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Quase metade das mulheres já sofreu assédio sexual no trabalho, diz pesquisa

Autor: Débora Freitas Data da postagem: 14:00 13/10/2020 Visualizacões: 90
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Quase metade das mulheres já sofreu assédio sexual no trabalho, diz pesquisa/Reprodução: BM News

A pesquisa foi feita no início deste ano, portanto antes da pandemia

Quase metade das mulheres que atuam no mercado de trabalho sofrem ou já sofreram assédio sexual no ambiente corporativo. É o que mostra uma pesquisa elaborada pela consultoria de inovação social, Think Eva, em parceria com a rede social LinkedIn, divulgada nesta terça-feira (06). (leia mais abaixo)

Isso porque, da cerca de 400 mulheres ouvidas pelo levantamento – com idades de 18 a 60 anos – 47% delas afirmaram já ter sofrido assédio sexual. A pesquisa foi feita no início deste ano, portanto antes da pandemia. Mas, durante o período de isolamento social o LinkedIn também viu o assédio crescer no ambiente online, proporcionalmente ao aumento de 55% das conversas entre os usuários na plataforma, quando comparado março de 2019 a março de 2020.

Definido pelo código penal como "ato de constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual", a análise também mostra que o assédio sexual nas empresas também varia de acordo com a situação econômica das mulheres e da raça.

Segundo os dados, entre as mulheres que mais sofreram assédio, estão as que ocupam cargo de assistente, com 32,5%. Na sequência, aparecem as que estão em posições de pleno ou sênior, com 18,6% e estagiárias, 18,1%. Mulheres em cargos de liderança, como diretoras, são as que menos sofrem: apenas 2,4% relataram sofrer assédio.

"E mesmo que o número de mulheres que ocupam posições hierárquicas mais altas sejam quantitativamente menores, o assédio não deixa de ser uma realidade", diz o relatório. "Entre as entrevistadas que declararam desempenhar a função de gerente, 60% afirmaram terem sido vítimas de assédio. No caso de diretoras, o número chegou a 55%", aponta o estudo.

Mulheres negras sofrem mais

De acordo com a pesquisa, a desigualdade social e de raça provoca uma maior suscetibilidade a trabalhos precarizados e, assim, maior violação aos direitos.

Não à toa, 52% das vítimas são mulheres negras (pretas e pardas). Além disso, 49% possuem uma renda entre dois e seis salários e 63% delas estão na região norte do país.

"Partindo do cenário de objetificação e hiperssexualização do corpo da mulher, a pesquisa reconhece o racismo como um dos fatores que agravam a condição das mulheres negras", revela o documento. "Por isso, combater o ciclo do assédio sexual no ambiente de trabalho também passa por considerar essas especificidades."

Consequências do assédio

Uma das consequências é a evasão do mercado de trabalho: uma em cada seis vítimas pede demissão após passar por assédio.

Ainda de acordo com a pesquisa, na maioria dos casos o agressor não sofre punições. Já a vítima vê a sua performance profissional afetada, além de enfrentar perda de autoconfiança no ambiente de trabalho.

Nas classes mais baixas, 55% das mulheres declararam sentimento de insegurança. O índice é 11 pontos percentuais maior que a média geral. 

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