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Banda As Bahias e a Cozinha Mineira critica a falta de ética da sociedade brasileira

Autor: Luciano Velleda Data da postagem: 15:00 06/08/2019 Visualizacões: 252
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Destaque na nova cena da música brasileira, grupo segue colocando o dedo na ferida dos problemas nacionais / Foto: Divulgação - Reprodução - Rede Brasil Atual

“Você não pode conviver com a injustiça e 'fazer a egípcia’”, diz a cantora Raquel Virgínia. Grupo lança terceiro álbum, "Tarântula"

Pouco mais de três anos depois de lançar o primeiro álbum, MulherAs Bahias e a Cozinha Mineira apresentam agora o terceiro, Tarântula. Da gravação independente em 2015 ao disco mais recente, os integrantes do grupo concordam que ter assinado com a gravadora Universal Music trouxe vantagens. A maior estrutura de produção tem deixado o trio formado por Raquel Virgínia, Assucena Assucena e Rafael Acerbi mais livre para se dedicar exclusivamente à música, razão pela qual se uniram e rapidamente se tornaram sensação na música brasileira.

“Agora a gente consegue se voltar mais pra nossa veia artística e isso está reverberando no que a gente entrega”, diz Raquel Virgínia, durante o programa Hora do Rango. Na mesma linha, Rafael Acerbi diz que o grupo está podendo fazer o show e o novo disco “do jeito que sempre sonhou”.

Assucena Assucena cita outro elemento positivo em ter a companhia de uma gravadora: ela acredita que a música do grupo pode ganhar ainda mais ouvintes a partir da melhor estrutura. E isso, avalia, é muito importante por suprir a ausência de mulheres trans no mercado musical. “É uma trajetória importante não só para As Bahias e a Cozinha Mineira, como também para as mulheres trans na música.”

O feminismo e a reflexão sobre temas sociais e políticos seguem presentes no álbum Tarântula. A começar pelo nome, que faz referência não à aranha peluda e assustadora, mas sim à operação da polícia de São Paulo contra os travestis em 1987. Na ocasião, uma verdadeira caçada aconteceu nas ruas da cidade, sob a alegação oficial, e medonha, de prevenir a expansão do vírus da aids.

A canção Carne dos meus versos, composta por Raquel Virgínia, é na opinião da colega Assucena uma das mais bonitas do novo álbum. Uma música sobre pessoas abandonadas que conseguem dar a volta por cima, com referência ao “anjo torto” de Carlos Drummond de Andrade, no Poema de Sete Faces.

“Eu tava num boteco sozinha, no Rio de Janeiro, tomando cerveja e pensei: ‘Caraca, até um anjo torto esnoba uma mulher trans’. É uma vida de muita solidão. Ao mesmo tempo em que você está muito feliz porque está sendo quem é, deixando com que sua natureza exista, também gera muita solidão. A transexualidade é um paradigma muito grande pra sociedade. E isso causa um afastamento das pessoas”, explica Raquel. Para ela, tudo o que foge do padrão acaba sendo abandonado. E a transexualidade, pondera a cantora, foge de todos os padrões. “Embora falando de uma coisa muito pesada, essa música delicadamente aborda isso.”

“Quando eu nasci
Ninguém disse nada
Tomei muitas palmadas
E vi algumas mentiras

O anjo torto
Até me esnobava
Atravessava a calçada
Pedi a mão, me cuspia”

Trecho da música Carne dos meus versos, do álbum Tarântula

 

 

“Você costumava olhar as estrelas
Para se guiar no mundo
Com tudo, com tudo, tudo, tudo amor
Você se perdeu”

Trecho da música Das Estrelas, do álbum Tarântula

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