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Curso FEUSP: Le rap - une écriture sensible (O rap - uma escrita sensível)

Autor: Mônica do Amaral Data da postagem: 13:27 23/04/2019 Visualizacões: 927
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Curso FEUSP: Le rap - une écriture sensible (O rap- uma escrita sensível) / Foto: Reprodução - Music Journal

Disciplina de Pós-Graduação na FEUSP condensada: O rap, uma escrita sensível

Curso condensado de pós: Le rap - une écriture sensible (O rap- uma escrita sensível)

Professores: Profa Dra. Mônica do Amaral e Prof. Dr. Christian Béthune 

Dias: 25/04- das 19:30hs às 22hs ; 29/04 - das 14hs às 17:30hs e 30/04 - das 10hs às 12:30hs; das 14hs às 17:30hs

25/04 - das 19:30hs às 22hs - Conferência : Les rappeurs: les nouveaux Cyniques? (Os rappers: os novos cínicos?) – Prof. Dr. Christian Béthune (Sorbonne)

29/04- das 14hs às 17:30hs -  A la recherche du gros Perdu (Em busca do mano perdido) – Prof. Dr.  Christian Béthune

30/04- das 10hs às 12:30hs -Do cinema de vanguarda ao vídeo-clipe dos Racionais MC’s: uma discussão a partir de Vilém Flusser, Walter Benjamin e T.W.Adorno – Profa Dra. Mônica do Amaral (Em colaboração com os pós-graduandos  e artistas do hip-hop, Cristiane Dias e Daniel B Olmedo Tejera)

Objetivos:

Ao contrário de outros países, na França, acadêmicos e professores geralmente dão pouco crédito ao valor educacional ou educativo da cultura hip-hop. Este curso condensado pretende salientar como, não apenas o trabalho musical, mas principalmente o uso da linguagem, é capaz de desenvolver habilidades em alunos que são refratários ao sistema escolar, abrindo-os, com base em sua própria experiência, à aprendizagem de assuntos pelos quais geralmente não demonstram muito interesse (prosódia, versificação, análise gramatical e lexical, etc.), a partir de uma experiência criativa na qual os alunos tornam-se atores de seu próprio aprendizado, com vistas a uma produção poética. Por fim, ao promover o trabalho em equipe e a colaboração participativa, a produção do rap permitiria o desenvolvimento entre os jovens colocados à margem um senso de vida em grupo e social. De acordo com esta perspectiva de ação pedagógica, não se trata mais de produzir um objeto fictício guiado por um único propósito, ou seja, de avaliação escolar, mas de produzir um objeto poético que será sujeito a uma avaliação real tomando em consideração o gosto de cada um.

Justificativa:

O curso pretende oferecer elementos para aprofundar o debate sobre o sentido filosófico da estilística adotada pelos rappers, uma vez que estes parecem se aproximar do Cinismo na Antiguidade, ao apresentar o mesmo gosto pela provocação, o mesmo sentido da fórmula, a mesma denúncia daqueles cujos atos e palavras se contradizem. Mesmo ponderando sobre as diferenças entre uma linguagem e outra, dada a distância no tempo que os separa, tratam-se de reflexões essenciais para se repensar a emancipação social e a construção de(s) novas identidade(s) epistêmicas na atualidade.

Conteúdo/Ementa:

Farão parte do curso: a conferência que será proferida pelo professor convidado, sob o título: Les rappeurs: les nouveaux Cyniques?  (Os rappers: os novos cínicos?),  no dia 25/04/2019, no âmbito do Colóquio Internacional Educação sem retrocesso, na FEUSP, a ser realizado nos dias 25 e 26/04;  e outras duas nos dias :  29/04 - A la recherche du gros Perdu (Em busca do mano perdido),Prof. Dr. Christian Béthune,  das 14hs às 17:00hs; e no dia 30/04 - Le rap, une poétique sensible : au-delà du thème de l'incompétence linguistique (O rap, uma poética sensível: para além do tema da incompetência linguística) - Prof. Dr. Christian Béthune,  das 14hs às 17:00hs.Porfim, teremos outra conferência dada pela Profa Dra Mônica do Amaral  em colaboração com os pós-graduandos  e artistas do hip-hop, Cristiane Dias e Daniel B Olmedo Tejera), no dia 30/04 - Do cinema de vanguarda ao vídeo-clipe dos Racionais MC’s: uma discussão a partir de Vilém Flusser, Walter Benjamin e T.W.Adorno -  das 10hs às 12:30hs.

A la recherche du gros Perdu (Em busca do mano perdido): Este trabalho tem como objetivo mostrar como os rappers franceses do "113", um grupo multiétnico (norte-africano, oeste indiano), subverteram o adjetivo “Gros”(gordura) frequentemente usado de maneira fática em francês para pontuar uma fórmula, por exemplo: "Como está indo grande? " "Você está vindo grande? "Eu tenho um trabalho grande! "... Sim, grande! ".Na verdade, a palavra "gros" repetida muitas vezes no rap Yeah Fat! sugere outra palavra "khô" abreviação de khouia (meu irmão) também usada em árabe. O fonema kh / X / peculiar ao árabe então vem sub-repticiamente para substituir o fonema francês "gr" e contamina o idioma principal para dar uma expressão da minoria. Essa contaminação da cultura principal por uma cultura menor (de minoria) é uma constante de culturas oprimidas ou depreciadas que buscam sobreviver apesar dos arranjos institucionais estabelecidos para eliminá-las (em primeiro lugar na escola). O que os 113 fizeram enigmaticamente em 1999 será feito abertamente em 2000 pelo grupo "Lunatic", os dois rappers falarão abertamente sobre o seu "khô".

Le rap, une poétique sensible : au-delà du thème de l'incompétence linguistique (O rap, uma póetica sensível: para além do tema da incompetência linguística). Esta apresentação pretende ampliar o que foi exposto como exemplo em " A la recherche du gros Perdu”.

Na França, a instituição escolar sempre foi uma continuação das principais reformas iniciadas por Jules Ferry no final do século XIX. Na época, segundo a concepção do legislador, a escola tinha que impor a língua principal em toda a França: as minorias dos povos bascos ou bretões que usavam sua língua regional eram punidos (eles eram obrigados a comer terra, sua boca era lavada com sabão!)

No final do século XX e início do século XXI, a escola funciona mais ou menos explicitamente como uma ferramenta para impor a cultura dominante. Seu discurso é construído em grande parte contra a cultura das cidades, a escola não só luta em nome do secularismo, mas também no limite em nome da educação/polidez. Nesse sentido, também se opõe ao verlan, ao vocabulário e aos usos da língua empregados pelos alunos dos "distritos sensíveis" em nome do "bom francês", da língua principal.

Isso explica por que, em geral, o rap é muitas vezes negligenciado por instituições educacionais, que o veem como uma oportunidade de desviar os alunos do uso adequado da linguagem em nome de uma correção linguística padronizada.

Isto não quer dizer aqui que a escola não deva ensinar aos alunos o uso correto do francês, mas sim mostrar como, ao se apoiar nas práticas poéticas iniciadas pelo rap, os professores poderiam encorajar os estudantes a serem os atores de suas próprias produções linguísticas e a partir deste trabalho, propor uma reflexão mais geral sobre a língua e seu uso.

Les rappeurs : les nouveaux Cyniques?

Muitas vezes se quis ver no rap a expressão de uma filosofia. Nesta exposição, pretende-se explorar a relação de proximidade que eventualmente possa existir entre o cinismo antigo de Antístenes e Diógenes e o que os rappers praticam : até mesmo o gosto pela provocação, o mesmo sentido da fórmula, a mesma denúncia daqueles que não agem de acordo com seus atos e palavras. Certamente, há quase 2.500 anos de diferença, as condições para a manifestação de um cinismo filosófico e as formas usadas pelos modernos e antigos diferem significativamente. São essas convergências e essas diferenças que se pretende destacar dos exemplos.

Este trabalho acabará sendo uma oportunidade para refletir sobre o caminho percorrido pela filosofia ocidental que, ao longo do tempo, privilegiou a escrita e a reflexão teórica em detrimento da palavra e da prática da vida cotidiana.

Do cinema de vanguarda ao vídeo-clipe dos Racionais MC’s: uma discussão a partir de Vilém Flusser, Walter Benjamin e T.W.Adorno - Vilém Flusser (1985,1987) anuncia a falência do universo da escrita, dado o predomínio da tecnoimagem na era póshistórica, que pode conduzir a um estado de irreflexão e de desumanização do Homem em contraposição à estética do jogo. Estas contradições e ambiguidades apontadas por Flusser remetem-nos ao debate entre Adorno e Benjamin sobre a função da arte na era da reprodutibilidade técnica nos anos 1930, que é retomado por Adorno nos anos 1960, em que este admite que o filme possa conter algo de liberador. Inspirados nesse debate, analisaremos como o choc póstumo propiciado pela fotografia e pelo cinema de vanguarda (Benjamin,1936) e hoje, pelos videoclipes, emergem como “reposição objetivadora de uma experiência” (ADORNO, 1967). E, ainda, como os cenários de declínio da escrita e de emergência das tecnoimagens, ressaltados por Flusser, apontam para a atualidade da ideia de “reversão dialética” para se pensar a “liberdade de se jogar contra o aparelho”, por meio da estética do hip-hop.

Inscrições durante o Colóquio Internacional Educação Sem Retrocesso

Trata-se de um colóquio com convidados de centros de pesquisa e universidades brasileiras e estrangeiras(de Portugal e da França) que discutirão conosco a pertinência de questões contemporâneas no campo da Educação.

Entre os dias 25 e 26/04/2019, das 14h às 22h no Auditório da Escola de Aplicação.

Inscrições: somente on-line a partir de 30/03/2019 à 26/04/2019.

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