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Qual é a cara do rap BR? Rincon Sapiência fala de moda e cultura afro

Autor: Redação Capricho Data da postagem: 14:00 28/01/2019 Visualizacões: 200
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Qual é a cara do rap BR? Rincon Sapiência fala de moda e cultura afro / Foto: Andreh Santos - Reprodução - Capricho

Eclético, Rincon diz que curte garimpar brechó e escuta de tudo um pouco!

Gente boa! Essa é uma das características que deu pra ver logo de cara, quando encontrei com o Rincon Sapiência, também conhecido como Manicongo, para esse bate-papo. Quem ainda tem a imagem estereotipada de que todo rapper é bravo ou vive com cara amarrada, precisa se desconstruir e conhecer o descontraído Rincon. Além da leveza e personalidade nos palcos, no backstage, o rapper não é diferente e distribui sorrisos e abraços pra geral.

Agora, dá pra entender a quantidade de parcerias que ele carrega em sua carreira. Nx Zero, Drik Barbosa, Rubel, Clau, Tropikillaz e IZA estão na lista de feat. Modéstias à parte, ele confessa que a boa relação com a galera da música ajuda na hora desses encontros.

Além das amizades, Rincon também contou que é muito atento com o conteúdo das suas composições e busca divulgar a cultura afro sempre que possível. Um exemplo da relação da música com a temática racial é o clipe da música Crime Bárbaro, do álbum “Galanga Livre”. Nele, Rincon interpreta a saga de um escravo que luta por sua liberdade, fazendo uma comparação com a violência e perseguição contra os negros ainda existente.

Na entrevista, Rincon falou sobre música, cultura negra e da sua relação com a moda.

Ana: Como você vê o cenário do rap nacional atualmente?

Rincon: O trabalho do rap brasileiro sempre teve qualidade, mas agora essa qualidade tá chegando pra mais pessoas. E a gente tem que saber usar dessa visibilidade pra mostrar a beleza da nossa cultura e arte. Os artistas estão em um consenso que devemos ocupar mais espaços, e estamos conseguindo isso ao longo do tempo.

Vários artistas já te convidaram para fazer parcerias. Como esses encontros acontecem?

Eu tenho uma relação legal com vários artistas e, naturalmente, o universo acaba propondo um encontro. Eu levo um pouco do meu universo para o outro artista e ele traz pro meu também. Tenho essa honra de poder ter gravado e colaborado com pessoas que sou fã.

Suas músicas conseguem reunir diversos estilos musicais. Isso reflete o que você escuta?

Com certeza! Essa mistura faz parte da minha formação. Eu vim do samba, rap, música norte americana, reggae, eletrônico, rock. Tive a honra de conhecer nessa caminhada a galera do funk, o Sidnei Magal, Rubel, Lia de Itamaracá. Tô sempre aberto para colaborações, independentemente de ser do rap ou não.

No ano passado, você lançou, intencionalmente, o clipe da música Galanga Livre no Dia da Abolição da Escravatura. Qual foi o intuito dessa escolha?

A gente acaba aproveitando dessas datas e situações pra chamar atenção em relação a esses fatos, como abolição da escravatura e o aniversário de Zumbi dos Palmares, além de lembrar que existiram outras lideranças como Rainha Nzinga. Então, a música acaba sendo uma ferramenta pra fortalecer essas ideias e levar ela pra mais pessoas. Por isso, costumo jogar dessa forma e misturar entretenimento com informação.

Você na moda mais um meio para expressar sua arte?

A moda sempre pertenceu à cultura preta. A linguagem visual era usada pra identificar uma tribo, fase da vida, lugar dentro da hierarquia. Na nossa cultura sempre foi normal se comunicar com a moda. Acho que só estou dando continuidade pro contemporâneo, de algo que a gente sempre fez culturalmente

E quais são os lugares que você mais encontra peças no seu estilo?

Eu tento ter bom gosto. Vejo algo legal no brechó e levo. Se tiver algo de uma grife cara e tiver como pagar, levo também. Mas acho que o que vale realmente é o bom gosto, a combinação das peças e isso não tem a ver com a grana que você tem, mas sim com o seu próprio diálogo.

Que recado você deixaria para os jovens negros?

Procurar se conhecer cada vez mais, buscar informação. Quanto mais a gente se conhecer, seja esteticamente como historicamente, mais nos fortalecemos. Essa acaba sendo uma arma que a gente consegue fazer tudo, se amar, combater às adversidades com conhecimento. E tentar ser feliz!

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