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“O negro só quer lugar de fala e respeito”, diz pesquisadora da cultura afro

Autor: Redação Independente Data da postagem: 18:00 08/08/2019 Visualizacões: 239
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Angélica se diz orgulhosa com a possibilidade de levar o assunto à discussão na universidade / Foto: Natalia Ribeiro - Reprodução - Independente

Trabalho de Conclusão de Curso de Angélica Xavier norteia aula inaugural das licenciaturas da Univates, nesta terça-feira (6), em Lajeado

Por meio de experiências próprias, carregadas nos seus 35 anos de vida, a estudante de licenciatura em Educação Física da Univates, Angélica Xavierse viu intrigada a pesquisar sobre a cultura afro-brasileira e a sua inserção no ambiente escolar. Este foi o tema que permeou o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado recentemente na primeira de duas avaliações. O assunto ganhou proporções maiores e motivará a aula inaugural das licenciaturas na universidade, nesta terça-feira (6).

Negra e nascida em Teutônia, município do Vale do Taquari com colonização predominantemente alemã e italiana, Angélica revela que o preconceito faz parte da sua história. Desde pequena, ela recebe orientações da mãe para que tome cuidado com o comportamento e as roupas que usa, a fim de evitar julgamentos relacionados à cor da pele. “Não é algo fácil. A gente sempre tem que estar vivendo o enfrentamento da sociedade, sempre precisando mostrar que a nossa cultura é importante”, pontua.

Por décadas, ela se questionava sobre algumas questões alusivas ao tema. Durante cerca de 20 anos usou tranças nagô no cabelo, “tranças rasteiras que os escravos faziam como forma de comunicação, para mostrar caminhos de fuga que os senhores desconheciam”, explica a estudante. No fim do ano passado ela decidiu assumir os cachos, um black power, como a própria define. Um processo de aceitação que primeiro passou pelo seu interior para que o aspecto exterior fosse impactado.

Os questionamentos e a curiosidade sobre o assunto foram suficientes para definir os rumos dseu TCC. “Os meus estudos, da educação básica até o ensino superior, me deixaram com muitas inquietações e através deste trabalho estou buscando sanar e lavar para a escola, onde é a base para combater o racismo”, diz.

Durante o trabalho, surgiu a ideia de levar o tema adiante. O orientador Leandro Rocha comprou a proposta e a mostrou à reitoria. Após muitas conversas, surgiu o interesse de fazer um debate no ambiente universitário. O objetivo é tratar a inserção da cultura afro-brasileira em atividades de sala de aula. Não há cobrança para participar do evento, que será a partir das 19h desta terça-feira (6), no auditório do Prédio 7 da Univates. A comunidade escolar e demais interessados são convidados.

A partir das suas pesquisas e vivências, Angélica concluiu que “o negro não quer tirar o lugar de ninguém, ele só quer ter o seu lugar de fala, espaço e respeito”. Hoje ela participa da ONG Alphorria, de Venâncio Aires, que debate questões relacionadas à negritude. Na última sexta-feira (2), Angélica foi homenageada na 6ª edição do Mulher Ativista em Destaque, premiação entregue na Câmara de Vereadores do município de origem da organização não governamental.

Programação

A abertura do evento, denominado “Cultura afro-brasileira no contexto educativo: relações étnico-raciais”, contará com apresentação do coral da ONG Alphorria, de Venâncio Aires. Afala seguinte será da presidente da entidade, Ana Lúcia Landim, que tratará do “Processo de reconhecimento da cultura afro-brasileira”.

Flyer de divulgação do evento / Foto: Reprodução - Univates

Doutora da Unisinos, Viviane Inês Weschenfelder discorrerá sobre a lei 10.639/03 que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”; Mestre da Univates, Sérgio Nunes Lopes ministrará acerca da cultura afro-brasileira no ensino superior; e o mestre Márcio Cardoso Coelho, que atua na Prefeitura de Porto Alegre, sobre o contexto nas escolas.

As inscrições devem ser feitas no site da universidade, link univates.br/sistemas/inscricoes/processo-3044. Coordenador dLicenciatura em Educação Física na instituição, o professor Derli Juliano Neuenfeldt convida para a atividade. Teremos uma mesa que discutirá a cultura afro-brasileira e a sua inserção no ensino da educação básica ao superior. Também relatos e experiências de trabalho com a cultura afro no contexto escolar.” Em junho, o número de alunos matriculados nos cursos de licenciatura da Univates totalizava 859 pessoas.

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