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Desigualdade racial e de gênero no cinema nacional: até quando?

Autor: MARIA GAL Data da postagem: 12:00 02/06/2020 Visualizacões: 219
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Desigualdade racial e de gênero no cinema nacional: até quando?/Foto: Reprodução - Vogue

Em sua nova coluna para o Vogue Gente, Maria Gal discute a falta de diversidade ainda vigente no audiovisual brasileiro

Um dos temas desta coluna é falar sobre diversidade no audiovisual, já escrevi um artigo falando sobre isso, e desta vez compartilho aqui parte do relatório de pesquisa do grupo GEMAA realizado pelos autores Marcia Rangel Candido, Juliana Flor e Jefferson Belarmino de Freitas.Desde já, quero parabenizar os autores!

Em 2019, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) comemorou uma década de sua institucionalização como núcleo de pesquisa. Nesta trajetória, os trabalhos sobre representação de raça e gênero no cinema brasileiro marcaram o desenvolvimento de uma nova linha de investigações, iniciada em 2014, que se proliferou para as telenovelas, os videogames e a publicidade impressa, a partir das mesmas questões analíticas: 1) Quais grupos sociais são representados? 2) Como eles são representados?

Esta edição especial do Boletim GEMAA atualizou a base de dados de relatórios anteriores qsobre gênero e raça nos filmes de grande público do audiovisual nacional. A partir da análise do perfil dos diretores, roteiristas e personagens que construíram as narrativas dos longas metragens líderes em frequência de público nas salas de cinema do país, notou-se a sub-representação de mulheres brancas, mas sobretudo da população preta e parda nas principais funções (direção, roteiro e atuação) dos 10 filmes brasileiros de maior público entre os anos 1995 e 2018, exceto os gêneros documentário, animação e infantojuvenil. A listagem dos longas-metragens lançados durante este período foi consultada no site do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA). 

(Foto: GEMAA/Reprodução)

Desigualdade de Gênero

O estudo constatou que a desigualdade mais severa do cinema nacional de grande público atinge uma parcela específica do grupo feminino: a de cor preta ou parda. As mulheres brancas, por sua vez, tendem a obter melhor participação que o somatório geral da população preta e parda. Mulheres brancas: 21% das diretoras, 34% das roteiristas e 34% dos personagens. O gênero masculino de cor branca, por sua vez, domina todas as funções, principalmente as de construção da narrativa, como as de diretor (84%) ou roteirista (71%), sendo ainda 49% do elenco. Na questão de gênero fica muito evidente a dominação de homens brancos, principalmente nas funções como diretores, roteiristas, e personagens. 

Os gráficos abaixo mostram como oscilou a presença das categorias gênero e raça nas principais funções do cinema brasileiro de grande público ao longo dos anos. É possível identificar a persistência de severas assimetrias, mas certa paridade entre mulheres e homens brancos nos elencos principais de alguns anos.

(Foto: GEMAA/Reprodução)

Quanto à distribuição dos personagens, no ano com maior participação de pretos e pardos, o de 2002, foi lançado "Cidade de Deus", grande sucesso de bilheteria. Neste filme, predominam no elenco principal atores pretos e pardos, sendo 53% do gênero masculino e 13% feminino. O restante, 33%, é de cor branca.

Enquanto mulher negra é muito triste constatar o quão excludente o cinema nacional é com as mulheres negras em todas as funções. Não tenho dúvidas de que essa invisibilidade simbólica no audiovisual nacional representa o apagamento de mulheres, homens e jovens negros violentados e mortos neste país racista e machista. Quantas e quantas histórias de mulheres e homens negros poderiam ser contadas no cinema nacional e contribuir não apenas para nossa cultura e educação mas também para a nossa economia, assim como fazem muito bem os Estados Unidos que tem apenas 13% da população negra.

Até quando as empresas que patrocinam os grandes filmes comerciais que vão para as salas de cinemas e depois para TV e VOD não vão se preocupar em dar visibilidade a sua marca representando o Brasil real? Não o Brasil – Dinamarca. Mas o Brasil de Carolinas, Marias e Josés? Pois é, grandes empresas, CEOS e gerentes de marketing, há aí uma imensa demanda e oportunidade para vocês patrocinarem filmes que sejam protagonizados, dirigidos E produzidos por pessoas negras e ficarem muito bem na fita com mais de 55% da população que consome mais de 1,7 trilhão por ano segundo dados de 2018. #ficaadica

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