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Empreendedores negros encontram fonte de renda na própria identidade

Autor: Pedro Lins Data da postagem: 10:00 20/12/2019 Visualizacões: 99
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Artesãos negros encontram fonte de renda nas lições da ancestralidade/Imagem: Reprodução - TV Globo

Cultura afro e ancestralidade inspiraram artesãos, que perceberam demanda do mercado por produtos como turbantes, roupas, bijuterias e ilustrações.

A cultura afro, a religião e a história dos ancestrais africanos foram inspiração para empreendedores negros, que fizeram da própria identidade uma forma de se estabelecer no mercado. Voltados à moda e decoração, artesãos se inspiram no enredo da própria vida e criaram o grupo de empreendedores da Feira Cultural Jeito Xambá (veja vídeo acima).

O ilustrador Sanderson Araújo é um dos empreendedores que decidiram retratar a beleza que não via em si mesmo. "É uma coisa que eu sou, que eu vivo. Algo que está dentro de mim, mas estava adormecido por conta dos padrões da sociedade que dita que o negro não é bonito", contou sobre a decisão de ilustrar apenas o que fosse compatível com sua história.

"Quando cai em mim, vi que o negro é lindo e pensei: 'Não quero desenhar nada que não seja da cultura afro, nada que não seja ligado a minha ancestralidade", disse.

 

Sanderson Araújo ilustra sua ancestralidade na Feira Cultural Jeito Xambá/Imagem: Reprodução - TV Globo

Natural de Olinda, Maria de Jesus percebeu no turbante, há três anos, um novo caminho. "Eu vi a necessidade de querer um produto e não ter onde comprar. Comecei a fabricar em casa para meu uso particular", disse. Segundo Maria de Jesus, antes era difícil encontrar algo com que ela se identificasse.

A feira que Sanderson e Maria de Jesus fazem parte é montada em frente ao Terreiro de Xambá, em Olinda. Tilá Xambá, coordenadora da feira, contou que a ideia é fruto da falta de espaço para mostrar os trabalhos da comunidade.

"Resolvemos juntar as artesãs para mostrar para outras pessoas que a gente tinha capacidade de fazer aquele artesanato que nossas tias e avós tanto fizeram no passado, mas achavam que estava parado", disse.

Anderson Odé Bomin é artesão e participa da feira vendendo bijuterias que lembram as antigas jogas de crioula, que marcaram a identidade das mulheres negras no Brasil colonial.

"As peças trazem um pouco da nossa ancestralidade porque o búzio tem a ver com o oráculo e é através dos búzios que conversamos com nossos ancestrais", afirmou.

 

Anderson Odé Bomin começou a fazer bijuterias com búzios para uso próprio, mas expandiu o negócio/Imagem: Reprodução - TV Globo

Assim como o trabalho de Maria de Jesus, Anderson disse que o trabalho dele não foi planejado para ser vendido, mas a alta demanda e o surgimento de novos clientes fez com que a produção tomasse um novo rumo.

A comunidade negra brasileira movimentou R$ 1,6 trilhão em 2017, equivalente a 24% do PIB nacional, segundo dados da Think Etnus, empresa brasileira especializada na pesquisa de hábitos e tendências de consumo da população negra.

Nesse cenário, Jéssica Silva e Rodrigo Silva decidiram criar a própria marca de roupas. "Uma vez que a gente começou a vestir nosso meio de se expressar, outras pessoas começaram a nos procurar e dizer: 'Eu também quero. Eu também sou desse jeito. Eu preciso me expressar dessa forma", contou Rodrigo.

 

Jéssica e Rodrigo Silva veem nas roupas afros uma forma de expressão/Imagem: Reprodução - TV Globo

As peças, cheias de cores, brilhos e formas, expressam o símbolo da força do povo africano. Foi a partir desta visão, também, que Maria Helena de Brito decidiu trabalhar com o macramê, uma tecelagem manual dos países do Norte da África e que consiste no uso de nós que formam linhas e figuras geométricas.

"Decidi trabalhar com o macramê porque era algo que me deixava mais próximo da ancestralidade, de trazer para perto todo processo criativo que eu tinha guardado dentro de mim. Além disso, veio o sustento da minha família, se tornou um processo cura e de rentabilidade", disse a artesã.

 

Feira Cultural Jeito Xambá fica em frente ao Terreiro de Xambá, em Olinda/Imagem: Reprodução - TV Globo

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