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Escravidão, mácula, luta, justiça

Autor: Adolfo Brás Sunderhus Filho Data da postagem: 16:00 16/11/2016 Visualizacões: 6124
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Escravidão, mácula, luta, justiça / Foto: Obvious

Quem dera o racismo tivesse acabado em 1888! Foram 388 anos de escravidão, são 516 anos de racismo.

Desde que foi imposto o modelo civilizatório europeu sobre o Brasil até hoje já se passaram 516 anos de História. Desses, 388 foram marcados pelos horrores e abusos da escravidão.

Por motivos dos mais inúmeros e todos eles injustificáveis, negros africanos foram escravizados, explorados, abusados, tratados como o pior dos animais, sendo sequer considerados seres humanos, chegando a ser tidos como demônios sem alma. Tal visão foi muito presente no imaginário europeu por mais de cinco séculos e se propagou por outras partes do mundo. Entre os séculos XV e XIX, com o colonialismo e o imperialismo/neocolonialismo.

Fruto do passado colonial, nossa sociedade contemporânea, mesmo depois de mais de um século, ainda demonstra as marcas desse passado vergonhoso, mas que não pode ser esquecido. Diversos povos foram destroçados pela escravidão, pelo pensamento de que o europeu era superior, que o "homem branco" era a raça pura. Ao longo dos séculos foram deturpados os mais diversos pensamentos e estudos para tentar justificar o injustificável. Utilizou-se a religião, utilizou-se a ciência. Disseram que Deus condenou, disseram que Darwin explicou. Até um ramo da medicina surgiu no século XIX, tendo como uma das bases o discurso do branco como raça pura e superior: a eugenia. A mácula da escravidão não é apenas brasileira, mas está em toda a civilização ocidental.

Em nossa sociedade o racismo sempre se fez presente e ainda é. Piadas preconceituosas, esteriótipos montados, comparações animalescas, olhares desconfiados, chegadas para o lado discretas. Em pleno século XXI isso tudo se faz presente. O preconceito está entranhado no "DNA" de nossa sociedade, está presente nos alicerces, é estrutural. O período de predominância da sociedade escravocrata no Brasil é três vezes maior do que o período dito "livre". Porém, o racismo ainda prevalece. Quem dera ele tivesse acabado em 1888, com a promulgação da Lei Áurea. Não! Ele não acabou! Ele se faz presente no fato de termos poucos médicos negros. Ele se faz presente quando observamos que em profissões de menor remuneração predominam negros. Ele se faz presente quando pesamos que um negro correndo pode ser um ladrão, mas quando vemos um branco correndo pensamos que ele está apenas cuidando da saúde.

A luta contra o preconceito deve ser constante, sem descanço. Mas, devemos lutar, devemos lembrar. O fim de preconceitos deve ser nossa meta. Para uma sociedade mais justa, devemos ter como prioridade a quebra desse grilhão. A escravidão pode ter acabado oficialmente em 1888, mas ela ainda se faz presente, ainda tem seus reflexos no Brasil e no mundo de hoje.

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