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Joice Berth: "Ninguém se empodera individualmente se o grupo não estiver empoderado"

Autor: Cris Rodrigues Data da postagem: 16:00 17/03/2020 Visualizacões: 192
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"O feminismo ainda é muito burguês", afirma autora do livro "O que é empoderamento?"/ Imagem: Reprodução - Brasil de Fato

Escritora fala sobre feminismo negro e questiona o esvaziamento do debate em torno da ideia de empoderamento.

Pouco conhecida pelo grande público até tempos atrás, a palavra "empoderamento" ganhou força no debate político até se tornar o termo mais buscado no dicionário Aurélio em 2016. Desde então, já teve seu significado esvaziado e afastado do conceito original, mas ainda é fundamental para a discussão do feminismo negro, pois debate mudanças nas relações de poder, de acordo com a arquiteta e urbanista Joice Berth.

Autora do livro "O que é empoderamento?", ela enfatiza o fato de que "o poder só existe de maneira justa quando é coletivo", ou seja, o empoderamento deve buscar mudanças nas estruturas das relações de poder. A palavra, criada pelo educador Paulo Freire a partir do termo inglês "empowerment", embute a ideia de minimizar os efeitos da opressão.

Em entrevista ao Brasil de fato, Joice questiona a "ideia liberal de meritocracia". Segundo ela, quando as conquistas são relacionadas a benefícios individuais, como promoções e aumentos salariais, não se trata de empoderamento, embora seja essa a ideia mais disseminada relacionada com o termo. "Se ele não é revertido para o grupo minoritário em que você está inserida, então você não está trabalhando exatamente o conceito de empoderamento", afirma.

Ao tratar sobre raça e classe dentro do movimento feminista, Joice resgata a antropóloga e ativista Lélia Gonzalez, que se dedicou a explicar o impacto da combinação de racismo e sexismo sobre as mulheres negras e afirmou que o feminismo não pode ser considerado de uma maneira única e universal. "O feminismo ainda é muito burguês, muito elitizado", completa. 

Na semana em que o assassinato da vereadora Marielle Franco completa dois anos, a escritora também diz que seu exemplo "representa o contraponto do esvaziamento do conceito de empoderamento". Segundo a escritora, "se de fato nós tivéssemos alcançado algum empoderamento, isso não aconteceria ou aconteceria em menor escala".

Confira a entrevista:

 

 

 
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