Ela criou o “Tinder dos Livros” para facilitar o acesso à leitura a pessoas negras

Autor: Rafael Melo Data da postagem: 12:00 09/10/2019 Visualizacões: 333
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Ela criou o “Tinder dos Livros” para facilitar o acesso à leitura a pessoas negras / Foto: Reprodução - Razões Para Acreditar

Já são mais de 500 matchs no país todo!

A ideia já deu match no país inteiro! Winnie Bueno é uma pesquisadora e ativista do movimento negro. Depois de constatar o acesso restrito de pessoas negras aos livros, ela criou o "Tinder dos Livros".

“A ideia surgiu do engajamento das pessoas em doar livros. A provocação inicial foi só um disparador. O que originou o projeto foi perceber que as pessoas querem ajudar e às vezes não sabem como. Eu proporcionei uma ferramenta para que todos possam se engajar contra o racismo de forma prática e efetiva”, relatou Winnie.

Winnie sugeriu no seu Twitter que as pessoas brancas fizessem algo de eficaz na busca por justiça social para as pessoas negras, como a doação de livros.

Depois disso, várias pessoas se prontificaram a doar e Winnie começou a receber os desejos daqueles que queriam ter acesso a um livro, mas não tinham condições de comprar. Então, ela começou a fazer a ponte entre doadores e receptores e não parou mais. Já são mais de 500 matchs, tudo por meio do seu perfil no Twitter (@winniebueno).

<blockquote class="twitter-tweet"><p lang="pt" dir="ltr">COMO FUNCIONA O TINDER DOS LIVROS, UMA THREAD<br><br>depois de milhares de pessoas me perguntarem milhares de vezes como funciona o tinder dos livros eu resolvi explicar nesse fio qual é a dinâmica.</p>&mdash; Eu conecto pessoas através de livros. (@winniebueno) <a href="https://twitter.com/winniebueno/status/1098013157497409538?ref_src=twsrc%5Etfw">February 20, 2019</a></blockquote> <script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>

É muita gente satisfeita em doar e centenas de leitores felizes! Os livros vão quase sempre acompanhados de um bilhete gentil.

Foto: Reprodução - Twitter

“Você dizer que apoia a luta antirracista é importante, mas apoio não pode ser só retórico. Tem que ter ação, uma ação que se propõe a diminuir a distância entre pessoas negras e o acesso aos livros é uma forma prática de exercer o discurso antirracista e que gera impactos muito maiores que o mero discurso. E sim, o acesso ao conhecimento é uma política emancipatória fundamental para a construção de projetos para a justiça social”, analisou.

Winnie Bueno tem mais de 27 mil seguidores no Twitter. A doutoranda em Sociologia tem 31 anos e uma trajetória acadêmica e social toda voltada para os estudos da negritude e da cultura afro. Ela é Iyalorixá e atua junto à Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde – RENAFRO.

Amizades criadas a partir do Tinder dos Livros

Além de dar match literário, a iniciativa tem aproximado pessoas. Elisângela Alves e Cecília Vaz são vizinhas e se aproximaram a partir da ponte feita por Winnie. Cecília doou o livro “Americanah” para Elisangela. “Como se já não bastasse o trabalho espetacular que a Winnie tem feito, ela ainda teve a delicadeza de encontrar a Cecília, que é praticamente minha vizinha, pra me presentear”, disse Elisangela. Ao ver o endereço da solicitação, Cecília foi entregar pessoalmente. “Muito feliz por tê-la feito feliz”, disse.

Foto: Reprodução - Twitter

Já Lisiane Pereira, 34 anos, mora em Porto Alegre, e foi contemplada com cinco livros por meio da ideia de Winnie. Na época, ela estava fazendo pós-graduação em História e Cultura Afro-brasileira e Psicopedagogia da Uniasselvi. “Meu pai dizia que os livros fazem com que a gente seja um devorador de mundos. Mas, além disso, acredito que a leitura me coloca em um lugar seguro, de acolhimento”, disse Lisiane em entrevista ao portal Gaúcha ZH.

Lisiane e Izabel se conheceram por intermédio de Winnie e seu projeto / Foto: Ávila - Agência RBS

A funcionária pública moradora da mesma cidade, Izabel Belloc, 49 anos, foi quem presenteou Lisiane com duas obras. “Minha família sempre teve condições de comprar livros. Eu não frequentava a biblioteca do meu colégio porque tinha obras em casa. Ou seja, minha experiência, como branca, é diferente da vivência da Lisiane, que é negra. E, se a gente não estiver atenta às problemáticas raciais, vai continuar reproduzindo e perpetuando desigualdades”, disse Izabel, que também ajudou outras quatro pessoas pelo Tinder dos Livros.

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