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A morte e a morte de Geraldo Pereira

Autor: Alvaro Costa e Silva Data da postagem: 17:00 09/01/2018 Visualizacões: 1664
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Geraldo Pereira na capa de disco em sua homenagem, lançado na década de 1980 / Foto: Reprodução - Folha de São Paulo

No enterro de Geraldo Pereira, um sujeito baixinho e mirrado chegou perto de Cyro Monteiro e balbuciou, compungido: "Mas que coincidências, seu Cyro, que coincidências...". O cantor não entendeu nada: seriam as condolências que ele queria dar?

Geraldo Pereira, cujo centenário de nascimento comemora-se em 2018, foi o mais brilhante cultor do samba sincopado. Compôs "Bolinha de Papel", "Cabritada Malsucedida", "Escurinha", "Escurinho", "Pisei num Despacho", "Que Samba Bom", "Juraci", "Falsa Baiana" (este um samba simplesmente perfeito). Alto, magro, sorriso sempre aberto, excelente dançarino e sapateador. Fez pontas no teatro e no cinema. Elegante, na definição de outro sambista, Bucy Moreira, era um "cabrocho adandizado".

Desde a adolescência, ele levou uma vida da pá-virada, desregrada, perdendo noites em farras e bebendo demais. De porre, envolveu-se numa briga com Madame Satã, no bar Capela, no largo da Lapa. Na famosa entrevista do malandro-travesti ao "Pasquim", ele dá sua versão do fato: "Ele me disse uma porção de palavras obscenas, eu nem sei dizer essas coisas. Aí eu perdi a cabeça, dei um soco nele, ele caiu com a cabeça no meio-fio e morreu".

Na verdade pouca gente viu a briga. Mas, no futuro, muitos disseram tê-la testemunhado, sem ao menos saber onde ficava o antigo Capela. A certidão de óbito indica que Geraldo morreu, aos 37 anos, em 8 de maio de 1955. Ocupava uma enfermaria no segundo andar do Hospital dos Servidores, no Rio, com o organismo em pandarecos, sobretudo o aparelho digestivo. Cyro Monteiro chegou a visitar o amigo doente na enfermaria.

Será que até 23 de abril, dia em que compositor nasceu em Juiz de Fora, alguém consegue desvendar esse mistério que lembra o título de um livro de Jorge Amado, "A Morte e a Morte de Geraldo Pereira"?

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