Do samba, ao Rap e atualmente o Funk

Autor: Redação CEERT Data da postagem: 18:00 06/03/2019 Visualizacões: 501
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Do samba, ao Rap e atualmente o Funk / Foto: Divulgação

Esses ritmos contam não apenas a vivência das comunidades negras, como também retratam as relações (raciais) na sociedade brasileira. 

A cultura afrobrasileira historicamente é marginalizada, vista como algo menor e de pouca relevância. Entenda!

A origem dos três ritmos no Brasil:

 

Samba

O samba foi introduzido no Brasil no período colonial pelos escravizados africanos, sendo portanto, um estilo que provém da fusão entre as culturas africana e brasileira.

Inicialmente, as festas de danças dos negros escravizados na Bahia eram chamadas de "samba". A manifestação durante muito tempo foi considerada um estilo de música e dança criminalizado e visto com preconceito, devido às suas origens negras.

Rap

O rap surgiu no Brasil em 1986, na cidade de São Paulo. Os primeiros shows de rap eram apresentados no Teatro Mambembe pelo DJ Theo Werneck. Na década de 80, as pessoas não aceitavam e discriminavam o rap, pois consideravam este estilo musical como sendo algo violento e tipicamente de periferia.

Na década de 1990, o rap ganha as rádios e a indústria fonográfica começa a dar mais atenção ao estilo. Os primeiros rappers a fazerem sucesso foram Thayde e DJ Hum. Logo a seguir começam a surgir novas caras no rap nacional: Racionais MCs, Pavilhão 9, Detentos do Rap, Câmbio Negro, Xis & Dentinho, Planet Hemp e Gabriel, O Pensador.

O rap começava então a ser utilizado e misturado por outros gêneros musicais. O movimento mangue beat, por exemplo, presente na música de Chico Science & Nação Zumbi fez muito bem esta mistura.

Funk

Trazido para o Brasil no final dos anos 1970, os primeiros bailes funks eram realizados na Zona Sul do Rio de Janeiro (área nobre da cidade). Apenas com o crescimento da MPB e do uso do “Canecão” – local onde os bailes aconteciam – para shows desse gênero que os “Bailes da Pesada” começaram a adentrar o subúrbio. Esses encontros aconteciam semanalmente, mas em clubes diferentes, como descritos na obra “DJ Malboro no funk”, de Suzana Macedo. No final dessa mesma década, com a imprensa descobrindo o funk, ele começa a se espalhar por todo o país. Trata-se da popularização de um movimento que, até então, era produzido na periferia e para a periferia.

Na troca de milênio, o funk também passou por mudanças. Não somente em seu lugar de origem (periferia), agora ele toma conta das casas noturnas, academias e tantos outros lugares frequentados, em sua maioria, pela classe média. Nessa mesma época os “bondes” começavam a fazer sucesso, como, por exemplo, o Bonde do Tigrão.

Em seguida, as mulheres também entraram no gênero. Tati Quebra-Barraco, como é conhecida a MC, foi uma das precursoras do funk cantado por mulheres. Seus principais sucessos da época são “Boladona” e “Sou feia, mas tô na moda”. As letras de suas músicas falam de sexo, empoderamento e liberdade.

Relação entre o rap e o samba já é tradicional no Brasil

Tanto o rap quanto o samba saíram do mesmo buraco, dos extremos periféricos. Esse é certamente o ponto de intersecção entre os dois gêneros musicais. Retratar cotidianos e a dura realidade de quem vive à margem da sociedade sempre foi uma bandeira, ainda que de um jeito brando e cadenciado, como o samba, ou de forma mais direta , brusca e contundente, como o rap.

O rap surgiu para o mundo sampleando o funk norte-americano. No Brasil, ele acabou se "apropriando do samba" até para dar mais identidade ao gênero musical.

Entretanto, o funk como um dos estilos que também surgiu nas periferias brasileiras, acaba por sofrer a mesma preseguição e discriminação antes direcionada ao samba e o rap.

Em 2017 houve a tentativa de validar projeto de lei de criminalização do funk repetindo assim a história do samba, da capoeira e do rap

A proposta dizia apenas: "É fato e de conhecimento dos brasileiros, difundido inclusive por diversos veículos de comunicação de mídia e internet com conteúdos podre (sic) alertando a população o poder público do crime contra a criança, o menor adolescente e a família. Crime de saúde pública desta 'falsa cultura' denominada funk" - Romário Faria (PSB-RJ).

A possível criminalização do funk causou muita revolta na época. Adeptos da música diziam que, apesar de o ritmo ser um dos mais tocados no país, ainda sofre repressão e preconceito. Especialistas afirmavam que a proposta legisativa lembra perseguições sofridas por ritmos e manifestações surgidas dentro da comunidade negra, como o samba, a capoeira e o rap.

Fontes:

https://www.todamateria.com.br/samba/

https://www.suapesquisa.com/rap/

https://www.politize.com.br/funk-no-brasil-e-polemicas/

https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/rela%C3%A7%C3%A3o-entre-o-rap-e-o-samba-j%C3%A1-%C3%A9-tradicional-no-brasil-1.461113

https://g1.globo.com/musica/noticia/projeto-de-lei-de-criminalizacao-do-funk-repete-historia-do-samba-da-capoeira-e-do-rap.ghtml

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