferramentas de conscientização, a exemplo de campanhas eficazes no ambiente de trabalho.

O racismo e a incidência dele nas relações de trabalho foram pontos abordados pela coordenadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT, Cida Bento. Entre suas considerações, ela relatou como o debate sobre interseccionalidade de gênero, raça e etnia enfrenta obstáculos concretos, que impedem visibilidade dos problemas e medidas para promover ambientes de trabalho com diversidade racial. “Não é uma questão de direitos humanos. Uma questão de justiça, sensibilidade. É estatística. Qualquer análise que se faça do país, em que é desconsiderado o que acontece com mais da metade da população, essa análise não conversa com a realidade do país”.

Os efeitos do machismo na vida profissional das mulheres foram expostos pelo Instituto Avon, que comentou, em reunião com a diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe, Maria-Noel Vaeza, que três colaboradoras foram vítimas de feminicídio. Em painel no Fórum WEPs, a empresa ressaltou a sua atuação no tema. “Temos pressa de mudar o país e impedir a violência contra as mulheres”, afirmou a diretora executiva do Instituto Avon, Daniela Grelin. A empresa foi uma das companhias participantes que abordou a questão da violência contra as mulheres, trazendo a importância do investimento em prevenção, no enfrentamento do problema, na responsabilização e no acolhimento das vítimas.

Propostas de apoio às mulheres mães no mercado de trabalho e compartilhamento das tarefas do cuidado com os homens também tiveram destaque na programação do Fórum WEPs. A necessidade do reconhecimento da parentalidade como um momento importante na vida das profissionais que se tornam mães e das práticas como diálogos, encontros e apoio direto às mulheres no ambiente empresarial estiveram entre as principais ações apresentadas pelas companhias.

De acordo com a pesquisa apresentada pela sócia da Rede Maternativa Brasil, Vivian Abukater, sobre o que pensam mulheres que trabalham e estão grávidas, mais de 60% das entrevistadas disseram não saber se conseguirão manter o ritmo de trabalho durante a gestação e após o retorno ao trabalho. O medo de ser demitida após a estabilidade da licença e a falta de flexibilidade no horário de trabalho foram preocupações reveladas por aproximadamente 50% das participantes. Outro dado marcante foi que 79% das mulheres afirmaram ter receio de sofrer retaliações por se ausentar do mercado de trabalho para atender a compromissos com os filhos e o receio de não ter êxito em conciliar maternidade e trabalho.

Apesar dos desafios apresentados durante o evento, as empresas trocaram experiências de soluções, a exemplo da manutenção do compromisso e do incentivo a mulheres a continuarem trabalhando, mesmo tendo filhos e filhas de 0 a 3 anos. Como auxílio a essa fase, foi citada a necessidade da criação de salas de amamentação e a capacitação de gestores e gestoras para lidar com temas como parentalidade, além do diálogo permanente.

Para a diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe, Maria-Noel Vaeza, “todas as iniciativas ali apresentadas para melhorias das condições de trabalho das mulheres são importantes formas de revolução. É fundamental seguirmos juntas e demonstrarmos que podemos fazer a diferença, seja por meio de levantamento de recursos financeiros ou de formas de trabalho que têm como objetivo criar uma sociedade mais justa. Temos que buscar a sustentabilidade e um dos elementos principais para isso está na melhoria dos serviços do Estado”. Por fim, Maria Noel ressaltou que “não podemos aceitar nenhuma forma de violência, seja no espaço público, no trabalho, em casa ou na sociedade”.

A série de eventos promovidos pela ONU Mulheres, OIT (Organização Internacional do Trabalho) e União Europeia se encerrou na quinta-feira (10/10), em São Paulo, com o Seminário Internacional Promovendo o financiamento inovador através do investimento inteligente em gênero: Experiências, oportunidades e desafios, que aconteceu no Hotel Transamérica São Paulo.

 

Informações para imprensa:

Joana Marins e Giovanna Jardim, InPress:

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(61) 99852-2330 e (61) 99970-2706

 

Gabriela Fogaça, Comunicação Regional Programa Ganha-Ganha:

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Isabel Clavelin, Assessoria de Comunicação da ONU Mulheres Brasil

61 3038 9140 | 99318 9393 | 98175 6315

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