Movimentos de uma nação maracatu Papa-jerimum

Autor: Michelle Ferret Data da postagem: 16:00 06/03/2020 Visualizacões: 239
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Zambêracatu leva para as ruas o movimento do Macaratu e do Zambê, unindo o toque ancestral ao presente e a afirmação de uma identidade negra no RN/ Imagem: Reprodução - Divulgação - Tribuna do Norte

“Eu tenho uma força que me leva a cantar/ Um maracatu papa jerimum Batendo zambê na terra potiguar/Ouça o som do meu tambor, energia que me dá/ Seja negro ou de outra cor, proteção de orixá./Viva o rei, viva rainha/Viva a Corte Real/Viva o baque primeiro da cidade Natal!". A canção da compositora e fundadora do grupo, Marília Negra Flor, anuncia a chegada da Nação Zambêracatu que há oito anos leva para as ruas o movimento do Macaratu e do Zambê, unindo o toque ancestral ao presente e fortalece a afirmação de uma identidade negra no Rio Grande do Norte. Para registrar esse movimento, o fotógrafo Pedro Feitoza acompanha o grupo desde sua fundação e documentou através da fotografia diferentes momentos por onde o Zambêracatu passou. A seleção das fotografias, aproximadamente quarenta, poderá ser apreciada a partir desta quarta-feira, dia 04, às 19h na Galeria do Sesc da Cidade Alta. A visitação estará aberta do dia 05 de março até o dia 15 de maio, das 9h às 19h diariamente, exceto nos finais de semana.

“Faço parte do grupo desde 2017 e o trabalho é documental de fazer um registro fotográfico na perspectiva da memória. Parto da perspectiva de me tornar invisível e mostrar o trabalho do Zambêracatu com a menor interferência possível”, contou Pedro ao VIVER.

Em seu olhar, estão fotografias que transmitem o fortalecimento das raízes afro brasileiras, tanto na religiosidade como na música. “A Nação é também a forma em que as religiões africanas podem ser vistas nas ruas. Não é simplesmente um grupo de carnaval, tem um orixá que rege e tem uma agenda. E a ideia é mostrar tanto o trabalho da cultura na cidade e também o que significa o grupo, o acesso dos participantes a este movimento”, complementa.

As fotografias estão disponíveis em cor e preto-e-branco e foram produzidas nas três principais apresentações: Batuque para a Rainha do Mar, Cortejo Abrindo Caminhos e Coroação da Rainha. São detalhes dos cortejos, as relações de afeto dos integrantes do grupo entre eles e com o público e o que existe de mais forte: o combate ao racismo e a intolerância religiosa, como escreveu Marília Negra Flor sobre a exposição: “fortalecendo a construção e afirmação de uma identidade negra em Natal”.

Chamado carinhosamente de “Batalhão Azul de Ogum”, o Zambêracatu sai nas ruas munido com armas poderosas como alfaias, agbês, gonguês e os integrantes vestidos de azul e branco, tendo como o azul a força do orixá Ogum, quem abre caminhos. Nas palavras de Marília Negra flor, o grupo “é sinônimo de resistência da cultura negra, emanando asé (a boa energia) por onde passa, fazendo soar suas alfaias, seus agbês, seus gongues e suas caixas, e encantando com loas (canções) de autoria do próprio grupo”.

A Nação é considerada a primeira Nação de Maracatu da cidade do Natal e surge do desejo de movimentar o cenário cultural, dando ênfase às manifestações Afro brasileiras. A fundamentação do grupo tem ligação com o Candomblé de Nação Ketu. A Nação tem contato direto também com a Nação Baque Virado, de Pernambuco, que é centenária.

O próprio Pedro vive um processo intenso de identificação. Mesmo não estando ligado intimamente ao candomblé, sua participação no grupo é constante.

“Comecei fotografando para dar apoio ao grupo no dia do batuque para a Rainha do Mar e durante o processo vivi uma energia muito forte e logo me vi dentro do movimento de uma maneira muito bonita. Para mim, passa a ser um desafio estar dentro e fazer a cobertura. Minha pretensão não é ser imparcial, mas mostrar o que o grupo quer mostrar, abrir o olhar para o que é essencial”.

A exposição é parte de um processo maior, que é a preparação dos dez anos do grupo em 2022 e será comemorado com o livro fotográfico de autoria de Pedro Feitoza reunindo a documentação de todos os anos de (r)existência. A exposição é fruto do Edital do Sesc de ocupação da galeria. Além da exposição, o Sesc oferece paralelo o curso “Formação em Afrobrasilidade, mediação cultural e Arte Educação, nos dias 09 de março das 13h às 17h e no dia 10 de março das 8h às 12h, com o palestrante Leornardo Moraes. Inscrição prévia: cultura@rn.sesc.com.br

Sobre o fotógrafo
Pedro Feitoza é mestre em Direito pela Universidade de Brasília (2014) e doutorando em Educação pela UFRN (2020). Encontrou na fotografia o caminho ideal para desenvolver sua curiosidade pela multiplicidade da vida.

É coautor da exposição “Filhas e Filhos da Margem” (2018). Autor das exposições “Fardos e Tradições" (2019), “Retrato Esperança” (2019) e “Da corte ao canto do sertão” (2019). Atualmente desenvolve os projetos “Nação Zambêracatu” e “Cores de Almodóvar”. É integrante do time de artistas da galeria Inove e professor na escola de fotografia Foto Z.

Serviço
Exposição Fotográfica “Nação Zambêracatu” de Pedro Feitoza

Abertura: 04 de março, às 19h na Galeria do Sesc na Cidade Alta

(Rua Coronel Bezerra, 33)

Visitação: 05 de março até o dia 15 de maio, das 9h às 19h diariamente, exceto nos finais de semana.

Informações: (84) 3133.0360

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