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Dançarinos de NY, Curitiba e Rio trocam experiências artísticas e urbanas em residência

Autor: Paula Autran Data da postagem: 16:00 17/01/2018 Visualizacões: 532
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Intercâmbio de dança de rua no Teatro Cacilda Becker - Leo Martins / Foto: Agência O Globo

Encontro no Teatro Cacilda Becker termina sábado, com apresentação gratuita

Um dançarino carioca chegou atrasado a um dos ensaios no Teatro Cacilda Becker, na Zona Sul da cidade, por causa da morte de um policial na comunidade do Jacaré, na Zona Norte. Outro dançarino, americano, contou aos demais os detalhes da reação violenta da comunidade de sua cidade, Chicago, por ocasião da morte de um jovem negro, alvejado por um policial. Um terceiro, paranaense, começou então a achar que seu bairro, tido como um dos mais violentos de Curitiba, nem é tão perigoso assim.

Mesmo fazendo parte de grupos de dança de rua completamente diferentes, nas últimas quatro semanas esses três dançarinos com problemas parecidos têm se encontrado no Catete para trocar experiências artísticas e urbanas. O resultado desta mistura poderá ser conferido no próximo sábado, na mostra final da residência artística “Desmistifique sua dança”, no Cacilda Becker.

O espírito de união da turma nasceu no último mês, durante as oficinas realizadas com esses 15 rapazes, com idade entre 16 e 27 anos. Nesse período, eles tiveram aulas práticas e teóricas de ritmos que vão do forró e da capoeira ao footwork (neste caso, com o dançarino e coreógrafo de Chicago King Charles, que já dançou com Madonna e Will I Am, do Black Eyed Peas).

Todo o movimento só foi possível graças a um intercâmbio internacional que reúne no Rio dançarinos do projeto It’s show time NYC!, de Nova York; integrantes do Imperadores da Dança, grupo de passinho de Manguinhos, no Rio; e os Bboys, de Curitiba.

“VOU LEVAR UM POUCO DO BRASIL”

No palco e fora dele, a linguagem em comum é a corporal, já que os brasileiros não falam inglês, nem os americanos, português.

— É preciso ter muita atenção ao que dizem o rosto e o corpo deles — diz Soho da Flyest, do projeto It’s Show Time NYC!, criado em 2015 no sul do Bronx para apoiar dançarinos de hip-hop, enquanto ensaia coreografias de Marcos Paulo Daniel Caroba, o Bboy Marquinhos. — As danças são completamente diferentes. Vou levar um pouco do Brasil comigo.

Detalhe: os passos que o Bboy “ensina” a ele são de uma dança que nasceu em Chicago, o Chicago Foot, e que os curitibanos dançam a seu modo no Brasil.

— Ele traz a essência de lá — diz Marquinhos, que não conhecia o Rio e também nunca tinha visto o passinho na vida. — Primeiro pensei que não teria como absorver nada do passinho, mas tem muita coisa interessante.

Representante do Imperadores da Dança (que já apresentou o passinho até nas Olimpíadas de Londres), William Severo dos Santos, o Severo 25, também não conhecia o Chicago Foot:

— Foi nosso primeiro contato com uma dança que tem 37 anos lá. Sem contar que aprendi o que é o verdadeiro frevo, e que este nome se refere ao ritmo. A dança se chama passo.

Todas as atividades da residência artística são coordenadas por Marila Velloso, professora da Unespar, em Curitiba, e por Hugo Oliveira, mestre em Cultura pela UFF, com pesquisa sobre a Dança Passinho. Ambos também são dançarinos e, agora, tradutores de plantão do grupo.

— O passinho vem do lundu, do samba, da capoeira, do break, do frevo (o sobe e desce, a mão no chão). Eles bebem em todas as fontes — explica Hugo. — Costumo definir esse estilo como síntese de outras danças que se constituiu numa dança de identidade própria.

Segundo Marila, que idealizou o projeto, o objetivo não é mudar os estilos dos dançarinos, mas alavancá-los:

— Eles têm autonomia para coreografar. A gente só os direciona, para que aproveitem seu potencial de inovação.

Serviço:

“Desmistifique sua dança — Mostra final"

Onde: Teatro Cacilda Becker (Rua do Catete, 338,Catete). Quando: Sábado (20h). Quanto: Grátis. Classificação: Livre.

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