Ilustradora sobre projeto antirracista: 'As fronteiras nos atravessaram'

Autor: Louise Queiroga Data da postagem: 17:30 24/07/2017 Visualizacões: 758
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Artista criou o projeto antirracista "As cores não importam" - Foto: Instagram/Reprodução

Para a catalã Cinta Tort Cartro, de 21 anos, nenhum ser humano deveria ser ilegal

Embora as obras da ilustradora catalã Cinta Tort Cartro, de 21 anos, tenham ganhado destaque na mídia internacional na última semana por seu caráter feminista, os trabalhos que ela desenvolve vão muito além de ressaltar a beleza do corpo feminino e de promover o amor próprio. Ao GLOBO, a artista ressaltou que acredita também na importância de, por meio de suas pinturas, contribuir para a erradicação do racismo em âmbito global. Dessa forma, Cinta falou sobre seu projeto antirracista "#coloursdontmatter" que, em tradução livre, significa "As cores não importam".

— Por ser tão envolvida na luta antirracial, fico indignada e comovida pelas atitudes racistas com as quais nos encontramos. Então, vi a necessidade de criar um projeto pessoal para lutar contra o racismo — explicou Cinta, que assina suas obras como "Zinteta".

Ela disse que a ideia para criar o projeto surgiu há um ano e meio, quando participou de uma exposição chamada "Rostros de la Mediterránea" da plataforma "Stop Mare Mortum". Este projeto convidou artistas de todo o mundo a expor seus trabalhos como forma de reflexão a respeito da situação dos refugiados que atravessam o Mar Mediterrâneo rumo à Europa.

— Fui a vários atos relacionados ao acolhimento de refugiados e de apoio ao encerramento dos Centros de Detenção de Imigrantes — afirmou Cinta. — Para mim, nenhuma pessoa é ilegal, venha de onde vier e tenha a cor da pele que tiver. Ao redor de mim, com pouca diversidade cultural, me deparei com atitudes racistas e com pessoas que têm crenças sociais que, embora não percebam, são racistas. Nenhum ser humano é ilegal. Sempre pensei que as fronteiras nos atravessaram, e não o inverso. Luto por um mundo sem racismo — ressaltou a ilustradora, formada em Educação Primária pela Universidade de Barcelona.

Com isso, Cinta explicou que "As cores não importam" é um projeto que luta para acabar com o racismo.

— Pretendo acabar com as atitudes que menosprezam as pessoas, não importa de onde elas venham — frisou.


Para realizar as pinturas, a jovem contou que usou alguns modelos, mas em outros desenhos deixou sua imaginação guiá-la. Cinta disse ainda que costuma anunciar em suas redes sociais sobre quando seus trabalhos são expostos. — Os quadros do projeto #coloursdontmatter aparecem sempre nas minhas exposições, já que é um projeto muito importante para mim. Agora, por ser verão (na Espanha), não tenho nenhuma programada, mas espero poder ter exposições em diferentes espaços a partir de setembro — concluiu a artista.


 

"Te quiero Cinta muchicimo mua mua mua" Elena, 8 años. Elena es energía, luz, alegría, el abrazo que le da a su hermana mayor cuando la recoge, el beso en la mejilla que le da a su hermana pequeña. Elena es valiente, energética, espontánea, intensa. Elena y sus aventuras viajeras que te cuenta al llegar a clase, el abrazo con el que te recibe y las ganas de aprender. Elena te mira, te cuida, te mima, te observa. Busca tu mirada, tu abrazo, tu escucha y, al fin y al cabo, busca un poco de reconocimiento adulto. Elena quiere crecer, jugar, gritar, llorar, enfadarse, mancharse, reír, correr, bailar, soñar y cantar... como si no hubiera mañana. #coloursdontmatter Esto y mucho más este finde en el "Festival solidario por las personas refugiadas" en La Experimental de Barcelona. Estaré expondiendo mi proyecto #coloursdontmatter y vendiendo láminas. Todo el dinero recaudado irá destinado a la ayuda al refugiado. #zintetaart #stopracism #nooneisillegal #noborders

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PROJETO FEMINISTA: #MANCHOYNOMEDOYASCO

Cintia criou um projeto para promover o amor próprio - Instagram/Reprodução

Na última semana, as obras de Cinta ultrapassaram fronteiras. Ao iniciar, no mês passado, um ousado projeto artístico, a ilustradora tem ganhado cada vez mais destaque na imprensa internacional. Por meio da forma como aborda partes do corpo da mulher que normalmente são considerados um tabu, como os seios ou estrias, ou aspectos naturais da essência feminina, como a menstruação, a pintora criou o projeto "#manchoynomedoyasco" que, em português, significa "Não tenho nojo das minhas manchas de menstruação", em tradução livre.

"Cada um(a) de nós é diferente e, então, cada corpo é de uma forma ou de outra e tem sua própria essência e energia. Há muitos tipo de corpos, tal como há muitos tipos de estrias. Me dei conta disso sobretudo no dia que realizei essas produções", escreveu Cintia em uma rede social.

 

M'agrada quan ens abracem ???? #abrazos

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De acordo com ela, a diversidade das pessoas é uma riqueza. "Todos os corpos têm (mais ou menos) manchas, pelos, sardas, estrias, curvas, ou a falta delas, feridas, rugas...e todos são igualmente válidos. Já é hora de começarmos a amar o nosso porque, no fim das contas, esta é nossa ferramenta de comunicação com o mundo. E se não gostarmos da ferramenta que utilizamos, dificilmente poderemos nos sentir livres. Mais uma vez: se amar é um ato revolucionário", salientou.

"Eu passei anos as odiando e tentando encontrar uma maneira de eliminá-las, até que me dei conta de que se não as aceitá-las, eu não estava aceitando a mim mesma. Há alguns poucos anos, comecei a trabalhar o amor próprio e a aceitar e ver tudo o que há em meu corpo. Aceitar tudo isto é aceitar suas raízes, sua história, tudo o que tem nele e, no fim das contas, aceitar-se".

 

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