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Estado Assassino: Mangueira prepara desfile de 2020

Autor: Redação Midia Ninja Data da postagem: 09:00 05/11/2019 Visualizacões: 82
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Estado Assassino: Mangueira prepara desfile de 2020/Imagem: Reprodução - Midia Ninja

Uma drag queen como Maria Madalena. Uma mulher negra, a mãe de Cristo.

Uma drag queen como Maria Madalena. Uma mulher negra, a mãe de Cristo. Leandro Vieira, carnavalesco da Estação Primeira de Mangueira no Rio de Janeiro, revela em suas redes sociais os bastidores chocantes do que poderemos conferir na Sapucaí em 2020. A escola busca o bi-campeonato com o enredo “A verdade vos fará livre”, também de Leandro Vieira. Neste ano, Mangueira foi a campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, com o enredo “História para Ninar Gente Grande”, levando à Sapucaí o legado de Marielle Franco, dos negros, indígenas e outras histórias que estão fora das narrativas oficiais.

“O Cristo de dois mil anos atrás é posto na situação do Brasil de dois mil anos depois. O Cristo que nasceu numa família pobre da Galiléia, nasce agora numa família pobre do Morro de Mangueira”, revela Leandro ao postar a foto com fantasia de “Maria das Dores Brasil”, a “tradução da mãe do Cristo ‘original’ mas também, uma extensão do sofrimento de milhares de outras mães nas periferias brasileiras que tiveram filhos vítimas de políticas públicas de violência e despreparo”.

Sobre Maria Madalena drag queen, Leandro dispara: “Quando a figura histórica de Maria Madalena ganha contornos estéticos associados a estética LGBT a conscientização sobre os crimes de ódio contra uma população que sofre na pele com a violência dos mecanismos ideológicos e repressivos passa a ser um dado artístico que leva ao debate dos direitos da minorias e de pautas que muitos pretendem tornar vazias”.

 
 
 
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#BastidoresDaCriação: O enredo de uma escola de samba é uma proposta artística. Como tal, ele se apresenta através de mecanismos lúdicos que tendem a despertar sensações. Esses "mecanismos" são a matéria prima do trabalho que realizo. Em "A verdade vós fará livre" - a peça artistica que desenvolvo para apresentar no carnaval de 2020 - o Cristo de dois mil anos atrás é posto na situação do Brasil de dois mil anos depois. O Cristo que nasceu numa família pobre da Galiléia, nasce agora numa família pobre do Morro de Mangueira. Há dois mil anos atrás Cristo foi julgado bandido, seu corpo torturado e quem o matou, foi o Estado. Muitas vezes o Estado é sim assassino. Não faltam exemplos para justificar que ele - O Estado - nunca deixou de "pegar alguém pra Cristo." A fantasia, "Maria das Dores Brasil" é então uma tradução da mãe do Cristo "original" mas também, uma extensão do sofrimento de milhares de outras mães nas periferias brasileiras que tiveram filhos vítimas de políticas públicas de violência e despreparo.

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#BastidoresDaCriação: Um pouquinho das minhas ideias para o carnaval 2020 em cores e formas começa a se tornar pública. Bora vestir nossas bandeiras Estação Primeira? Na foto, minha versão para a ala "MARIA MADALENA ANO 2.000." "No imaginário popular, Maria Madalena ficou muito associada ao pecado. Mas sua figura histórica é a da mulher oprimida que foi defendida por Cristo. Ela seria apedrejada, e Jesus disse: ‘quem não tem pecado que atire a primeira pedra’. Cristo sempre se colocou ao lado dos oprimidos, nunca dos opressores. E é esse, o princípio do enredo da Mangueira: Cristo como difusor da fraternidade e combatente da opressão." Quando a figura histórica de Maria Madalena ganha contornos estéticos associados a estética LGBT a conscientização sobre os crimes de ódio contra uma população que sofre na pele com a violência dos mecanismos ideológicos e repressivos passa a ser um dado artístico que leva ao debate dos direitos da minorias e de pautas que muitos pretendem tornar vazias. O país que mais mata homossexuais no mundo é o mesmo país que se registra como sendo 90% cristão. Há nessa informação um dado no mínimo discrepante. É dessa discrepância que nasce a centelha criativa que me leva a criar a "Maria Madalena de Mangueira". Para a teóloga Rose Costa, professora da PUC-Rio, trata-se "de uma abordagem bastante correta e coerente com o que está no Evangelho. Maria Madalena, por exemplo, foi marginalizada em seu tempo, considerada adúltera, e foi acolhida por Jesus, que é, sim, um ser político, que questionou a estrutura de poder de seu tempo".

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