EDITAL EQUIDADE RACIAL

ACESSAR

Babalawô analisa festival de cinema negro com filme de queniana sobre Marielle Franco

Autor: DODÔ AZEVEDO Data da postagem: 18:00 31/10/2019 Visualizacões: 243
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
Babalawô analisa festival de cinema negro com filme de queniana sobre Marielle Franco/Imagem: Reprodução - Folha de São Paulo

O maior encontro de cinema negro do hemisfério sul acontece no Rio de Janeiro. Em sua 12º Edição, o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África, Caribe e Outras Diásporas, trouxe um volume estonteante de produções do mundo e do Brasil. Costuma-se dizer que não há realizadores nem atores negros no país o suficiente para sustentar, por exemplo, uma novela ou minissérie de TV com maioria negra. Centenas de atores passaram pelas telas do festival, de todas as idades, todos ativos, todos disponibilizando-se para o mercado. Ter assistido a filmes que falam sobre todos os assuntos pela ótica do negro é revelador. Há muito o que ser ensinado. Ivanir de Santos é Babalawô, historiador, escritor, internacionalmente premiado ativista contra intolerância religiosa. Ele escreve como foi o festival e avisa: ainda há tempo de assistir aos últimos filmes, entre eles, a homenagem de uma diretora Queniana à Marielle Franco, que começa a firmar-se aos olhos do mundo como o rosto da bravura e do heroísmo nacional. Presente.

A força do cinema negro brasileiro.

O cinema é umas da expressões e manifestações do ser e está neste mundo. Então, o que podemos dizer sobre as negras percepções sobre o cinema brasileiro? Do ponto de vista das representatividades, é inegável que nas ultimas décadas a presença de atrizes e atores negros na cinematografia brasileira tem sido um ponto focal para a construção e busca por equidade.

Obviamente trata-se de uma luta cotidiana. Um trabalho de desconstrução e descolonização. Nos relegavam “papeis” os quais nunca couberam as nossas negras existências. Simultaneamente à reivindicação por um cinema brasileiro “preto no branco”, precisamos voltar os nossos olhos para a estória de Jorge da Silva na história da cinematografia brasileira e afro-brasileira. O trabalho do carioca Jorge da Silva, o Zózimo Bulbul foi, entre as décadas de 1960 a 1970, marco definitivo no cinema nacional.

Conhecido e reconhecido em âmbito nacional e internacional, Zózimo Bulbul foi o olhar negro e do negro sobre a trama narrada em imagens que buscavam captar os mais simples detalhes decodificados da cultura negra no Brasil. Referência para pontos de diálogos com cineastas, artistas, atores, atrizes e roteiristas principalmente do continente africano, pois lhe era intimo o desejo em construir um elo de ligação entre o “continente mãe-negra” e os afro-diaspóricos.

O Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul vem, a cada edição, consolidando-se com uma das maiores plataformas de lançamento do cinema negro na América Latina. O evento promove um dos maiores intercâmbios entre cineastas nacionais e internacionais que buscam evidenciar em suas películas o protagonismo negro e luta antirracismo no cinema.

Nesta 12º Edição, a mais proeminente das atividades do Centro Afro Carioca de Cinema, fundado no ano de 2007 pelo próprio Zózimo Bulbul, e atualmente presidido pela figurinista e diretora de arte Biza Vianna, contou em sua abertura com a participação de atores e atrizes negros e negras da dramaturgia e teledramaturgia brasileira, bem como a presença e participação da escritora e ativista Angela Davis.

O Encontro conta também com presenças pontuais e marcantes como a do cineasta e pesquisador mineiro Joel Zito, que está presente com o longa-metragem que dedicou ao cantor e compositor nigeriano Fela Kuti. Assim, o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África, Caribe e Outras Diásporas, vem, mais uma vez, rompendo as barreiras do racismo, do machismo e todas as formas de opressão e se coloca como força de ligação e interação que amplia e multiplica a cena de cinema negro no Brasil em diálogos constantes com nossos elos diaspóricos.

143 filmes. 40 internacionais. Realizadores negros do Senegal, Quênia, Ruanda, Burkina Faso, África do Sul, EUA, Sérvia, Alemanha, França, Colômbia e México. 103 filmes brasileiros. Rio de Janeiro, Mato Grosso, Curitiba, Pará, Brasília, entre outros. Léa Garcia, figura lendária com 60 anos de carreira ininterrupta como atriz de cinema (destaque para o clássico Orfeu Negro, de 1959), teatro e TV, foi a grande homenageada nessa edição. Na sessão de abertura foi exibido o longa Um Dia de Jerusa, estrelado por Léa, dirigido por Viviane Ferreira. O filme é um dos 41 realizados por diretoras negras que está incluído na programação.

No último dia do Encontro no Cine Odeon, a cineasta queniana Ng’endo Mukii apresenta o seu curta “Retrato de Marielle”.

Quando:

Quarta 3o/10 “Portrait of Marielle”, de Ng’endo Mukii, às 19h.

Curta a nóticia:
Curta o CEERT: