Memória e preservação da ancestralidade e da cultura afro-brasileira

Autor: Eduarda Uzêda Data da postagem: 11:00 12/06/2019 Visualizacões: 164
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A Chegança de Mouros Barca Nova Feminina, marujada do município de Saubara, ex-distrito de Santo Amaro, região do Recôncavo baiano/Imagem: Reprodução - A Tarde

Uma coletânea com sete novos discos com gravações inéditas dedicados às cantigas de mestres e grupos de candomblé, capoeira e chegança, além de dois minidocumentários que integram a edição Bahia Volume 2, do projeto Mestres Navegantes já estão disponíveis gratuitamente nas plataformas digitais.

A iniciativa é do músico, produtor, diretor e pesquisador Betão Aguiar, que, em parceria com a Natura, criou o projeto que não apenas mapeia, mas também registra manifestações da cultura popular do País. Para escutar e baixar os discos, deve-se acessar o www.soundcloud.com/mestres-navegantes/sets. Já para assistir aos documentários, o canal é www.vimeo.com/mestresnavegantes.

“Com esse lançamento, somamos 28 discos que reúnem mais de 500 faixas dos mais diversos estilos, além de 19 filmes“, afirma Betão sobre o programa, que se destaca no vasto campo da memória da ancestralidade e da cultura afro-brasileira.

Mãe Preta, do Terreiro Ilê Kaiô Alaketu Axe Oxum, de Cachoeira/Imagem: Reprodução - A Tarde

Diversidade

Filho do cantor e compositor Paulinho Boca de Cantor, Betão Aguiar explica que, para a realização desta coletânea, que inclui três discos de candomblé de diferentes nações (Ketu, Angola e Caboclo, Jêje Mahi e Nagô), além de dois de Capoeira (Angola) e dois de Chegança, o projeto reuniu 16 comunidades religiosas e mestres do saber. Para os registros das cantigas entoadas, cada terreiro escolheu um repertório específico de sua nação.

“Queríamos registrar a diversidade cultural. Para isso, tivemos que conquistar a confiança dos terreiros”, acrescenta, frisando que este foi um dos desafios desta fase do projeto, bem como as viagens para o interior “em regiões que nem sempre são seguras”.

Não faltam novidades. No disco de candomblé Jêje Mahi /Nagô há o registro do Terreiro Zogbodô Bogun Malé Sejahundé, conhecido como Roça do Ventura, de Cachoeira.

O pesquisador conseguiu que pela primeira vez fosse autorizada a realização de um registro desta casa, uma das poucas existentes de músicas dos voduns no País.

O mestre Cobra Mansa, de Valença: adepto da capoeira angola/Imagem: Reprodução - A Tarde

Reconhecimento mundial

De acordo com Betão, Mestres Navegantes, que desde a primeira edição lançada em 2011 em São Paulo teve apoio da Natura, foi eleito em 4º lugar, entre os 10 projetos de música mais importantes de 2013 pelo jornal The New York Times, dos Estados Unidos.

“Na Bahia, a primeira edição (2018) reuniu apenas dois discos: um de samba de rua do Recôncavo e outro de samba rural e batuque tirana”, acrescenta o músico, produtor e pesquisador.

O fato é que Betão Aguiar tem celebrado a convivência com os mestres da cultura popular. “Há mais de uma década tenho tido este privilégio, sendo presenteado com algumas das maiores belezas musicais que o país produz, registradas na coletânea”, diz. A comemoração dos dez anos do projeto, em 2021, terá novidades.

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