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Projeto Identidade Étnica Pessoas Cacheadas, Crespas e Trançadas de Maracanaú

Autor: Nalva Costa Data da postagem: 16:00 07/12/2017 Visualizacões: 3683
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Projeto Identidade Étnica Pessoas Cacheadas, Crespas e Trançadas de Maracanaú / Imagem: Emilly Mascarenhas - Divulgação

O Município de Maracanaú realiza há oito anos o Festival Afro Artes que envolve as escolas do Município. O Projeto Identidade Étnica Pessoas Cacheadas, Crespas e Trançadas de Maracanaú nasceu dentro das atividades para o Festival Afro Artes em junho de 2015 e se transformou em projeto permanente dentro do calendário escolar da EMEIEF Construindo o Saber.

O projeto tem como objetivo despertar as crianças e adolescentes para uma consciência étnica e crítica diante da sociedade, empoderá-los desenvolvendo neles a autoestima, para que assim, reajam diante do preconceito. O projeto conta com o apoio da Gestão Escolar ( Silvana Barbosa, Edvania Lopes e Norma Oliveira), Professores( Fundamental 1 e 2) e Colaboradores para realizar as atividades mensais.

O grupo formado por crianças e adolescentes se reúne no contra turno e em um sábado do mês  realizando atividades como palestras, rodas de conversas, dinâmicas, danças onde os alunos e alunas são protagonistas. Tais atividades vem trazendo para estas crianças e adolescentes (através do diálogo) a percepção da diversidade e beleza das histórias africanas, das experiências sociais de luta e resistência, enfim, valorizando-as , atingindo sua autoafirmação étnica que é a base principal deste projeto que tem como objetivos específicos: despertar na criança e adolescente a vontade de contar suas próprias experiências, fazendo-os descobrir-se valioso(a), estimulando-o(a) a resgatar sua autoestima, dando-lhe argumentos e segurança para discutir temas como racismo e religiosidade; além de despertar uma visão crítica para que a criança cresça percebendo o processo de exploração dos povos africanos e suas consequências, podendo contextualizar, historicamente, situações sociais atuais e ter embasamento para discutir questões que atualmente provocam bastante polêmica, como é o caso das cotas raciais e saber exigir seus direitos constitucionais de igualdade e respeito.

O trabalho de formação do grupo foi divido em etapas. Como temos o objetivo de desenvolvermos em nossos/nossas estudantes o sentimento de empoderamento diante da sociedade fez-se necessário no primeiro momento formar um grupo de estudos onde construiríamos um aparato teórico que fortaleceria a criticidade e autoestima dos envolvidos(as) no projeto. Discutindo conceitos como identidade étnica, racismo, empoderamento, tendo contato com textos centrados no assunto do projeto os(as) estudantes enriqueceram-se de argumentos e puderam discutir primeiramente em grupo e depois com outras pessoas que se inteiraram do projeto de uma forma mais consciente. Curta metragens, livros paradidáticos do material A Cor da Cultura, textos, trechos de artigos retirados de sites e também vídeos de canais do Youtube serviram de elementos para enriquecer estes momentos de estudo.

Posteriormente, para dar visibilidade ao projeto foi criado um grupo nas redes sociais (Pessoas Cacheadas, Crespas e Trançadas do Maracanaú) onde as alunas puderam convidar outros adolescentes para discutirem a questão de identidade racial, além de trocarem experiências de superação dos preconceitos, aconselharem quem ainda sofria preconceito e trocarem dicas estéticas. Desta forma o projeto foi ampliado e alunos e alunas de outras escolas do Maracanaú puderam fazer parte do projeto. Atualmente o grupo do projeto nas redes sociais tem cerca de 950 pessoas.(https://www.facebook.com/groups/1640584529513376/)

O grupo fez contato com pessoas que de alguma forma trabalham com a questão das africanidades para que estas pudessem nos visitar e dialogar sobre os diversos assuntos relacionados ao tema enriquecendo nossa luta contra o racismo e outras formas de opressão. Profissionais da educação, pesquisadores, militantes participaram de nossas reuniões.

Dos estudos e contatos com outros projetos (Projeto Erês) e pessoas de outros grupos de estudo (NACE- Núcleo de Africanidades do Ceará), secretarias estaduais de luta contra o racismo(CEPPIR), membros da Secretaria de Juventude de nosso Município e profissionais da Secretaria de Educação do Município (que realizam com os educadores formação continuada) sentimo-nos seguros para desenvolvermos dentro do grupo atividades que dessem mais visibilidade ao nosso trabalho.

As reuniões ocorrem mensalmente na escola. Os encontros são temáticos e em nossos diálogos já tivemos como temas: Representatividade importa sim; Mulheres negras empreendedoras; Orgulho de ser jovem negro; Transição e autoestima; Ser mãe de cacheada; Lugar de mulher é onde ela quiser ,dentre outros. A reunião se divide em momentos de diálogo com pessoas convidadas que fazem parte de outros grupos que lutam pela igualdade social. Rodas de conversa onde os envolvidos contam suas histórias muitas vezes de dor, mas também de superação. Há uma troca intensa de emoções neste momento. Posteriormente acontecem apresentações de arte onde as crianças e adolescentes são protagonistas. Finalizando as reuniões acontecem sorteios e lanche.

 O projeto produziu um curta metragem premiado pela Secretaria de Educação de Maracanaú onde as alunas definem empoderamento enquanto narram situações vividas por elas. Um banner para afirmar a autoestima das participantes, além de ter um espaço nas redes sociais que conta com cerca de 940 pessoas que trocam experiências e apoio. E dia 16/12/2017 realizará uma exposição de fotografias captadas por uma fotógrafa adolescente membro do projeto, Emilly Mascarenhas.

 O projeto tem como resultado dos diálogos travados dois livros. O primeiro com depoimento de situações vividas pelas alunas. O segundo traz as palestras, depoimentos e dinâmicas desenvolvidas ao longo dos dois anos do projeto. Dois anos comemorados com uma reunião especial com o tema “Lugar de mulher é onde ela quiser” quando recebemos uma mulher mecânica de aeronaves.

O projeto não se fecha na escola Construindo o Saber, pois tem o intuito de formar uma rede colaborativa contra o preconceito em várias escolas do Maracanaú. Nas últimas reuniões participantes de outras escolas contribuíram e levaram nossa ideia para fomentar grupos de identidade étnica em outras escolas. Recebemos em cada reunião entre alunos e alunas da escola, pais, estudantes de outras escolas de Ensino Fundamental e Médio, estudantes universitários, membros da comunidade cerca de 100 pessoas que reunidas no pátio da escola forma um coro que ecoa contra o racismo e todas as formas de opressão.

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