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Das Pretas promove inclusão negra na economia digital com tecnologia social

Autor: Redação Forbes Data da postagem: 14:00 16/02/2021 Visualizacões: 152
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Organização liderada pela advogada Priscila Gama avança com iniciativas que sanam as necessidades de clientes como EDP, Águia Branca, Arcelor Mittal e Vale/Reprodução: Forbes

Para atender às demandas de transformação digital de grandes corporações e da sociedade, a organização Das Pretas, de Vitória, avança com um laboratório de projetos e iniciativas que tocaram mais de 100 mil pessoas desde sua fundação, em 2015.

Liderada pela advogada Priscila Gama, a organização é dirigida por mulheres e emprega somente pessoas negras e periféricas. Especializada em tecnologia social, a Das Pretas busca caminhos digitais para endereçar as necessidades de seus clientes, que incluem empresas como EDP, Águia Branca, Arcelor Mittal e Vale, com foco no legado positivo que essas iniciativas trazem para as pessoas impactadas na ponta.

Considerando o contexto atual, em que empresas enfrentam desafios para encontrar formas inclusivas de se adaptar a uma realidade hiperdigital, a ativista afirma que sua startup faz isso desde sua gênese: “Pessoas pretas escutam a vida toda que é necessário estudar e trabalhar para garantir o futuro, e muitas vezes esse futuro nunca vem. A Das Pretas tem fome de viver o futuro no presente, de construir possibilidades.”

Para além de simplesmente incluir pessoas negras no desenho e na realização de projetos, Priscila quer sofisticar o debate sobre as nuances da inovação. “Sinto que as empresas, de forma geral, estão preocupadas em construir a inclusão, mas de uma forma muito rasa e limitada. Não se fala em camadas mais densas, como o pertencimento, respeito e a permanência dessas pessoas na empresa. Esses três fatores são o que gera a inovação de forma dinâmica, ágil e perene.”

Outros aspectos incluem um olhar diferenciado para a coleta e utilização de dados, bem como o desenvolvimento de algoritmos. “O que muitos não percebem é que a tecnologia, a automação, o desenvolvimento matemático de modelos fazem parte da ancestralidade do nosso povo – então é natural que busquemos atualizar e amplificar esses diálogos, que residem em nosso DNA, na diáspora contemporânea,” ressalta a empreendedora, acrescentando que o trabalho nesse âmbito é feito de forma a não violentar a população negra.

“Os algoritmos estão em tudo: na saúde, na educação, na segurança, na política. Embora estejamos falando sobre isso de forma superficial, a discussão sobre algoritmos racistas é muito mais sobre decidir quem vive e quem morre, quem tem direito e quem tem a sentença, do que quem tem engajamento em uma plataforma ou não.”

Os projetos comerciais e as parcerias institucionais garantem a sustentabilidade do Das Pretas, bem como o desenvolvimento de múltiplas iniciativas de cunho social. Isso inclui o festival anual Encontro das Pretas, que acontece em Vitória e foi realizado online pela primeira vez em novembro, o Afetiva, programa de aceleração de empreendedoras negras com patrocínio do Consulado dos Estados Unidos que começa em dezembro, uma escola de tecnologia para negros e o Fortalece, marketplace que Priscila descreve como o “Rappi da periferia” e para o qual busca apoio. “É um projeto de rearranjo econômico no Brasil profundo. Existe um gap e falhas consideráveis quando falamos da atuação dos aplicativos de delivery tradicionais na periferia.”

Priscila prevê que a real mudança virá com a compreensão de líderes sobre a necessidade de um debate mais aprofundado: “O investimento em tecnologia para a redução da desigualdade é urgente. Se as empresas querem causar mudanças na questão racial, precisam cocriar com pessoas que dançam essa música. Essa transformação não vai existir sem nós”.

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